{"id":66676,"date":"2015-09-08T12:14:37","date_gmt":"2015-09-08T15:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=66676"},"modified":"2015-09-11T09:56:52","modified_gmt":"2015-09-11T12:56:52","slug":"brasileiras-fazem-fila-em-miami-para-ter-filhos-americanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiras-fazem-fila-em-miami-para-ter-filhos-americanos\/","title":{"rendered":"Brasileiras fazem fila em Miami e gastam 50 mil reais para ter filhos americanos"},"content":{"rendered":"<p>Quando voltou de sua \u00faltima viagem a Miami, a empres\u00e1ria paulistana Bianka Zad trouxe mais do que malas cheias. Ela carregava no colo um beb\u00ea rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Ao dar \u00e0 luz na Fl\u00f3rida, Zad quis que seu primeiro filho tivesse a cidadania americana e melhores oportunidades no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo antes de saber que estava gr\u00e1vida, eu j\u00e1 queria fazer o parto l\u00e1&#8221;, conta Zad, de 37 anos.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o americana garante a cidadania autom\u00e1tica a todas as crian\u00e7as nascidas no pa\u00eds, inclusive se forem filhas de turistas ou imigrantes ilegais.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria viajou a Miami com um visto de turista na trig\u00e9sima segunda semana de gravidez e se hospedou no apartamento que comprou h\u00e1 quatro anos para passar f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Zad deu \u00e0 luz em 22 de maio e voltou ao Brasil dois meses depois. Seu filho, Enrico, desembarcou em S\u00e3o Paulo com dois passaportes &#8211; o brasileiro e o americano.<\/p>\n<p>Para tirar o americano, ela teve de registrar o nascimento num cart\u00f3rio e levar o filho a um centro do governo. O processo todo, diz Zad, levou 20 minutos, e o passaporte chegou pelo correio em 20 dias.<\/p>\n<p>Ela afirma que n\u00e3o sofreu qualquer constrangimento nem teve de prestar qualquer esclarecimento \u00e0s autoridades.<\/p>\n<p>Conseguir o documento brasileiro exigiu que ela fosse ao consulado e comprovasse sua nacionalidade.<\/p>\n<p>Para tirar os planos do papel, a empres\u00e1ria contratou os servi\u00e7os de uma ag\u00eancia especializada em partos de brasileiras na cidade, a &#8220;Ser mam\u00e3e em Miami&#8221;.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico brasileiro Wladimir Lorentz, 46 anos, diz que resolveu fundar a ag\u00eancia com um s\u00f3cio ap\u00f3s descobrir servi\u00e7os semelhantes para turistas russas.<\/p>\n<p>Lorentz, que trabalha como pediatra em Miami h\u00e1 17 anos, come\u00e7ou a atender turistas brasileiras em setembro e, h\u00e1 duas semanas, lan\u00e7ou um novo site com os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, ele diz ter sido procurado por quatro brasileiras interessadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 leis que pro\u00edbam gr\u00e1vidas de viajar de avi\u00e3o, embora as companhias a\u00e9reas costumem exigir atestados m\u00e9dicos de passageiras em estado avan\u00e7ado de gravidez.<\/p>\n<p>Lorentz recomenda que elas consultem um obstetra antes de embarcar e fa\u00e7am a viagem antes de completar sete meses de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua ag\u00eancia oferece tr\u00eas pacotes de partos. O natural sai por US$ 9.840 (cerca de R$ 37.800); a ces\u00e1rea, US$ 11.390 (R$ 43.700); e o m\u00faltiplo (g\u00eameos ou mais), US$ 14.730 (R$ 56.600).<\/p>\n<p>Todos os planos incluem atendimento pr\u00e9 e p\u00f3s-natal, at\u00e9 tr\u00eas dias de &#8220;interna\u00e7\u00e3o hospitalar em su\u00edte VIP&#8221; e exames b\u00e1sicos para a m\u00e3e e o beb\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Uma gr\u00e1vida em S\u00e3o Paulo que comece o trabalho de parto na hora do rush corre o risco de dar \u00e0 luz no meio do tr\u00e2nsito ou acabar num hospital ruim&#8221;, ele diz \u00e0 BBC Brasil. &#8220;Aqui n\u00e3o tem esse perigo&#8221;.