{"id":60917,"date":"2015-08-09T21:50:29","date_gmt":"2015-08-10T00:50:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=60917"},"modified":"2016-07-30T16:53:13","modified_gmt":"2016-07-30T19:53:13","slug":"lixo-espacial-cresce-e-vira-problema-para-quem-esta-no-ceu-e-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lixo-espacial-cresce-e-vira-problema-para-quem-esta-no-ceu-e-na-terra\/","title":{"rendered":"Lixo espacial cresce e vira problema para quem est\u00e1 no C\u00e9u e na Terra"},"content":{"rendered":"<p>Em 2014, a ISS (Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional) teve de mudar de lugar tr\u00eas vezes para escapar de peda\u00e7os letais de detritos espaciais, que tamb\u00e9m amea\u00e7am sat\u00e9lites cruciais &#8211;e caros&#8211; atualmente em \u00f3rbita.\u00a0Mas, qual \u00e9 o real tamanho do problema do lixo espacial, e o que podemos fazer a respeito?<\/p>\n<p>Quarente e cinco anos atr\u00e1s, Ernst Stuhlinger, ent\u00e3o membro da diretoria de ci\u00eancia no Centro de Voo Espacial Marshall, da Nasa (ag\u00eancia espacial americana), foi questionado por Mary Jucunda, uma freira baseada na Z\u00e2mbia, sobre por que gastar bilh\u00f5es de d\u00f3lares em voos espaciais enquanto muitas crian\u00e7as passam fome na Terra.<\/p>\n<p>A resposta de Stuhlinger \u00e9, ainda hoje, uma poderosa justificativa para os custos associados \u00e0s pesquisas espaciais.\u00a0&#8220;Certamente n\u00e3o \u00e9 por acaso que come\u00e7amos a ver enormes tarefas esperando por n\u00f3s em uma \u00e9poca na qual a jovem era espacial nos forneceu o primeiro bom olhar sobre nosso pr\u00f3prio planeta&#8221;, afirmou.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Felizmente a era especial n\u00e3o s\u00f3 mostra um espelho com o qual podemos ver n\u00f3s mesmos, mas fornece tamb\u00e9m as tecnologias, o desafio, a motiva\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo o otimismo para assumir essas tarefas com confian\u00e7a.&#8221;\u00a0Desde ent\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o da infraestrutura espacial vem colaborando para combater problemas globais de sa\u00fade, fome, pobreza, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a el\u00e9trica, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a reduzir riscos de desastres.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a humanidade est\u00e1 usando o &#8220;espelho&#8221; de Stuhlinger para enfrentar muitos dos seus principais desafios.\u00a0Infelizmente, o ambiente espacial tamb\u00e9m tem sido afetado pelos efeitos de uma depend\u00eancia cada vez maior de sat\u00e9lites e da antiga cren\u00e7a de que &#8220;o espa\u00e7o \u00e9 grande&#8221;.<\/p>\n<p>Os mais de 5.000 lan\u00e7amentos desde o in\u00edcio da era espacial, cada um deles levando sat\u00e9lites para observa\u00e7\u00e3o do planeta ou comunica\u00e7\u00f5es, por exemplo, fizeram a \u00f3rbita terrestre se tornar cada vez mais congestionada e disputada.<\/p>\n<p>Neste momento, a Rede de Vigil\u00e2ncia Espacial dos EUA est\u00e1 mapeando dezenas de milhares de objetos maiores que uma bola de t\u00eanis orbitando sobre n\u00f3s. A suspeita \u00e9 de que existam 100 milh\u00f5es de detritos com tamanho superior a um mil\u00edmetro.<\/p>\n<p>Como orbitam muito r\u00e1pido (27 mil mph), cada um desses objetos tem potencial para danificar ou destruir os sat\u00e9lites dos quais tanto dependemos.<\/p>\n<p>Provavelmente, os sintomas mais vis\u00edveis do problema do lixo espacial s\u00e3o as regulares manobras realizadas pela Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional para evitar colis\u00f5es e o alarmante aumento no n\u00famero de vezes em que seus ocupantes precisam buscar prote\u00e7\u00e3o porque um detrito foi detectado tarde demais para escapar dele.<\/p>\n<p>Os sistemas da ISS respons\u00e1veis por recursos vitais aos astronautas s\u00e3o tamb\u00e9m sua principal vulnerabilidade em caso de impacto com o lixo espacial &#8211;um m\u00f3dulo pressurizado em um v\u00e1cuo pode se comportar como um bal\u00e3o se furado.<\/p>\n<blockquote><p>A recente &#8220;conjun\u00e7\u00e3o vermelha&#8221; (quando um detrito chega t\u00e3o perto que passa a ser uma amea\u00e7a para a esta\u00e7\u00e3o espacial) envolvendo um fragmento de um sat\u00e9lite russo, em 17 de julho, foi outra demonstra\u00e7\u00e3o do aumento dos riscos causados pelo lixo espacial.