{"id":68970,"date":"2015-09-22T04:03:11","date_gmt":"2015-09-22T07:03:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=68970"},"modified":"2015-09-23T07:12:57","modified_gmt":"2015-09-23T10:12:57","slug":"vigorexia-disturbio-do-corpo-perfeito-acaba-com-a-vida-e-comeca-a-desmoronar-lares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vigorexia-disturbio-do-corpo-perfeito-acaba-com-a-vida-e-comeca-a-desmoronar-lares\/","title":{"rendered":"Vigorexia, dist\u00farbio do corpo perfeito, acaba com a vida e come\u00e7a a destruir lares"},"content":{"rendered":"<p>A primeira palavra que vem \u00e0 mente quando se est\u00e1 diante de Pradeep Bala \u00e9 &#8220;grande&#8221;. O indiano de 25 anos tem bra\u00e7os enormes, ombros largos e um grande peitoral. Mas ele n\u00e3o est\u00e1 feliz com seu tamanho.<\/p>\n<p>Sua obsess\u00e3o em conseguir o corpo &#8220;perfeito&#8221; \u00e9, na verdade, um dist\u00farbio de ansiedade pouco conhecido: a vigorexia. Formalmente conhecido como &#8220;dismorfia muscular&#8221;, tamb\u00e9m \u00e9 descrito \u00e0s vezes como uma anorexia ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele se caracteriza por uma incompatibilidade entre o corpo de uma pessoa e a imagem que ela tem de si mesma. Mesmo sendo grande e musculosa, ela se v\u00ea &#8220;pequena&#8221;.<\/p>\n<p>Para Pradeep, que mora em Londres, no Reino Unido, tudo come\u00e7ou quando ele passou a se comparar aos homens musculosos que ilustram p\u00e1ginas de revistas. &#8220;Pensava que, se eles conseguiam ficar assim, eu podia tamb\u00e9m&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Com 1,70m de altura, ele tem um f\u00edsico que se encaixaria perfeitamente numa revista de fisiculturismo, mas que considera insuficiente.<\/p>\n<p>&#8220;Definitivamente, sou pequeno. E costumo ser duro comigo. Digo para mim: &#8216;Qual \u00e9 o seu problema? Olhe para voc\u00ea. Vire homem'&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Esse di\u00e1logo interno faz com que pouco a pouco eu fique mais ansioso e depressivo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dist\u00farbio desconhecido<\/strong><br \/>\nA vigorexia pode afetar homens e mulheres, mas costuma ser mais prevalente entre eles.<\/p>\n<p>Estima-se que um de cada dez homens que frequentam academias no Reino Unido sofra deste problema, que pode levar \u00e0 depress\u00e3o, uso de anabolizantes e at\u00e9 mesmo ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p>No entanto, muitos casos n\u00e3o v\u00eam a p\u00fablico, segundo Rob Willson, presidente do conselho da Funda\u00e7\u00e3o de Dist\u00farbio de Dismorfia Corporal.<\/p>\n<p>Ele diz que esta condi\u00e7\u00e3o vem se tornando mais frequente, mas que muitas pessoas deixam de ser diagnosticadas, porque o dist\u00farbio ainda \u00e9 desconhecido.<\/p>\n<p>&#8220;Temos milhares e milhares de pessoas assim, que se preocupam excessivamente com sua apar\u00eancia e t\u00eam baixa autoestima&#8221;, afirma Willson.<\/p>\n<p>&#8220;Esta ansiedade e preocupa\u00e7\u00e3o em demasia podem deixar algu\u00e9m deprimido a ponto de levar ao suic\u00eddio.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Fora de controle<\/strong><br \/>\nNo caso de Pradeep, come\u00e7ar a malhar e seguir uma dieta r\u00edgida fez ele sentir-se \u00f3timo a princ\u00edpio, mas logo isso saiu do seu controle. Por mais musculoso que ficasse, ele nunca estava satisfeito.<\/p>\n<p>Ele diz ter chegado \u00e0 conclus\u00e3o de que tinha vigorexia no fim da adolesc\u00eancia. Mas n\u00e3o foi algo simples.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio, n\u00e3o me importei. N\u00e3o queria acreditar que a vigorexia existia e que tinha esse problema&#8221;, conta Pradeep.<\/p>\n<p>&#8220;Foi somente anos depois, ao ver alguns document\u00e1rios, que eu assumi que tinha algo errado.&#8221;<\/p>\n<p>A vigorexia gerou v\u00e1rios outros problemas em sua vida. &#8220;Perdi amigos, porque me isolava, n\u00e3o falava com ningu\u00e9m, n\u00e3o atendia liga\u00e7\u00f5es nem respondia emails. S\u00f3 acordava, trabalhava, malhava e dormia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Sentia a necessidade de bloquear qualquer vida social at\u00e9 estar satisfeito o suficiente com meu corpo para ter a autoestima necess\u00e1ria para falar com as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Desequil\u00edbrio<\/strong><br \/>\nMas o que causa a vigorexia?