<\/p>\n<p>O diferencial de sua ag\u00eancia, diz Lorentz, \u00e9 o atendimento em portugu\u00eas. Seu s\u00f3cio, o obstetra Ernesto C\u00e1rdenas, nasceu na Col\u00f4mbia e tamb\u00e9m compreende a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Para contratar os servi\u00e7os, o m\u00e9dico diz que a gr\u00e1vida pode viajar com um visto de turista, j\u00e1 que o documento tamb\u00e9m vale para quem recebe cuidados m\u00e9dicos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ele diz que seu principal desafio \u00e9 convencer os brasileiros de que o servi\u00e7o \u00e9 legal.<\/p>\n<p>Ter um filho americano n\u00e3o d\u00e1 aos pais o direito de morar no pa\u00eds, explica a advogada brasileira Juliana Pechincha, que atende em Nova York. Ela diz que os filhos s\u00f3 podem pleitear que os pais se tornem residentes ao completar 21 anos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, milhares de m\u00e3es estrangeiras t\u00eam viajado aos Estados Unidos para dar \u00e0 luz no pa\u00eds. A pr\u00e1tica gerou uma pol\u00eamica na campanha \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2016.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-candidato republicano Donald Trump tem defendido acabar com a concess\u00e3o autom\u00e1tica de cidadania a filhos de estrangeiros.<\/p>\n<p>Ao comentar a posi\u00e7\u00e3o de Trump, o tamb\u00e9m pr\u00e9-candidato republicano Jeb Bush defendeu a regra atual, mas provocou a ira de muitos imigrantes ao se referir \u00e0s crian\u00e7as como &#8220;beb\u00eas \u00e2ncoras&#8221;.<\/p>\n<p>Considerada pejorativa, a express\u00e3o se refere \u00e0 cren\u00e7a de que ter um filho nos Estados Unidos torna a deporta\u00e7\u00e3o dos pais mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Bush afirmou que se referia a &#8220;casos espec\u00edficos de fraudes&#8221; &#8211; cometidas, segundo ele, principalmente por asi\u00e1ticos &#8211; que viajavam aos Estados Unidos para ter filhos e &#8220;tirar proveito de um conceito nobre&#8221;.<\/p>\n<p>O pediatra brasileiro Wladimir Lorentz diz que a cr\u00edtica n\u00e3o se aplica a seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8220;Seguimos rigorosamente a legisla\u00e7\u00e3o e todos os nossos profissionais s\u00e3o certificados. Nossa atividade gera receitas e empregos para o pa\u00eds&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Hoje no nono m\u00eas de gravidez, a advogada e contadora paulistana Irene Kim, de 33 anos, chegou a Miami em julho para fazer o enxoval do seu primeiro filho.<\/p>\n<p>Durante as compras, Kim diz que se sentiu mal e soube que corria o risco de ter uma coagula\u00e7\u00e3o se viajasse de avi\u00e3o antes do nascimento.<\/p>\n<p>Ela ent\u00e3o decidiu fazer o parto na cidade e, ao descobrir que o filho ganharia a cidadania americana, passou a considerar migrar legalmente para os Estados Unidos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita, enquanto no Brasil uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade consome grande parte da renda familiar&#8221;, justifica.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o para se mudar, diz Kim, \u00e9 a inseguran\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria Bianka Zad tamb\u00e9m se prepara para se migrar legalmente para os Estados Unidos com o marido e o filho Enrico, nascido em Miami.<\/p>\n<p>Ela diz ter colocado \u00e0 venda terrenos e a casa em que a fam\u00edlia mora em Aphaville, condom\u00ednio de luxo em S\u00e3o Paulo, para se mudar em 2018.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o tem a ordem que vemos aqui na Am\u00e9rica&#8221;, ela diz.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea vai e conhece a Am\u00e9rica, voc\u00ea se apaixona&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando voltou de sua \u00faltima viagem a Miami, a empres\u00e1ria paulistana Bianka Zad trouxe mais do que malas cheias. 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