\u00a0Gra\u00e7as ao filme Gravidade, que rendeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar de Melhor Atriz a Sandra Bullock, podemos agora imaginar a apreens\u00e3o que deve ser sentida pelos astronautas a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional quando recebem um alerta de &#8220;conjun\u00e7\u00e3o vermelha&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar dessas ocorr\u00eancias, a esta\u00e7\u00e3o orbita hoje em uma altitude na qual o n\u00famero de detritos \u00e9 relativamente pequeno.\u00a0Em altitudes maiores, a quantidade de lixo espacial cresce substancialmente, embora apenas naves rob\u00f3ticas estejam expostas por l\u00e1. Est\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, alguns dos sat\u00e9lites mais importantes para entender nosso planeta.<\/p>\n<p>Por causa desse congestionamento, cresce a possibilidade de o lixo espacial se tornar autossustent\u00e1vel. Isso porque mais detritos podem ser criados por colis\u00f5es do que removidos pela queda natural, ou seja, ao serem arrastados pela atmosfera.<\/p>\n<p>J\u00e1 tivemos experi\u00eancias assim: em fevereiro de 2009, dois sat\u00e9lites relativamente pequenos colidiram sobre a Sib\u00e9ria, criando cerca de 2.000 novos fragmentos que puderam ser rastreados. Muitos deles orbitam at\u00e9 hoje e regularmente passam perto de outros sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia de colis\u00f5es autossustent\u00e1veis \u00e9 algo que o filme Gravidade tamb\u00e9m mostrou. Apelidado de s\u00edndrome de Kessler em homenagem ao cientista Don Kessler, da Nasa, que identificou e descreveu o processo com Burton Cour-Palais em 1978, tal cen\u00e1rio \u00e9 uma verdadeira &#8211;embora \u00e0s vezes exagerada&#8211; possibilidade.<\/p>\n<p>O temor do crescimento incontrol\u00e1vel da quantidade de lixo espacial e a da perda de sat\u00e9lites-chave que permitem chamar a aten\u00e7\u00e3o para problemas da humanidade levaram cientistas a procurar maneiras de retirar esses detritos do espa\u00e7o. Se conseguirmos remover os mais problem\u00e1ticos, poderemos parar ou mesmo prevenir a s\u00edndrome de Kessler.<\/p>\n<blockquote><p>Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, j\u00e1 que requere novas tecnologias, potencialmente novas leis e &#8211;crucialmente&#8211; investimento financeiro. A Ag\u00eancia Espacial Europeia (Esa) est\u00e1 assumindo a lideran\u00e7a desse processo com uma miss\u00e3o chamada &#8220;e.Deorbit&#8221;, que tem o objetivo de tirar do espa\u00e7o um grande sat\u00e9lite europeu.\u00a0A miss\u00e3o \u00e9 ambiciosa: v\u00e1rias tecnologias t\u00eam sido desenvolvidas e avaliadas, incluindo uma solu\u00e7\u00e3o baseada em uma esp\u00e9cie de arp\u00e3o proposta por engenheiros brit\u00e2nicos da Airbus Defense and Space (divis\u00e3o respons\u00e1vel por produtos destinados a servi\u00e7os de defesa e aeroespaciais).<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e9 algo sem riscos, mas um resultado bem-sucedido vai certamente mostrar ao mundo que h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o problema do lixo espacial, mesmo que as quest\u00f5es pol\u00edticas, legais e financeiras ainda n\u00e3o tenham sido resolvidas.\u00a0A miss\u00e3o e.Deorbit enfrentar\u00e1 obst\u00e1culos-chave em 2016: a revis\u00e3o dos sistemas necess\u00e1rios e o encontro do Conselho Ministerial da Esa, onde a aprova\u00e7\u00e3o (e o financiamento) para prosseguir com a miss\u00e3o ser\u00e1 debatido.<\/p>\n<p>No contexto do avan\u00e7o do problema dos detritos est\u00e1 uma esp\u00e9cie de renova\u00e7\u00e3o. O que era um dom\u00ednio principalmente de governos e ag\u00eancias espaciais, com seus grandes e multibilion\u00e1rios sat\u00e9lites, agora come\u00e7a a ser alvo de uma ind\u00fastria emergente que est\u00e1 revolucionando o uso do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Companhias pequenas e startups, em particular, est\u00e3o mostrando que poucos recursos n\u00e3o necessariamente significam pequenas ambi\u00e7\u00f5es. Um exemplo \u00e9 Planet Labs, de San Francisco, nos EUA, que est\u00e1 usando &#8220;cubesats&#8221; &#8211;acr\u00f4nimo que junta as palavras &#8220;cube&#8221; (cubo) e &#8220;satellite&#8221; (sat\u00e9lite)&#8211; para redefinir o mercado de imagens da Terra.