<\/p>\n<p>Sua origem n\u00e3o est\u00e1 clara, mas especialistas acreditam que pode ser uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ou fruto de um desequil\u00edbrio qu\u00edmico no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias de vida tamb\u00e9m podem ser um fator. A vigorexia pode ser mais comum em pessoas que sofreram abusos ou foram alvo de goza\u00e7\u00e3o de colegas durante a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Oli Loyne, Sarah, acredita que ele tornou-se vigor\u00e9xico por sua inseguran\u00e7a com sua baixa estatura, de 1,57m.<\/p>\n<p>&#8220;Ele queria compensar isso tendo o corpo mais largo poss\u00edvel&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p>Loyne come\u00e7ou a malhar excessivamente e a tomar anabolizantes quando tinha 18 anos. Aos 19, teve dois ataques card\u00edacos e um derrame. Ele morreu ap\u00f3s o terceiro infarto, um ano depois.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o conseguia mostrar a ele o que estava fazendo com seu corpo. Ele dizia &#8216;Preciso atingir o corpo que vejo na minha mente. Preciso ficar grande'&#8221;, diz Sarah.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Perdi minha casa, a namorada e o emprego&#8217;<\/strong><br \/>\nO uso de anabolizantes pode ser um sintoma da vigorexia. Estas drogas podem aumentar o crescimento muscular, mas geram muitos efeitos colaterais, como queda de cabelo, atrofia dos test\u00edculos e problemas card\u00edacos e de f\u00edgado.<\/p>\n<p>Willson diz ainda que, hoje, homens s\u00e3o cada vez mais condicionados a pensar que precisam ter determinada apar\u00eancia para sentirem-se bem-sucedidos, poderosos e atraentes.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma press\u00e3o para que sejam musculosos, tenham um f\u00edsico em formato de &#8216;V&#8217; e tenham um abd\u00f4men definido.&#8221;<\/p>\n<p>Adam Trice, de 31 anos, era um fisiculturista amador obcecado em ficar cada vez maior. Essa busca pelo corpo &#8220;perfeito&#8221; fez tamb\u00e9m com que estivesse sempre na academia.<\/p>\n<p>&#8220;Comecei com 76 kg e com a meta de chegar aos 95 kg. Quando cheguei aos 95 kg, quis chegar aos 105 kg. Depois, aos 120 kg. Voc\u00ea sempre quer algo mais. Seu objetivo vai aumentando&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Ele acabou perdendo seu emprego, sua namorada e sua casa. Ficou t\u00e3o deprimido que tentou se matar.<\/p>\n<p>&#8220;Estava infeliz. N\u00e3o tinha paz. N\u00e3o estava lidando com meu problema e cheguei a um ponto horr\u00edvel&#8221;, diz Trice, que foi parar no hospital e obrigado a obter ajuda profissional.<\/p>\n<p>&#8220;Fiz muita terapia e descobri muitas coisas sobre mim mesmo. Aprendi a gostar de como sou&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Batalha mental<\/strong><br \/>\nPradeep, que abre esta reportagem, tamb\u00e9m diz que a vigorexia se transformou numa constante batalha mental.<\/p>\n<p>Ele diz que, nos piores dias, sua autocr\u00edtica excessiva o faz pensar que tudo est\u00e1 errado em seu corpo.<\/p>\n<p>&#8220;Houve diversas vezes que olhei no espelho e fiquei enojado comigo mesmo&#8221;, conta.<\/p>\n<p>E diz que, apesar de ter um f\u00edsico que deixaria alguns com inveja, ele n\u00e3o se sente orgulhoso de seu corpo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando estou na academia, uso um casaco com capuz. N\u00e3o quero aten\u00e7\u00e3o nem simpatia. N\u00e3o quero que ningu\u00e9m me elogie. Quero apenas malhar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Isso me faz ser muito modesto. \u00c9 simplesmente a forma como me sinto.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira palavra que vem \u00e0 mente quando se est\u00e1 diante de Pradeep Bala \u00e9 &#8220;grande&#8221;. O indiano de 25 anos tem bra\u00e7os enormes, ombros largos e um grande peitoral. Mas ele n\u00e3o est\u00e1 feliz com seu tamanho. 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