{"id":58084,"date":"2015-07-18T09:04:34","date_gmt":"2015-07-18T12:04:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=58084"},"modified":"2016-07-30T16:53:53","modified_gmt":"2016-07-30T19:53:53","slug":"filho-avancado-do-telescopio-hubble-vai-buscar-ets-a-partir-de-2030","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/filho-avancado-do-telescopio-hubble-vai-buscar-ets-a-partir-de-2030\/","title":{"rendered":"Filho avan\u00e7ado do telesc\u00f3pio Hubble vai buscar ET&#8217;s a partir de 2030"},"content":{"rendered":"<p>A organiza\u00e7\u00e3o de astr\u00f4nomos das universidades americanas convocou os colegas a se unirem para que a Nasa comece a planejar o lan\u00e7amento de uma vers\u00e3o gigante do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble nos anos 2030 com o objetivo de buscar vida extraterrestre.<\/p>\n<p>Esse Telesc\u00f3pio Espacial de Alta Defini\u00e7\u00e3o seria cinco vezes maior e 100 vezes mais sens\u00edvel que o Hubble, com um espelho de 12 metros de di\u00e2metro, sendo capaz de orbitar o sol a 1,6 milh\u00e3o de quil\u00f4metros da Terra.<\/p>\n<p>Segundo os astr\u00f4nomos, esse telesc\u00f3pio seria grande o bastante para encontrar e estudar as dezenas de planetas similares \u00e0 Terra em nossa vizinhan\u00e7a. Ele seria capaz de identificar objetos de apenas 300 anos-luz de di\u00e2metro \u2013 ou seja, o n\u00facleo de uma pequena gal\u00e1xia ou as nuvens de g\u00e1s que est\u00e3o se convertendo em estrelas e planetas \u2013 em qualquer parte do universo observ\u00e1vel.<\/p>\n<blockquote><p>Os argumentos em favor do telesc\u00f3pio s\u00e3o apresentados em um relat\u00f3rio sobre o futuro da astronomia intitulado &#8220;From Cosmic Birth to Living Earths&#8221; (Do nascimento c\u00f3smico a Terras habit\u00e1veis, em tradu\u00e7\u00e3o literal), que foi encomendado pela Associa\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria da Pesquisa Astron\u00f4mica (ou Aura, na sigla em ingl\u00eas), respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o do Hubble e de muitos outros observat\u00f3rios da Nasa e da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancias. Ele foi escrito por um comit\u00ea liderado por Sara Seager, do MIT, e por Julianne Dalcanton, da Universidade de Washington.<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Esperamos descobrir se estamos ou n\u00e3o sozinhos no universo&#8221;, afirmou Matt Mountain, presidente da Aura e antigo diretor do Hubble, em uma confer\u00eancia de imprensa realizada no Museu Americano de Hist\u00f3ria Natural.<\/p>\n<p>Mountain afirmou que s\u00f3 existe uma chance de dar um passo adiante e entender como o universo e nosso planeta foram formados, al\u00e9m de determinar se existe vida extraterrestre e &#8220;podemos ser a gera\u00e7\u00e3o que fez isso&#8221;.<\/p>\n<p>Ao publicar o relat\u00f3rio, o grupo Aura d\u00e1 in\u00edcio a um processo longo, elaborado e extremamente pol\u00edtico por meio do qual grandes projetos cient\u00edficos s\u00e3o escolhidos e financiados. A cada 10 anos, um comit\u00ea da Academia Nacional de Ci\u00eancias entrevista a comunidade astron\u00f4mica e produz uma lista de desejos para a pr\u00f3xima d\u00e9cada. Essa pesquisa, que voltar\u00e1 a acontecer em 2020, serve como base para o congresso e para a Nasa.<\/p>\n<p>A Aura j\u00e1 fez isso antes. Em 1995, a organiza\u00e7\u00e3o publicou um relat\u00f3rio escrito sob a lideran\u00e7a de Alan Dressler dos Observat\u00f3rios Carnegie em que pedia por um telesc\u00f3pio espacial que sucedesse o Hubble. Esse veio a ser o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, projetado para observar as primeiras estrelas e gal\u00e1xias do universo e que deve ser lan\u00e7ado em 2018, 23 anos mais tarde. &#8220;Nos dias de hoje, s\u00f3 cientistas espaciais conseguem ser t\u00e3o pacientes&#8221;, afirmou Mountain.