{"id":5722,"date":"2014-03-31T21:40:20","date_gmt":"2014-04-01T00:40:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=5722"},"modified":"2014-03-31T21:40:20","modified_gmt":"2014-04-01T00:40:20","slug":"moradores-da-mare-continuam-arredios-e-mantem-lei-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/moradores-da-mare-continuam-arredios-e-mantem-lei-do-silencio\/","title":{"rendered":"Moradores da Mar\u00e9 continuam arredios e mant\u00eam lei do sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p>A forte presen\u00e7a de policiais militares ainda n\u00e3o conseguiu vencer um inimigo invis\u00edvel e muito presente no Complexo da Mar\u00e9: a lei do sil\u00eancio. Um dia depois da ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio de 15 favelas, nas quais moram em torno de 120 mil pessoas, os moradores continuam receosos de falar com estranhos, principalmente se forem da imprensa, e preferem n\u00e3o se identificar.<\/p>\n<p>O comportamento \u00e9 compreens\u00edvel em uma comunidade que aprendeu a viver sob o poder do tr\u00e1fico de drogas, que costuma punir com rigor &#8211; inclusive com a morte &#8211; quem \u00e9 acusado de passar informa\u00e7\u00f5es aos classificados como inimigos.<\/p>\n<p>Na Vila do Pinheiro, uma das comunidades da Mar\u00e9, na qual o Batalh\u00e3o de Choque montou sua base operacional, as pessoas passavam apressadas e evitavam falar com os jornalistas na tarde de hoje (31). Quem aceitava conversar, mudava logo de assunto, se a pergunta fosse sobre a opera\u00e7\u00e3o policial que desalojou os traficantes.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei n\u00e3o, eu moro l\u00e1 para baixo, n\u00e3o moro aqui dentro. Eu n\u00e3o sei nem explicar direito\u201d, disse uma senhora de 67 anos, que trazia os netos da escola, quando perguntada sobre a opera\u00e7\u00e3o policial. Moradora antiga da Mar\u00e9, ela contou que tem 34 netos e seis bisnetos.<\/p>\n<p>Um outro morador contou que tinha uma banca de frutas pr\u00f3ximo da favela, mas que hoje j\u00e1 est\u00e1 aposentado. Segundo ele, o largo onde atualmente est\u00e1 montada a base do Batalh\u00e3o de Choque era cheio de traficantes, que vendiam as drogas livremente, no local. Mas basta fazer men\u00e7\u00e3o de tentar ligar o gravador, que o aposentado se despede e sai rapidamente.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio p\u00fablico municipal, que mora h\u00e1 30 anos na Mar\u00e9, tentava desentupir a canaliza\u00e7\u00e3o de esgotos que passa em baixo da rua onde mora, completamente alagada. \u201cPara ficar bom, tem que abrir a rua toda, vir com m\u00e1quinas da prefeitura. Est\u00e1 tudo entupido\u201d, disse ele. Perguntado se as coisas iriam melhorar com a pacifica\u00e7\u00e3o, ele falou: \u201cNo tempo que eu vim para c\u00e1, n\u00e3o tinha nada disso. N\u00e3o tinha esse neg\u00f3cio de guerra. Mas vamos aguardar. A gente n\u00e3o pode falar nada&#8221;.<\/p>\n<p>Mas, se os adultos t\u00eam receio de falar abertamente com os jornalistas, o mesmo n\u00e3o acontece com as crian\u00e7as. Elas rodeiam os profissionais de imprensa, se interessam pelos equipamentos fotogr\u00e1ficos e posam para fotos. Da mesma forma, conversam sem medo com os policiais militares. \u201cElas nos perguntam se n\u00f3s somos amigos\u201d, disse um PM, que guarnecia uma das entradas da Vila do Jo\u00e3o, onde eram revistados carros e motos, em busca de armas e drogas.<\/p>\n<p>Junto \u00e0 base do Batalh\u00e3o de Choque, um grupo de crian\u00e7as, com idades entre 7 e 12 anos, ficava espiando o movimento dos policiais atrav\u00e9s da grade. Uma delas perguntou: \u201c\u00d4 tio, eles v\u00e3o nos dar ovos de p\u00e1scoa tamb\u00e9m? Pois os outros [traficantes] davam. Tinha at\u00e9 ovo com brinquedo dentro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forte presen\u00e7a de policiais militares ainda n\u00e3o conseguiu vencer um inimigo invis\u00edvel e muito presente no Complexo da Mar\u00e9: a lei do sil\u00eancio. 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