{"id":58288,"date":"2015-07-20T09:22:50","date_gmt":"2015-07-20T12:22:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=58288"},"modified":"2015-07-20T09:22:50","modified_gmt":"2015-07-20T12:22:50","slug":"redes-sociais-sao-megafone-para-desabafar-e-massagear-o-ego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/redes-sociais-sao-megafone-para-desabafar-e-massagear-o-ego\/","title":{"rendered":"Redes sociais s\u00e3o megafone para desabafar e massagear o ego"},"content":{"rendered":"<p>Inerente ao ser humano, o ato de reclamar encontrou no imediatismo e na simplicidade das redes sociais um novo lar, que oferece ao internauta um &#8220;megafone&#8221; para desabafar e refor\u00e7ar seu ego.<\/p>\n<p>As redes sociais, especialmente o Twitter, se tornaram um canal de insatisfa\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es. Mas, ser\u00e1 que reclamamos mais do que antes com as redes sociais? A frieza do meio estimula o protesto e a cr\u00edtica? Por que o ser humano usa a internet como um microfone inclusive para propagar mensagens destrutivas?<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Efe conversou com o fil\u00f3sofo Jes\u00fas Moster\u00edn, com os psic\u00f3logos Javier Jim\u00e9nez e Fabrizio Ferri, e com o Twitter para tentar compreender o fen\u00f4meno das reclama\u00e7\u00f5es nas redes sociais.<\/p>\n<p>Moster\u00edn destacou que &#8220;vivemos tempos de muita democracia e pouca tecnocracia&#8221;, que nas redes sociais qualquer cidad\u00e3o pode se expressar em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com o maior analista em um assunto.<\/p>\n<p>De acordo com o fil\u00f3sofo, reclamar nas redes sociais &#8220;n\u00e3o serve para conhecer a realidade, mas para se expressar, para tirar o que temos dentro n\u00f3s e sentir que n\u00e3o somos coibidos&#8221;.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Javier Jim\u00e9nez, especialista em medi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que trabalhou para a universidade de Cambridge, explica que a principal fun\u00e7\u00e3o dessa reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 o reconhecimento social e um pedido de apoio.<\/p>\n<p>&#8220;A queixa, vista como manifesta\u00e7\u00e3o da insatisfa\u00e7\u00e3o, sempre existiu. Mas o que h\u00e1 agora \u00e9 uma barreira muito mais baixa para que essa reclama\u00e7\u00e3o chegue aos demais. A tecnologia facilita muito&#8221;, segundo o psic\u00f3logo Fabrizio Ferri, especialista em novas tecnologias.<\/p>\n<p>Segundo Ferri, as redes sociais podem ser comparadas, em parte, com uma m\u00e1quina ca\u00e7a-n\u00edqueis, pois pode &#8220;significar uma grande recompensa para uma conduta que custou muito pouco, ent\u00e3o se torna algo quase viciante. Aten\u00e7\u00e3o recebida, e \u00e0s vezes inesperada, muitas vezes recompensa o pequeno esfor\u00e7o feito&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>Muitas vezes, a cr\u00edtica f\u00e1cil, a desqualifica\u00e7\u00e3o e a reclama\u00e7\u00e3o s\u00e3o movidas pelo que Moster\u00edn denomina de &#8220;um concurso de popularidade&#8221;. &#8220;H\u00e1 pessoas que, quando chegam a um determinado n\u00famero de seguidores, sentem seu ego alimentado e se sentem aptos para fazer uma queixa, inclusive agressiva, sem reparos&#8221;, relatou Ferri.<\/p><\/blockquote>\n<p>Moster\u00edn concorda com Ferri ao dizer que o ser humano sempre gostou de se queixar, mas antes fazia em &#8220;voz baixa&#8221; para evitar que &#8220;cortassem sua cabe\u00e7a&#8221;. &#8220;A primeira coisa que as crian\u00e7as pequenas fazem, antes de serem influenciadas pela cultura em que vivem, \u00e9 se queixar. N\u00e3o acho que as pessoas reclamem mais agora, no sentido de terem mais motivos de queixa, mas agora \u00e9 mais f\u00e1cil de serem vistas e ouvidas&#8221;, analisou.<\/p>\n<p>Os especialistas ressaltaram que as redes sociais e outras ferramentas, como o &#8220;e-mail&#8221;, s\u00e3o frias. Segundo eles, \u00e9 dif\u00edcil sentir empatia em rela\u00e7\u00e3o a textos e imagens. A falta de contexto, para Ferri, dificulta a empatia e faz com que a comunica\u00e7\u00e3o seja muito mais agressiva e ofensiva. &#8220;Temos a tend\u00eancia de acreditar que as pessoas s\u00e3o melhores do que s\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p>O Facebook \u00e9 a rede social com mais usu\u00e1rios do mundo, mas \u00e9 mais comum recorrer ao Twitter para reclamar. Para Jim\u00e9nez, isso ocorre porque as mensagens no Twitter s\u00e3o acess\u00edveis para qualquer um, enquanto no Facebook os usu\u00e1rios costumam ter contas privadas.<\/p>\n<p>Ferri enfatizou como qualidades do Twitter o imediatismo, a concis\u00e3o (as mensagens se limitam a 140 caracteres) e a simplicidade de uso. Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel controlar nem ocultar os tweets.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea observa um pensamento no Twitter, este passa a fazer parte de um fluxo de pensamento \u00fanico sobre esse tema, que qualquer um pode acessar&#8221;, disse. Fontes do Twitter afirmaram que, &#8220;em geral&#8221;, a experi\u00eancia na rede \u00e9 &#8220;am\u00e1vel&#8221;. Nos \u00faltimos meses, a empresa implementou diversos mecanismos para dissuadir e denunciar comportamentos agressivos na rede social.<\/p>\n<blockquote><p>Em tom de cr\u00edtica, Moster\u00edn comentou que, apesar das reclama\u00e7\u00f5es, n\u00e3o acredita que as redes sociais sirvam para resolver a maioria dos problemas manifestados. &#8220;Se me perguntarem que contribui\u00e7\u00e3o Twitter e Facebook d\u00e3o ao conhecimento humano ou \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos problemas do mundo atual, acho que a contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 quase nula&#8221;, declarou.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inerente ao ser humano, o ato de reclamar encontrou no imediatismo e na simplicidade das redes sociais um novo lar, que oferece ao internauta um &#8220;megafone&#8221; para desabafar e refor\u00e7ar seu ego. As redes sociais, especialmente o Twitter, se tornaram um canal de insatisfa\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es. 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