<\/p>\n<p>Entretanto, o custo do telesc\u00f3pio Webb pulou do or\u00e7amento calculado em 1,6 bilh\u00e3o de d\u00f3lares em 1996 para quase 9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, causando um dano gigantesco no restante do or\u00e7amento da Nasa. Para que isso n\u00e3o volte a acontecer, os astr\u00f4nomos da Aura afirmaram que a Nasa deve come\u00e7ar a investir agora nas tecnologias fundamentais para que os telesc\u00f3pios do futuro funcionem.<\/p>\n<p>Portanto, o telesc\u00f3pio de alta defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3ximo item na lista da Nasa, nem est\u00e1 no segundo lugar. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do Webb, o pr\u00f3ximo projeto se chama WFIRST-AFTA (o nome \u00e9 p\u00e9ssimo), criado para investigar a energia escura, a subst\u00e2ncia misteriosa que acelera a expans\u00e3o do cosmos. Essa miss\u00e3o foi a prioridade n\u00famero um durante a pesquisa de 2010 e pode ser lan\u00e7ada em 2024, se tudo caminhar conforme o planejado.<\/p>\n<p>O Telesc\u00f3pio Espacial de Alta Defini\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00faltima parada de uma lista empolgante de pesquisa exoplanet\u00e1ria. Gra\u00e7as \u00e0 espa\u00e7onave Kepler, os astr\u00f4nomos acreditam que por volta de 10 por cento das estrelas de nossa gal\u00e1xia tenham planetas do tamanho da Terra na dist\u00e2ncia ideal para que a \u00e1gua seja l\u00edquida e a vida possa se desenvolver na superf\u00edcie do planeta. Mas os planetas que a Kepler descobriu s\u00e3o muito distantes \u2013 centenas de anos-luz \u2013 para serem estudados corretamente.<\/p>\n<blockquote><p>J\u00e1 existe um foguete, o Delta IV Heavy, capaz de lan\u00e7ar esse telesc\u00f3pio, e o Sistema de Lan\u00e7amento Espacial que a Nasa est\u00e1 desenvolvendo para enviar astronautas ao espa\u00e7o profundo seria ainda melhor. Se fosse colocado dentro de um foguete, o telesc\u00f3pio teria de se abrir no espa\u00e7o como uma borboleta, uma t\u00e9cnica que a Nasa espera aperfei\u00e7oar com o Webb.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, mesmo a 1,6 milh\u00e3o de quil\u00f4metros da Terra, o telesc\u00f3pio poderia ser reparado por rob\u00f4s ou mesmo astronautas. &#8220;Seria loucura n\u00e3o fazer isso&#8221;, afirmou Neil deGrasse Tyson, diretor do Planet\u00e1rio Hayden, que moderou a discuss\u00e3o sobre o relat\u00f3rio no Museu de Hist\u00f3ria Natural. Ele destacou que 1,6 milh\u00e3o de quil\u00f4metros seria a maior dist\u00e2ncia j\u00e1 percorrida por um ser humano fora do planeta, estra\u00e7alhando o recorde estabelecido pelos astronautas da Apollo 13, que deram a volta em torno da lua e estiveram a 400.000 quil\u00f4metros da Terra em 1970.<\/p>\n<p>No fundo da sala estava Michael Massimino, ex-astronauta que reparou o telesc\u00f3pio Hubble duas vezes em \u00f3rbita e agora \u00e9 professor da Universidade de Columbia e assessor no Intrepid Sea, Air &amp; Space Museum. Ele afirmou que ficaria feliz em se candidatar para o servi\u00e7o. Quando eu o questionei ao fim da reuni\u00e3o, ele concordou que at\u00e9 2030 os seres humanos infelizmente ainda n\u00e3o ter\u00e3o batido esse recorde.