{"id":66555,"date":"2015-09-07T16:44:34","date_gmt":"2015-09-07T19:44:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=66555"},"modified":"2015-09-07T16:45:09","modified_gmt":"2015-09-07T19:45:09","slug":"rio-precisa-corrigir-erros-que-dificultam-acesso-de-atletas-que-virao-para-paralimpiadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rio-precisa-corrigir-erros-que-dificultam-acesso-de-atletas-que-virao-para-paralimpiadas\/","title":{"rendered":"Rio precisa corrigir erros que dificultam acesso de atletas que vir\u00e3o para as Paralimp\u00edadas"},"content":{"rendered":"<p>A um ano da Paraolimp\u00edada de 2016, o Rio de Janeiro tem desafios para tornar a cidade acess\u00edvel aos 4.350 atletas com defici\u00eancia, de 178 pa\u00edses, que vir\u00e3o competir, como tamb\u00e9m para os turistas e os pr\u00f3prios cariocas. Entre os principais problemas, est\u00e3o a aus\u00eancia de quartos adaptados em hot\u00e9is tr\u00eas estrelas, que s\u00e3o mais baratos, a dificuldade na mobilidade urbana, a baixa acessibilidade em cart\u00f5es-postais, como o Cristo Redentor, e nas praias da cidade, como Copacabana.<\/p>\n<p>Uma barreira que pode prejudicar a abertura da Olimp\u00edada e da Paraolimp\u00edada \u00e9 o acesso ao Maracan\u00e3. O local ser\u00e1 palco das cerim\u00f4nias de abertura e encerramento, mas precisa facilitar a entrada e sa\u00edda de pessoas. A rampa que liga o metr\u00f4 ao est\u00e1dio tem uma inclina\u00e7\u00e3o acentuada, o que a torna arriscada para cadeirantes e pessoas com baixa mobilidade. O problema foi identificado na Copa do Mundo de 2014, quando uma passagem provis\u00f3ria foi instalada, mas para o ano que vem n\u00e3o h\u00e1 nada confirmado.<\/p>\n<p>&#8220;O cadeirante, sozinho, n\u00e3o consegue subir nem descer a rampa no Maracan\u00e3&#8221;, disse Leonardo Tavares Martins, cadeirante, que esteve no est\u00e1dio durante os jogos do Mundial. &#8220;Descer ainda \u00e9 mais f\u00e1cil, mas para subir, precisa de ajuda, mesmo no meu caso, que me julgo safo&#8221;, explicou Leonardo, habituado ao local. Em 2014, al\u00e9m dos jogos no Maracan\u00e3, ele viajou a Fortaleza para ver partidas da Copa. No ano que vem, ele pretende prestigiar os atletas que vir\u00e3o para as competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A deputada e cadeirante T\u00e2nia Rodrigues (PDT), que coordena, na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), levantamento sobre acessibilidade, confirma os problemas no Maracan\u00e3. &#8220;Essa rampa \u00e9 fora de qualquer inclina\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel para uma pessoa dita normal&#8221;, acrescenta. Ela cobra que a cidade melhore a acessibilidade aos locais de provas, incluindo a mobilidade, e aos pontos tur\u00edsticos.<\/p>\n<p>&#8220;Os atletas e as comiss\u00f5es t\u00e9cnicas t\u00eam horas de folga e lazer n\u00e3o v\u00e3o ficar confinados no hotel e na Vila Ol\u00edmpica [resid\u00eancia oficial]&#8221;, destacou a parlamentar que pretende entregar o levantamento \u00e0 prefeitura e ao governo do estado at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>Para as competi\u00e7\u00f5es paraol\u00edmpicas, todas as instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o adaptadas, conforme recomenda\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, explica T\u00e2nia, que esteve em tr\u00eas Paraolimp\u00edadas e nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, na qual o Brasil obteve recorde de medalhas.<\/p>\n<p>O ponto tur\u00edstico mais conhecido do Rio de Janeiro, o Corcovado, onde fica o Cristo Redentor, \u00e9 um dos locais que mais recebem cr\u00edticas por n\u00e3o oferecer infraestrutura adequada a pessoas com defici\u00eancia. Al\u00e9m da falta de banheiros adaptados, Luiz Claudio Pereira, que \u00e9 cadeirante, critica as escadas rolantes e a aus\u00eancia de um &#8220;guia auditivo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eles at\u00e9 come\u00e7aram a criar acessibilidade para o cadeirante, mas o cego e o surdo ficam totalmente em outro pa\u00eds&#8221;, disse Pereira que preside a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas. Ele sugere que informa\u00e7\u00f5es sejam dadas em braille ou em uma esp\u00e9cie de computador port\u00e1til em que seja poss\u00edvel acessar v\u00eddeos na l\u00edngua de sinais ou \u00e1udios, como j\u00e1 ocorre em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A Arquidiocese do Rio de Janeiro, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o do monumento, diz que busca parceiros para fazer as modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e aumentar a acessibilidade no Cristo Redentor. &#8220;Para n\u00f3s, \u00e9 importante que seja um local democr\u00e1tico&#8221;, disse o c\u00f4nego Marcos William, vig\u00e1rio episcopal para Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura.