{"id":65732,"date":"2015-09-02T08:44:18","date_gmt":"2015-09-02T11:44:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=65732"},"modified":"2015-09-02T08:44:39","modified_gmt":"2015-09-02T11:44:39","slug":"sudeste-teve-1o-semestre-mais-quente-dos-ultimos-anos-e-tendencia-e-de-mais-calor-ainda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sudeste-teve-1o-semestre-mais-quente-dos-ultimos-anos-e-tendencia-e-de-mais-calor-ainda\/","title":{"rendered":"Sudeste teve 1\u00ba semestre mais quente dos \u00faltimos anos e tend\u00eancia \u00e9 de mais calor"},"content":{"rendered":"<p>O per\u00edodo de janeiro a julho foi o mais quente dos \u00faltimos 50 anos no Sul e no Sudeste do Brasil, revela uma an\u00e1lise in\u00e9dita. Ou seja, desde que as temperaturas m\u00ednimas come\u00e7aram a ser medidas e analisadas no Brasil. O fen\u00f4meno em curso \u00e9 mais complexo e de longo prazo do que as costumeiras mazelas do El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Para cientistas, tem a marca de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. E se este inverno exibe cara de ver\u00e3o, o ver\u00e3o de verdade ter\u00e1 jeito de inferno, indicam as previs\u00f5es climatol\u00f3gicas. Mesmo que a temperatura fique mais amena nos pr\u00f3ximos dias, o calor continua a ser a tend\u00eancia dos meses que v\u00eam a\u00ed.<\/p>\n<p>\u2014 Este inverno marca um per\u00edodo especialmente quente de uma tend\u00eancia de aquecimento que registramos desde os anos 60. O El Ni\u00f1o s\u00f3 esquentou ainda mais o que j\u00e1 aquecia \u2014 diz o climatologista Jos\u00e9 Marengo, um dos maiores especialistas em El Ni\u00f1o e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas da Am\u00e9rica Latina, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).<\/p>\n<p>Marengo observa que \u00e9 preciso ainda realizar mais estudos para ter certeza de que a causa seja mudan\u00e7a clim\u00e1tica associada \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana. Isto porque o clima \u00e9 um dos sistemas mais complexos da natureza. A eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas ao longo de todo o ano pode ser resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que v\u00e3o desde o aquecimento dos oceanos, passam por flutua\u00e7\u00f5es naturais e chegam ao aumento da concentra\u00e7\u00e3o de CO2 e outros gases-estufa na atmosfera devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u2014 A tend\u00eancia \u00e9 termos mais noites quentes (e dias tamb\u00e9m), e os dias e as noites frios diminu\u00edrem de frequ\u00eancia. Isto \u00e9, ainda que possamos ter algumas noites frias, os invernos tendem a ser mais quentes. Este ano, com o El Ni\u00f1o para piorar, o per\u00edodo de janeiro a julho foi o mais quente desde 1960 \u2014 explica o cientista.<\/p>\n<p>Segundo ele, as m\u00ednimas do m\u00eas de julho foram entre 3 e 4 graus Celsius acima do normal nas regi\u00f5es Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>\u2014 De fato, essa anomalia se enquadra no modelo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Os modelos previam exatamente esse tipo de altera\u00e7\u00e3o \u2014 salienta o pesquisador.<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o \u00e9 originado da eleva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Pac\u00edfico Equatorial. Mas este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico oceano a aquecer. O Atl\u00e2ntico e o \u00cdndico tamb\u00e9m est\u00e3o mais quentes.<\/p>\n<p>\u2014 O que vemos \u00e9 um cen\u00e1rio de extremos. Tanto de calor quanto de frio. Mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o significa apenas aquecimento. Ela \u00e9 desequil\u00edbrio \u2014 explica Marengo.<\/p>\n<p>Julho foi o ano mais quente da Hist\u00f3ria em todo o mundo. Ondas de calor mataram em \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Os extremos de temperatura aumentam as m\u00e9dias. Mas isso n\u00e3o significa que voc\u00ea n\u00e3o possa ter dias muito frios em meio a um per\u00edodo quente \u2014 diz.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com a chuva e a seca.<\/p>\n<p>\u2014 O que muda n\u00e3o \u00e9 o total de chuva, por exemplo. Voc\u00ea pode ter o mesmo volume de precipita\u00e7\u00e3o, mas concentrado em poucos dias. O resultado s\u00e3o tempestades devastadoras cercadas por longos per\u00edodos de seca. Temos visto isso acontecer e sabemos que as consequ\u00eancias s\u00e3o mais desastres naturais e desabastecimento dos reservat\u00f3rios \u2014 frisa Marengo.<\/p>\n<p>Ele acha improv\u00e1vel que a esta\u00e7\u00e3o das chuvas \u2014 a primavera \u2014 traga al\u00edvio para o baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios do Sudeste. Ser\u00e1 preciso que chova muito em setembro e outubro. Bem mais prov\u00e1vel \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o do calor.<\/p>\n<p>\u2014 Tudo indica que este ver\u00e3o ser\u00e1 mais quente. H\u00e1 uma clara tend\u00eancia de aumento nos \u00faltimos anos \u2014 diz.<\/p>\n<p>Um ver\u00e3o quente \u00e9 um ver\u00e3o caro. As pessoas gastam mais energia com aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. Tamb\u00e9m consomem mais \u00e1gua. E ficam mais doentes.<\/p>\n<p>\u2014 O ver\u00e3o do Brasil n\u00e3o chega a matar tanto quanto na \u00cdndia, por exemplo. Mas sabemos que h\u00e1 mais casos de problemas card\u00edacos e outras complica\u00e7\u00f5es associadas ao calor extremo. Essas mortes s\u00e3o subnotificadas porque as pessoas acham o calor natural. Mas ele n\u00e3o \u00e9. E sobrecarrega o organismo, principalmente o cora\u00e7\u00e3o e os rins \u2014 afirma.<\/p>\n<p>O pesquisador diz que j\u00e1 superamos a fase de discutir o que far\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Isso j\u00e1 pode ser sentido na pele. Chegou o momento de saber o impacto delas para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Vivemos numa era de extremos, que trazem desastres e novos desafios. Chuva intensa e concentrada significa morte e escassez. Nossa alternativa \u00e9 buscar solu\u00e7\u00f5es \u2014 destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo de janeiro a julho foi o mais quente dos \u00faltimos 50 anos no Sul e no Sudeste do Brasil, revela uma an\u00e1lise in\u00e9dita. Ou seja, desde que as temperaturas m\u00ednimas come\u00e7aram a ser medidas e analisadas no Brasil. 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