{"id":65978,"date":"2015-09-03T05:06:14","date_gmt":"2015-09-03T08:06:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=65978"},"modified":"2015-09-04T21:42:22","modified_gmt":"2015-09-05T00:42:22","slug":"psicologa-credita-impotencia-a-agressividade-de-homens-na-net","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/psicologa-credita-impotencia-a-agressividade-de-homens-na-net\/","title":{"rendered":"Psic\u00f3loga credita impot\u00eancia \u00e0 agressividade de homens nos relacionamentos virtuais"},"content":{"rendered":"<p>Impot\u00eancia, frustra\u00e7\u00e3o e uma necessidade de se impor sobre outras pessoas. Assim, a psic\u00f3loga americana Pamela Rutledge, diretora do Media Psychology Research Center (Centro de Pesquisas sobre Psicologia e M\u00eddia), na Calif\u00f3rnia, avalia a agressividade de muitos &#8220;comentaristas&#8221; de redes sociais em tempos de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia em um ramo recente da psicologia dedicado a estudar as rela\u00e7\u00f5es entre a mente e a tecnologia, Rutledge ressalta que as pessoas &#8220;s\u00e3o as mesmas&#8221;, tanto em ambientes f\u00edsicos quanto virtuais. Mas faz uma ressalva sobre a impulsividade de quem dedica seu tempo a ofender ou amea\u00e7ar pessoas nas caixas de coment\u00e1rios de sites de not\u00edcias e p\u00e1ginas de pol\u00edtica:<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda n\u00e3o percebemos que o mesmo vale na internet&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica, a especialista comenta a ascens\u00e3o de temas como diversidade sexual, racismo e machismo ao debate p\u00fablico, gra\u00e7as \u00e0s redes sociais.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso j\u00e1 acontecia, mas n\u00e3o t\u00ednhamos conhecimento.&#8221;<\/p>\n<p>Leia os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Estamos mostrando o nosso &#8216;lado negativo&#8217; nas redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pamela Rutledge &#8211;<\/strong> As pessoas s\u00e3o as mesmas, online ou offline. Mas a internet tem a ver com respostas r\u00e1pidas. As pessoas falam sem pensar. \u00c9 diferente da experi\u00eancia social offline, em que voc\u00ea se policia por conta da proximidade f\u00edsica do interlocutor. N\u00f3s j\u00e1 estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda n\u00e3o percebemos que o mesmo vale na internet.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; No Brasil, a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem levado pessoas com vis\u00f5es distintas a se ofenderem e amea\u00e7arem, tanto em coment\u00e1rios em sites de not\u00edcias quanto nas redes sociais. A internet estimularia o radicalismo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> As redes sociais encorajam pessoas com posi\u00e7\u00f5es extremas a se sentirem mais confiantes para express\u00e1-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender algu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Os coment\u00e1rios na internet s\u00e3o um \u00edndice confi\u00e1vel do que as pessoas realmente acreditam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> Depende do t\u00f3pico. Mas as pessoas que tendem a responder de maneira agressiva n\u00e3o representam o sentimento geral.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; As pessoas com opini\u00f5es menos radicais t\u00eam menos disposi\u00e7\u00e3o para comentar do que as demais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> Sim. Porque os coment\u00e1rios agressivos t\u00eam mais a ver com a raiva das pessoas do que com uma argumenta\u00e7\u00e3o para mudar a mente das outras. Quem parte para a agressividade, n\u00e3o est\u00e1 dando informa\u00e7\u00f5es para trazer algu\u00e9m para seu lado, estas pessoas querem apenas agredir.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A &#8220;trollagem&#8221;, g\u00edria de internet para piadas ou coment\u00e1rios maldosos sobre an\u00f4nimos e famosos, muitas vezes feitos repetidamente, \u00e9 vista por muita gente como divers\u00e3o. H\u00e1 perigos por tr\u00e1s das piadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> No caso das celebridades que s\u00e3o alvo da &#8221;trollagem&#8221;, os f\u00e3s v\u00eam defend\u00ea-las, ent\u00e3o, elas n\u00e3o costumam precisar tomar qualquer iniciativa. No caso dos an\u00f4nimos, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 usar ferramentas para solu\u00e7\u00e3o de conflitos, como encorajar seus amigos e conhecidos a n\u00e3o serem espectadores, mas a tomarem atitudes em defesa do ofendido. Isso n\u00e3o significa discutir com os autores das ofensas, porque isso alimenta os &#8221;trolls&#8221; e \u00e9 isso que eles querem.