{"id":58560,"date":"2015-07-22T10:03:34","date_gmt":"2015-07-22T13:03:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=58560"},"modified":"2015-07-22T12:40:28","modified_gmt":"2015-07-22T15:40:28","slug":"washington-quito-e-bogota-vao-cortar-tentaculos-da-odebrecht","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/washington-quito-e-bogota-vao-cortar-tentaculos-da-odebrecht\/","title":{"rendered":"Washington, Quito e Bogot\u00e1 v\u00e3o cortar os tent\u00e1culos da Odebrecht"},"content":{"rendered":"<p>A Odebrecht, investigada por corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, est\u00e1 no olho do furac\u00e3o tamb\u00e9m no exterior. \u00c9 o que afirma reportagens do jornal O Estado de S.Paulo, nesta quarta-feira, 22. As investiga\u00e7\u00f5es indicam que a construtora foi favorecida em alguns pa\u00edses nos mandatos de Lula.<\/p>\n<p>Telegramas confidenciais do Departamento de Estado americano revelados pelo grupo WikiLeaks relatam a\u00e7\u00f5es da empresa brasileira e suas rela\u00e7\u00f5es com governantes estrangeiros. Lula \u00e9 citado em iniciativas para defender os interesses da Odebrecht no exterior.<\/p>\n<p>Em 21 de outubro de 2008, diz o Estad\u00e3o, a embaixada americana em Quito descreve a press\u00e3o imposta sobre as empresas brasileiras pelo presidente daquele pa\u00eds, Rafael Correa. O governo equatoriano amea\u00e7ava expulsar Odebrecht e Petrobras, alegando descumprimento de contratos.<\/p>\n<blockquote><p>A embaixada, por\u00e9m, alerta ao Departamento de Estado dos EUA que o motivo da press\u00e3o seria outro: corrup\u00e7\u00e3o.\u00a0&#8220;Alfredo Vera, chefe da Secretaria Anticorrup\u00e7\u00e3o do Equador, levantou quest\u00f5es sobre os pre\u00e7os e financiamento dos contratos da Odebrecht&#8221;, indicou o telegrama.<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Apesar de n\u00e3o termos informa\u00e7\u00f5es de bastidores no projeto San Francisco (usina), o posto ouviu alega\u00e7\u00f5es com credibilidade de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo o projeto de irriga\u00e7\u00e3o da Odebrecht em Manabi de um ex-ministro de Finan\u00e7as que se recusou a assinar os documentos do projeto diante de suas preocupa\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmaram os EUA.<\/p>\n<p>Outro alerta se referia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do empr\u00e9stimo do BNDES ao mesmo projeto.\u00a0&#8220;O posto tamb\u00e9m ouviu preocupa\u00e7\u00f5es de um funcion\u00e1rio do Banco Central sobre termos desfavor\u00e1veis nos empr\u00e9stimos do BNDES que apoiariam o projeto de irriga\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o telegrama.<\/p>\n<p>Segundo os EUA, ambos os problemas teriam ocorrido em 2006, no \u00faltimo ano do governo de Alfredo Pal\u00e1cio. &#8220;Apesar de n\u00e3o termos a hist\u00f3ria completa da ira de Correa contra a Odebrecht, suspeitamos que a corrup\u00e7\u00e3o e a pobre constru\u00e7\u00e3o da empresa amplamente devem explicar suas a\u00e7\u00f5es (em rela\u00e7\u00e3o a Correa)&#8221;, indicou a diplomacia.<\/p>\n<blockquote><p>Enquanto o governo colombiano amea\u00e7a impedir a Odebrecht de firmar contratos com o pa\u00eds caso seus dirigentes sejam condenados na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, o governo do Equador anunciou que as obras executadas pela empreiteira brasileira em seu territ\u00f3rio, como hidrel\u00e9trica e projetos de refinaria, v\u00e3o passar por auditoria para apurar irregularidades. No Peru, promotores planejam visitar o Brasil para verificar evid\u00eancias de pagamento de propina em projeto de uma rodovia transcontinental.