<\/p>\n<p>Seus sat\u00e9lites Dove (pombo, em tradu\u00e7\u00e3o livre do ingl\u00eas) s\u00e3o menores que uma pasta de documentos e t\u00eam a capacidade de produzir imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o do planeta para m\u00faltiplos prop\u00f3sitos.\u00a0Com os planos de outras empresas, como SpaceX e OneWeb, de desenvolver uma grande constela\u00e7\u00e3o de pequenos sat\u00e9lites de baixo custo, h\u00e1 uma certa preocupa\u00e7\u00e3o entre as ag\u00eancias espaciais sobre as consequ\u00eancias a longo prazo da onipresente e r\u00e1pida comercializa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O receio maior est\u00e1, em particular, no abrupto crescimento do n\u00famero de sat\u00e9lites na \u00f3rbita a Terra, o que pode aumentar substancialmente a necessidade de manobras para evitar colis\u00f5es e acelerar o in\u00edcio da s\u00edndrome de Kessler.<\/p>\n<p>Em 2014, Brian Weeden, consultor t\u00e9cnico da Secure World Foundation, descreveu o lixo espacial como um &#8220;problema superperverso&#8221;.\u00a0Tais problemas, explicou, s\u00e3o particularmente desafiadores porque envolvem uma luta contra o tempo; n\u00e3o h\u00e1 uma autoridade central fornecendo orienta\u00e7\u00e3o ou suporte, aqueles que est\u00e3o tentando resolver a quest\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o sua causa e as buscas por solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o deixadas para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<blockquote><p>O primeiro e cr\u00edtico passo no combate a &#8220;problemas superperversos&#8221; \u00e9 expandir o grupo de pessoas que apoiam medidas de redu\u00e7\u00e3o do risco. De fato, h\u00e1 sinais encorajadores de que os novos e velhos atores espaciais entendem a necessidade de mitigar os impactos negativos de suas atividades orbitais e limitar as consequ\u00eancias para os outros usu\u00e1rios.<\/p><\/blockquote>\n<p>Muitas companhias, incluindo a Planet Labs e a OnWeb, t\u00eam afirmado publicamente seu compromisso em enfrentar o problema do lixo espacial. No entanto, muito trabalho ainda \u00e9 necess\u00e1rio para entender inteiramente a quest\u00e3o, desenvolver tecnologias (como o e.Deorbit), remover barreiras legais e pol\u00edticas e aumentar a consci\u00eancia. A s\u00edndrome de Kessler ainda \u00e9 uma amea\u00e7a presente.<\/p>\n<p>A era especial t\u00eam permitido solu\u00e7\u00f5es para alguns dos principais desafios da humanidade, como Ernst Stuhlinger descreveu em sua carta para a irm\u00e3 Mary Jucunda. Tamb\u00e9m tem segurado um espelho e nos mostrado que o desrespeito cont\u00ednuo com o ambiente espacial certamente ir\u00e1 afetar nossa habilidade em entregar essas solu\u00e7\u00f5es, com potenciais consequ\u00eancias para milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Hugh Lewis \u00e9 conferencista s\u00eanior em engenharia aeroespacial na Universidade de Southampton, na Inglaterra. \u00c9 tamb\u00e9m membro da delega\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Espacial do Reino Unido no Comit\u00ea Interag\u00eancia de Coordena\u00e7\u00e3o de Detritos Espaciais e integrante da delega\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica para o Comit\u00ea das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Uso Pac\u00edfico do Espa\u00e7o Sideral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2014, a ISS (Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional) teve de mudar de lugar tr\u00eas vezes para escapar de peda\u00e7os letais de detritos espaciais, que tamb\u00e9m amea\u00e7am sat\u00e9lites cruciais &#8211;e caros&#8211; atualmente em \u00f3rbita.\u00a0Mas, qual \u00e9 o real tamanho do problema do lixo espacial, e o que podemos fazer a respeito? Quarente e cinco anos atr\u00e1s, Ernst [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":60918,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-60917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":109733,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60917\/revisions\/109733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}