{"id":57036,"date":"2015-07-09T19:34:44","date_gmt":"2015-07-09T22:34:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=57036"},"modified":"2015-07-09T19:35:39","modified_gmt":"2015-07-09T22:35:39","slug":"washington-fechou-os-olhos-aos-atos-de-tortura-da-ditadura-milutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/washington-fechou-os-olhos-aos-atos-de-tortura-da-ditadura-milutar\/","title":{"rendered":"Washington fechou os olhos aos atos de tortura do regime militar no Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O Arquivo Nacional disponibilizou nesta quinta-feira (9) para consulta documentos que provam que o governo dos Estados Unidos sabiam de torturas e desaparecimentos de presos pol\u00edticos no Brasil. O conjunto de dados digitalizados foi enviado pelo governo norte-americano ap\u00f3s a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), que encerrou os trabalhos em dezembro, fazer o pedido via Freedom of Information Act, a lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o americana. O pedido foi refor\u00e7ado pelo governo brasileiro.<\/p>\n<p>Entre os documentos, h\u00e1 material que fala do desaparecimento de Stuart Angel Jones, filho da falecida estilista Zuzu Angel, e do ex-deputado Rubens Paiva, cujos corpos nunca foram localizados; de tortura sofrida por Frei Beto e do assassinato do dirigente comunista Carlos Marighela em S\u00e3o Paulo, entre outros. Trecho de um telegrama enviado em maio de 1973 pelo Consulado Americano em S\u00e3o Paulo para a Secretaria de Estado em Washington relata a pr\u00e1tica de pris\u00f5es e torturas em S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>\u201cInterrogat\u00f3rios de prisioneiros pol\u00edticos muitas vezes s\u00e3o acompanhados por torturas, como pau-de-ararai (em ingl\u00eas, the parrot&#8217;s perch), choques el\u00e9tricos, fome, etc. Um candidato do MDB para o Conselho Municipal em S\u00e3o Paulo que foi preso depois das elei\u00e7\u00f5es municipais de novembro e mantido por seis semanas no centro militar de interrogat\u00f3rio (Oban) nos disse, depois de ser libertado, que cerca de 60 prisioneiros pol\u00edticos foram mantidos no centro enquanto ele estava l\u00e1, o que \u00e9 aproximadamente a capacidade do lugar. Muitos estavam claramente envolvidos em atividades subversivas, mas outros pareciam ser apenas idealistas pol\u00edticos que se opuseram ao regime. Todos foram submetidos a alguma forma de tortura. Ele pr\u00f3prio n\u00e3o foi abusado, j\u00e1 que \u00e9 um pol\u00edtico leg\u00edtimo e homem de posses, que ele n\u00e3o era &#8216;tortur\u00e1vel&#8217;\u201d.<\/p>\n<p>O diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva, explica que foram enviadas ao Brasil tr\u00eas remessas de documentos, cada uma em um DVD de dados. A primeira, com 43 arquivos, chegou em junho do ano passado pelas m\u00e3os do vice-presidente norte-americano Joseph Biden e j\u00e1 estava dispon\u00edvel para consulta pelo site da CNV.<\/p>\n<blockquote><p>De acordo com Antunes, a CNV n\u00e3o teve tempo de analisar a segunda remessa, recebida em dezembro e com 113 documentos, nem a terceira, que chegou no dia 30 de junho com 538 documentos. Antunes ressalta que foi o governo americano que selecionou e formatou os documentos reclassificados sem o car\u00e1ter sigiloso para serem enviados ao Brasil. \u201cTrechos dos documentos que eles acharam que n\u00e3o deveriam ser ainda liberados est\u00e3o tarjados pelo governo americano. Esse material chegou \u00e0s nossas m\u00e3os ontem no final do dia e n\u00f3s conseguimos colocar no nosso sistema\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O material foi liberado pelo Arquivo Nacional da forma como foi entregue pelos americanos: em ingl\u00eas e separados nos tr\u00eas lotes. A partir de agora, segundo Antunes, o Arquivo Nacional vai sistematizar melhor essas informa\u00e7\u00f5es, fazendo tradu\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos e descritivos para facilitar a pesquisa. \u201c\u00c9 importante que tenha chegado, antes tarde do que nunca, porque todos n\u00f3s sabemos que os Estados Unidos t\u00eam uma presen\u00e7a muito forte na Am\u00e9rica Latina e que apoiou de perto esses movimentos, esses golpes todos aplicados em pa\u00edses que experimentaram durante um determinado per\u00edodo de tempo a exce\u00e7\u00e3o de democracia. Ent\u00e3o todos n\u00f3s induz\u00edamos que haveria em materiais da CIA, do departamento de estado e outros \u00f3rg\u00e3o de intelig\u00eancia do governo americano documentos sobre o per\u00edodo da ditadura militar, mas nunca se teve esse acesso franqueado\u201d.<\/p>\n<p>Para Antunes, \u00e9 fundamental que se abram todos os arquivos referentes ao per\u00edodo da Ditadura Militar no Brasil. \u201cQualquer fonte de informa\u00e7\u00e3o que ponha luz em per\u00edodos tortuosos, ou de n\u00e3o saudosas mem\u00f3rias, ajuda na recupera\u00e7\u00e3o de fatos para que isso tudo seja conhecido, para que nunca mais se repita, parafraseando dom Evaristo Arns. \u00c9 importante que se conhe\u00e7a, para que n\u00e3o mais se repita. Ent\u00e3o isso \u00e9 para a comunidade de pesquisadores e dos \u00f3rg\u00e3os de defesa dos direitos humanos, exemplar. Se h\u00e1 outros pa\u00edses que possam deter fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre esse per\u00edodo da ditadura militar no Brasil deveriam ser generosos e compartilharem com o povo brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Os documentos americanos podem ser acessados pelo Sistema de Informa\u00e7\u00f5es do Arquivo Nacional.<\/p>\n<p><strong>Akemi Nitahara, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Arquivo Nacional disponibilizou nesta quinta-feira (9) para consulta documentos que provam que o governo dos Estados Unidos sabiam de torturas e desaparecimentos de presos pol\u00edticos no Brasil. 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