<\/p><\/blockquote>\n<p>O vice-presidente da Col\u00f4mbia, Germ\u00e1n Vargas Lleras, declarou em junho que a Odebrecht poderia ser impedida de participar de editais p\u00fablicos por um per\u00edodo de 20 anos se ficar provado que a empresa praticou atos il\u00edcitos em contratos com a Petrobras.<\/p>\n<p>O\u00a0controlador-geral do Equador, Carlos P\u00f3lit, afirmou que far\u00e1 ainda uma investiga\u00e7\u00e3o dos cerca de 40 funcion\u00e1rios equatorianos respons\u00e1veis pelos contratos p\u00fablicos com a Odebrecht.<\/p>\n<p>A empresa declarou que a Col\u00f4mbia e o Equador conduzem &#8220;auditorias de rotina&#8221; dos contratos e que n\u00e3o h\u00e1 investiga\u00e7\u00e3o formal nos dois pa\u00edses. J\u00e1 a Advocacia-Geral do Panam\u00e1 informou que, &#8220;at\u00e9 o momento&#8221;, n\u00e3o investiga os neg\u00f3cios do pa\u00eds com a empreiteira, mas que j\u00e1 recebeu pedido de colabora\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Brasil.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a empreiteira Odebrecht e o governo da Venezuela tamb\u00e9m foi alvo de um exame por parte da diplomacia norte-americana.<\/p>\n<p>Um telegrama enviado pela embaixada dos EUA em Caracas para o Departamento de Estado em 7 de dezembro de 2006 fala sobre como o apoio de Lula \u00e0 campanha para a reelei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez &#8220;poderia parecer um passo diplom\u00e1tico errado, mas realmente foi simplesmente um bom neg\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>O apoio de Lula ocorreu durante a inaugura\u00e7\u00e3o da segunda ponte sobre o rio Orinoco, ligando os dois pa\u00edses naquele ano. Mas estaria ligado a licita\u00e7\u00f5es vencidas pela empresa brasileira. &#8220;A ponte foi constru\u00edda pela empresa de constru\u00e7\u00e3o brasileira Odebrecht e financiada pelo banco de desenvolvimento do Brasil, BNDES&#8221;, diz o telegrama. &#8220;Supostamente, ela custou \u00e0 Venezuela entre US$ 1,1 bilh\u00e3o e US$ 1,2 bilh\u00e3o (supostamente 40% acima do or\u00e7amento) e planos j\u00e1 existem para uma ponte n\u00famero 3&#8221;, indicou.<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Apesar de a Odebrecht ter tamb\u00e9m &#8216;vencido&#8217; o contrato para a 3\u00aa ponte, pelo que sabemos n\u00e3o houve um processo de licita\u00e7\u00e3o&#8221;, indicam os americanos. No mesmo e-mail, a diplomacia dos EUA aponta como a Odebrecht tamb\u00e9m \u00e9 a principal empresa nas obras das linhas 3 e 4 do metr\u00f4 de Caracas.<\/p>\n<p>Em 13 de novembro de 2007, outro telegrama voltava a falar das rela\u00e7\u00f5es entre a Odebrecht e a diplomacia venezuelana. Desta vez, o alerta havia partido do ent\u00e3o senador Her\u00e1clito Fortes, ex-DEM e atualmente deputado pelo PSB do Piau\u00ed. No dia 5 de novembro, ele telefonou para o embaixador americano em Bras\u00edlia, Clifford Sobel, para pedir para ter uma conversa &#8220;ao vivo&#8221; com o diplomata. &#8220;Ele pediu um encontro urgente para levantar um assunto que ele n\u00e3o poderia falar pelo telefone&#8221;, explicou o telegrama.<\/p>\n<blockquote><p>O assunto era a rela\u00e7\u00e3o entre Venezuela, Ir\u00e3, R\u00fassia e o governo brasileiro. Fortes explicaria no encontro com o embaixador que &#8220;a diplomacia oficial venezuelana \u00e9 cada vez mais comercial, com enormes contratos para empresas como a gigante brasileira Odebrecht, que ent\u00e3o faria lobby pela Venezuela&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Odebrecht, investigada por corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, est\u00e1 no olho do furac\u00e3o tamb\u00e9m no exterior. \u00c9 o que afirma reportagens do jornal O Estado de S.Paulo, nesta quarta-feira, 22. As investiga\u00e7\u00f5es indicam que a construtora foi favorecida em alguns pa\u00edses nos mandatos de Lula. 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