{"id":6130,"date":"2014-04-06T19:37:42","date_gmt":"2014-04-06T22:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=6130"},"modified":"2014-04-06T19:38:36","modified_gmt":"2014-04-06T22:38:36","slug":"vagao-feminino-no-metro-da-seguranca-mas-nao-resolve-o-machismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vagao-feminino-no-metro-da-seguranca-mas-nao-resolve-o-machismo\/","title":{"rendered":"Vag\u00e3o feminino d\u00e1 seguran\u00e7a, mas n\u00e3o resolve o machismo"},"content":{"rendered":"<p>\u201cUma vez, quando eu tinha uns 9 anos, peguei um \u00f4nibus lotado e percebi que um senhor estava esfregando as partes dele na minha perna. Eu tentei me afastar, mas ele ficava se esfregando. Quando desci, vi que minha perna estava molhada. S\u00f3 anos depois entendi o que era\u201d. O caso da servente An\u00e1lia Rodrigues, de 47 anos, mostra uma situa\u00e7\u00e3o que ainda \u00e9 realidade no transporte p\u00fablico brasileiro, mas que aos poucos est\u00e1 sendo combatida.<\/p>\n<p>No Distrito Federal, h\u00e1 nove meses as mulheres que pegam o metr\u00f4 contam com um vag\u00e3o exclusivo para elas e tamb\u00e9m para pessoas com defici\u00eancia. \u201c\u00c9 uma pol\u00edtica afirmativa importante, mas n\u00e3o \u00e9 o desej\u00e1vel. O correto \u00e9 a gente n\u00e3o ser importunada no metr\u00f4 e nem no \u00f4nibus. A gente tem o direito de ir e vir. Se nem isso as mulheres t\u00eam mais, estamos com um problema s\u00e9rio\u201d, avalia a secret\u00e1ria de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia, da Secretaria da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Aparecida Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>A iniciativa do DF foi criada pela Lei Distrital 4.848 de 2012 e a opera\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio no dia 1\u00ba de julho de 2013. Funciona de segunda a sexta-feira, das 6h \u00e0s 8h45 e das 16h45 \u00e0s 20h15. As capitais S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro tamb\u00e9m contam com um vag\u00e3o para mulheres.<\/p>\n<p>A professora Acsa Lima, de 21 anos, tamb\u00e9m disse que existem alguns homens mal intencionados no transporte p\u00fablico. \u201cComigo aconteceu uma vez. Eu estava em p\u00e9 no \u00f4nibus, a princ\u00edpio cheio, as pessoas iam passando e como n\u00e3o tinha op\u00e7\u00e3o ele precisava encostar em mim pra dar espa\u00e7o. Mas conforme o \u00f4nibus foi esvaziando ele continuou atr\u00e1s de mim. A\u00ed eu percebi que estava mal intencionado e troquei de lugar.\u201d A professora n\u00e3o usa o vag\u00e3o para\u00a0 mulheres porque diz que sempre vai muito apertado. \u201cTem muito mais homem que mulher pegando o metr\u00f4. Eu vou no vag\u00e3o comum, mas fico em um canto, mais protegida\u201d.<\/p>\n<p>Para a assessora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cf\u00eamea), Leila Rebou\u00e7as, deve haver uma mudan\u00e7a cultural para que muitos homens parem de ver mulheres como um objeto. Ela avalia que a cria\u00e7\u00e3o do vag\u00e3o \u00e9 um paliativo. \u201cA mudan\u00e7a definitiva s\u00f3 vem com a educa\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Segundo estat\u00edsticas do DF, mais de 90% das mulheres que sofrem abusos n\u00e3o denunciam. \u201cN\u00e3o denunciam por medo, porque depois ela vai descer em um lugar escuro, n\u00e3o tem um sistema de seguran\u00e7a adequado e podem sofrer mais viol\u00eancia\u201d, explica Leila. Ela frisa que \u00e9 fundamental as mulheres denunciarem e tamb\u00e9m aconselha que na hora do ass\u00e9dio a mulher procure chamar a aten\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 perto, procurando de alguma forma constranger o sujeito que est\u00e1 cometendo o abuso.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Aparecida Gon\u00e7alves, as mulheres n\u00e3o denunciam por vergonha. \u201cAs mulheres ficam com vergonha, achando que s\u00e3o culpadas. N\u00e3o s\u00e3o culpadas e t\u00eam que saber disso. Elas t\u00eam que denunciar. Temos que trabalhar o comportamento da sociedade brasileira\u201d, frisou, acrescentando que o n\u00famero 180 recebe todos os tipos de den\u00fancia de viol\u00eancia contra mulher.<\/p>\n<p><strong>Aline Leal, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma vez, quando eu tinha uns 9 anos, peguei um \u00f4nibus lotado e percebi que um senhor estava esfregando as partes dele na minha perna. Eu tentei me afastar, mas ele ficava se esfregando. 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