<\/p>\n<p>O maior desafio t\u00e9cnico no momento \u00e9 se livrar do brilho das estrelas para encontrar os planetas em sua \u00f3rbita. O sol, por exemplo, \u00e9 10 bilh\u00f5es de vezes mais brilhante que a Terra. O telesc\u00f3pio espacial do futuro teria de ser equipado com um coron\u00f3grafo interno, um disco capaz de bloquear a luz da estrela central, tornando os planetas mais vis\u00edveis, e possivelmente at\u00e9 mesmo a sombra brilhante de uma estrela que flutuaria quil\u00f4metros \u00e0 frente tamb\u00e9m atrapalhando as imagens. Investir nessa tecnologia de supress\u00e3o de luz poderia evitar os gastos excessivos que quase levaram ao cancelamento do telesc\u00f3pio Webb h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>Sem os projetos detalhados a partir dos quais uma estimativa poderia ser feita com precis\u00e3o, Mountain e seus colegas afirmam apenas que esse seria uma das &#8220;miss\u00f5es propaganda&#8221; da Nasa, como o Hubble. Isso representa um gasto projetado em 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o mesmo do Grande Colisor de H\u00e1drons do CERN, onde o b\u00f3son de Higgs foi descoberto h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Eu acostumava achar que 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares era muito dinheiro antes do pacote de ajuda financeira que salvou os bancos em 2008 com uma inje\u00e7\u00e3o de 700 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 e aparentemente trouxe os sorrisos de volta a Wall Street. Comparado com isso, o or\u00e7amento das ci\u00eancias \u00e9 dinheiro de pinga em um lugar como o Goldman Sachs. Mas se voc\u00ea n\u00e3o acha que isso \u00e9 uma pechincha, voc\u00ea nem precisa pensar muito. Empresas como o Google e a Apple se basearam em investimentos modestos nas ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o feitos nos anos 1960 e os transformaram em uma atividade econ\u00f4mica de trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Nem mesmo Arthur C. Clarke, o grande autor e profeta da era espacial, imaginou que isso aconteceria.<\/p>\n<blockquote><p>Isso quer dizer que todo esse dinheiro da Nasa \u2013 seja ele investido em sondas espaciais ou viagens para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial \u2013 \u00e9 gasto na Terra, em coisas que costumamos querer cada vez mais: alta tecnologia, educa\u00e7\u00e3o, m\u00e3o de obra mais especializada, empregos, orgulho na inova\u00e7\u00e3o norte-americana e humana em geral, sem falar em uma consci\u00eancia c\u00f3smica mais apurada e uma dose de perspectiva em rela\u00e7\u00e3o a nossa situa\u00e7\u00e3o entre as estrelas do universo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo que nunca encontremos um micr\u00f3bio sequer em qualquer outro lugar, o dinheiro gasto na busca pela vida vai melhorar a situa\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 preso aqui na Terra.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer tipo de ganho com atrasos. Conforme afirmou Seager, do MIT, todo mundo vai continuar querendo saber se estamos sozinhos. &#8220;E obter a resposta sempre vai ter um custo&#8221;.<\/p>\n<p>Ao conversar com os jovens da plateia, Tyson afirmou: &#8220;Se voc\u00ea tem 12 anos agora, voc\u00ea ter\u00e1 nossa idade quando isso acontecer e vai ser o respons\u00e1vel por carregar essa chama&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A organiza\u00e7\u00e3o de astr\u00f4nomos das universidades americanas convocou os colegas a se unirem para que a Nasa comece a planejar o lan\u00e7amento de uma vers\u00e3o gigante do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble nos anos 2030 com o objetivo de buscar vida extraterrestre. 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