{"id":5694,"date":"2014-03-31T20:32:53","date_gmt":"2014-03-31T23:32:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=5694"},"modified":"2014-04-01T07:23:19","modified_gmt":"2014-04-01T10:23:19","slug":"mulheres-lancam-hashtag-e-soltam-o-verbo-eu-nao-mereco-ser-estuprada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulheres-lancam-hashtag-e-soltam-o-verbo-eu-nao-mereco-ser-estuprada\/","title":{"rendered":"Mulheres soltam o verbo (&#8216;eu n\u00e3o mere\u00e7o ser estuprada&#8217;)"},"content":{"rendered":"<p>Mulheres de todo o Brasil est\u00e3o protestando pelo Facebook ap\u00f3s o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea)\u00a0que apontou que a maioria dos brasileiros acha que \u201cMulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, 65,1% das pessoas \u2013 incluindo homens e mulheres \u2013 concordaram com essa informa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 58,5% concordam com a afirma\u00e7\u00e3o \u201cSe mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros\u201d.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o diante da pesquisa foi imediata e uma campanha online chamada \u201cEu n\u00e3o mere\u00e7o ser estuprada\u201d foi ganhando for\u00e7a na rede social, informa o portal Terra.<\/p>\n<p>Utilizando a hashtag <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/hashtag\/eun%C3%A3omere%C3%A7oserestuprada\" target=\"_blank\">#EuN\u00e3oMere\u00e7oSerEstuprada<\/a>, as internautas postaram fotos seminuas dizendo que as vestimentas n\u00e3o s\u00e3o motivo para nenhum crime sexual. At\u00e9 as 11h30 deste s\u00e1bado, a comunidade Eu n\u00e3o Mere\u00e7o Ser estuprada tinha 514 participantes na rede social. Outras duas com tem\u00e1tica semelhante somavam mais 500 membros.<\/p>\n<p>Organizadora da p\u00e1gina de protesto no Facebook, a jornalista Nana Queiroz disse em sua p\u00e1gina pessoa da rede social que sofreu amea\u00e7as de homens e que mulheres desejaram que ela fosse estuprada. &#8220;Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea\u00a0e experimentei na pele sua f\u00faria&#8221;, afirmou em um post.<\/p>\n<p>Nana contou em entrevista contou que ir\u00e1 levar as\u00a0amea\u00e7as, que j\u00e1 contabilizam milhares de posts, de acordo com ela, a uma delegacia na Asa Sul, em Bras\u00edlia. &#8220;Queremos levar ao Minist\u00e9rio P\u00fablico esses registros para que os agressores sejam punidos e sirvam de exemplo&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>O que mais chocou a jornalista foram as mensagens de incita\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0viol\u00eancia e ao estupro.&#8221;Me acusaram de ser contra Deus e a sociedade, al\u00e9m de postarem fotos minhas em sites pornogr\u00e1ficos&#8221;, detalhou. Como pr\u00f3ximo passo, a campanha prev\u00ea o pedido\u00a0de um canal nacional espec\u00edfico para den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual contra mulheres.<\/p>\n<p>Pelo Twitter, at\u00e9 a presidente Dilma Rousseff se manifestou sobre o resultado da pesquisa. Ela defendeu nesta sexta-feira &#8220;toler\u00e2ncia zero&#8221; \u00e0 pr\u00e1tica deste tipo da viol\u00eancia contra a mulher. &#8220;Pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avan\u00e7ar no combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. Mostra tamb\u00e9m que governo e sociedade devem trabalhar juntos para atacar a viol\u00eancia contra a mulher, dentro e fora dos lares&#8221;, escreveu Dilma.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o de que a maioria dos brasileiros concorda que o comportamento da mulher pode motivar o estupro comprova que a cultura machista est\u00e1 impregnada nos homens e nas mulheres da sociedade brasileira, segundo a soci\u00f3loga e integrante do Colegiado de Gest\u00e3o do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Nina Madsen.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa sociedade \u00e9 violenta contra as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas e as mulheres comp\u00f5em essa popula\u00e7\u00e3o. A culpa da viol\u00eancia sexual nunca \u00e9 das mulheres. Temos que educar os meninos a n\u00e3o estuprar. Hoje eles aprendem que uma menina que se veste de uma determinada forma est\u00e1 provocando e que eles t\u00eam uma pretensa autoriza\u00e7\u00e3o para fazer uso daquele corpo que est\u00e1 sendo exposto. Temos que interferir nesse processo&#8221;, disse Nina.<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga, os par\u00e2metros educacionais e culturais precisam ser modificados. &#8220;\u00c9 preciso atuar com muita for\u00e7a e continuidade na mudan\u00e7a cultural e a educa\u00e7\u00e3o formal tem que incorporar os conte\u00fados que dizem respeito aos direitos das mulheres e \u00e0 igualdade de g\u00eanero&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Nina ressalta que o novo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), que est\u00e1 tramitando no Congresso, prev\u00ea uma educa\u00e7\u00e3o voltada para a promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero. No entanto, diz a soci\u00f3loga, esse princ\u00edpio est\u00e1 sendo questionado por grupos conservadores, sobretudo pela bancada evang\u00e9lica, que querem retir\u00e1-lo do texto.<\/p>\n<p>&#8220;Os grupos conservadores est\u00e3o numa campanha ferrenha para que isso seja eliminado do texto do plano. Eles est\u00e3o combatendo o que chamam de uma ideologia de g\u00eanero. Isso \u00e9 um retrocesso grav\u00edssimo. Se o governo permitir que isso aconte\u00e7a estar\u00e1 sendo conivente com essa cultura do estupro revelada nesses dados que o Ipea apresentou&#8221;, disse Nina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres de todo o Brasil est\u00e3o protestando pelo Facebook ap\u00f3s o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea)\u00a0que apontou que a maioria dos brasileiros acha que \u201cMulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas\u201d. 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