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Os procedimentos de seguran\u00e7a do Facebook e do Twitter s\u00e3o suficientes para proteger os alvos de bullying?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> Seria ing\u00eanuo esperar que qualquer companhia, mesmo do tamanho do Facebook e do Twitter, seja capaz de monitorar e ajudar neste tipo de situa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o d\u00e1 para deixar s\u00f3 para as empresas aquilo que devemos ser respons\u00e1veis, n\u00f3s mesmos. \u00c9 importante que as pessoas entendam como funcionam as ferramentas e seus mecanismos para privacidade. Se a conclus\u00e3o for que o Facebook n\u00e3o oferece o suficiente, que as pessoas se posicionem e reclamem: &#8221;N\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Que tipo de doen\u00e7as s\u00e3o ligadas ao uso da internet ou das redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> A resposta simples \u00e9 n\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 doen\u00e7as causadas pela internet. H\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es recorrentes com o v\u00edcio em internet ou em redes socais. Mas v\u00edcios s\u00e3o doen\u00e7as bastante s\u00e9rias e a internet n\u00e3o cria personalidades com v\u00edcios. As pessoas usam as redes da mesma forma que usam \u00e1lcool, jogos, chocolate, ou qualquer outra coisa que mascare problemas maiores.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Problemas como&#8230;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> Falta de autoestima, depress\u00e3o. \u00c9 importante chegar \u00e0 real causa do v\u00edcio, apenas cortar a internet n\u00e3o muda nada.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Temas como diversidade sexual, racismo e machismo, vistos como tabus at\u00e9 recentemente, s\u00e3o hoje bastante populares online. Como v\u00ea estes t\u00f3picos ganhando aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> \u00c9 sempre positivo que as pessoas debatam e desenvolvam seu conhecimento sobre temas. Mesmo que a conversa termine de forma negativa, isso ainda vale para que se perceba o que est\u00e1 acontecendo a seu redor. Afinal, tudo isso j\u00e1 acontecia, mas n\u00e3o t\u00ednhamos conhecimento &#8211; e isso significa que estamos nos aproximando da possibilidade de transform\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Quais s\u00e3o os conselhos para os pais ajudarem seus filhos a n\u00e3o embarcarem nas ondas de \u00f3dio das redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> A primeira coisa \u00e9 conversar com as crian\u00e7as desde muito cedo sobre tecnologia. Muitos evitam porque n\u00e3o entendem bem a tecnologia. Mas a tecnologia \u00e9 apenas o &#8220;lugar&#8221; onde as coisas est\u00e3o acontecendo; o principal ainda s\u00e3o os valores. Ent\u00e3o, se algo est\u00e1 acontecendo em qualquer plataforma que os pais n\u00e3o conhe\u00e7am bem, a sugest\u00e3o \u00e9 que chamem as crian\u00e7as e pe\u00e7am que elas deem seu ponto de vista. A\u00ed sim eles poder\u00e3o entender como as crian\u00e7as est\u00e3o lidando com a quest\u00e3o e, a partir da\u00ed, decidir quais devem ser as preocupa\u00e7\u00f5es. A responsabilidade pode ser compartilhada. \u00c9 importante ensinar os filhos a pensarem criticamente.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Muitos acham que ler hist\u00f3ricos de conversas dos filhos ou usar apps para control\u00e1-los \u00e9 a melhor forma de ajudar as crian\u00e7as. O controle \u00e9 uma boa sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rutledge &#8211;<\/strong> Os pais precisam entender que devem escutar seus filhos. Claro que cada situa\u00e7\u00e3o tem suas caracter\u00edsticas, mas geralmente controlar significa que voc\u00ea n\u00e3o conversou com eles e n\u00e3o lhes deu oportunidades para tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, em algum momento, eles v\u00e3o precisar tomar decis\u00f5es por si mesmos e voc\u00ea n\u00e3o vai estar ali, nem o seu &#8220;app de controle&#8221;. Ent\u00e3o, \u00e9 muito melhor dialogar, e isso costuma ser muito dif\u00edcil para os pais, que tendem dizer o que os filhos devem fazer, sem conversa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impot\u00eancia, frustra\u00e7\u00e3o e uma necessidade de se impor sobre outras pessoas. Assim, a psic\u00f3loga americana Pamela Rutledge, diretora do Media Psychology Research Center (Centro de Pesquisas sobre Psicologia e M\u00eddia), na Calif\u00f3rnia, avalia a agressividade de muitos &#8220;comentaristas&#8221; de redes sociais em tempos de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil. 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