<\/p>\n<p>Chegar \u00e0 praia tamb\u00e9m \u00e9 uma aventura para quem tem defici\u00eancia ou baixa modalidade. A prefeitura criou h\u00e1 alguns anos uma rota acess\u00edvel entre a esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 Cardeal Arcoverde e a orla de Copacabana, na altura da Rua Rodolfo Dantas. No entanto, o trecho tem v\u00e1rios obst\u00e1culos. Os sinais sonoros sumiram ou est\u00e3o quebrados, obras bloqueiam o caminho do cadeirante e partes do piso t\u00e1til foram retiradas.<\/p>\n<p>&#8220;Andar nas pedras portuguesas \u00e9 uma desgra\u00e7a, trepida demais a cadeira, \u00e0s vezes, cai at\u00e9 a rodinha&#8221;, disse a deputada T\u00e2nia Rodrigues, que cobra a manuten\u00e7\u00e3o da rota em Copacabana. A rota tem um piso especial que facilita a passagem da cadeira e d\u00e1 autonomia ao cadeirante.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria da Pessoa com Defici\u00eancia da prefeitura e coordenadora da sele\u00e7\u00e3o de gin\u00e1stica art\u00edstica, Georgette Vidor, reconhece que a cidade tem problemas na acessibilidade. Segundo ela, que j\u00e1 esteve em 33 pa\u00edses, a situa\u00e7\u00e3o do Rio \u00e9 a mesma de outras cidades desenvolvidas, como Londres, que pouco a pouco v\u00e3o adaptando sua infraestrutura p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as cidades do mundo est\u00e3o no esfor\u00e7o de se tornar cidades para todos. Os pa\u00edses mais avan\u00e7ados est\u00e3o com o transporte p\u00fablico, talvez, mais acess\u00edvel, que a gente. O restante, estamos no mesmo patamar&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>Georgette afirma que a transforma\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro em uma cidade acess\u00edvel leva tempo e compete com outras prioridades do governo local.<\/p>\n<p>Como exemplo do esfor\u00e7o da prefeitura, ela cita a cria\u00e7\u00e3o do Museu de Arte do Rio (MAR), na zona portu\u00e1ria, e do Parque Madureira, na zona norte, inaugurados nos tr\u00eas \u00faltimos anos e com a estrutura necess\u00e1ria para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Ela cita ainda outros pontos tur\u00edsticos bem preparados como o Forte de Copacabana, o Parque Nacional da Tijuca \u2013que tem uma trilha toda adaptada\u2013 e o Jardim Bot\u00e2nico, com seu jardim sensorial e plantas para serem tocadas, rampas, piso t\u00e1til e informa\u00e7\u00f5es em braille.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria tamb\u00e9m explica que as obras de manuten\u00e7\u00e3o nas rotas adaptadas s\u00e3o feitas por outros \u00f3rg\u00e3os que t\u00eam uma lista de prioridades pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Segundo Georgette, est\u00e3o em discuss\u00e3o na prefeitura a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a para t\u00e1xis adaptados e a possibilidade de os \u00f4nibus serem rebaixados, como em S\u00e3o Paulo, o que facilitar\u00e1 a entrada de cadeirantes.<\/p>\n<p>Para receber o visitante com defici\u00eancia, o setor de turismo tamb\u00e9m est\u00e1 se preparando. O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Hot\u00e9is do Rio de Janeiro (ABIH), Alfredo Lopes, diz que h\u00e1 pelo menos um quarto adaptado por estabelecimento e treinamento profissional extra para lidar com esses h\u00f3spedes.<\/p>\n<p>&#8220;No caso de defici\u00eancia visual, por exemplo, passamos para o pessoal que n\u00e3o pode arrumar o quarto, sen\u00e3o, depois, o h\u00f3spede n\u00e3o encontra mais nada&#8221;, disse Lopes, reconhecendo que o n\u00famero de reservas para quartos acess\u00edveis ainda \u00e9 baixo o que n\u00e3o justifica a expans\u00e3o para 10% da capacidade do hotel, como prev\u00ea a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Restaurantes de 24 polos tur\u00edsticos da cidade v\u00e3o contar com ajuda da prefeitura para se adequar. Em tom de est\u00edmulo, a Secretaria de Pessoas com Defici\u00eancia traduzir\u00e1 para braille um card\u00e1pio em cada um dos polos. A ideia \u00e9 que os restaurantes adotem a pr\u00e1tica ou imprimam seus menus com letras em alto-relevo, para facilitar a leitura por clientes.<\/p>\n<p>Quem vai participar da Paraolimp\u00edada aguarda as transforma\u00e7\u00f5es com ansiedade. Para o atleta da modalidade futebol de 5, C\u00e1ssio Lopes dos Reis, que \u00e9 de Salvador, mas treina no Rio, as mudan\u00e7as s\u00e3o importantes para garantir autonomia aos deficientes. &#8220;Eu n\u00e3o tenho seguran\u00e7a alguma para andar s\u00f3. Acessibilidade \u00e9 ruim aqui&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ele conta que, nas oportunidades de lazer, teve que ser guiado por algu\u00e9m da fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A um ano da Paraolimp\u00edada de 2016, o Rio de Janeiro tem desafios para tornar a cidade acess\u00edvel aos 4.350 atletas com defici\u00eancia, de 178 pa\u00edses, que vir\u00e3o competir, como tamb\u00e9m para os turistas e os pr\u00f3prios cariocas. 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