{"id":70326,"date":"2015-10-04T10:22:52","date_gmt":"2015-10-04T13:22:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=70326"},"modified":"2015-10-04T18:30:19","modified_gmt":"2015-10-04T21:30:19","slug":"reforma-da-folego-a-dilma-mas-ela-fica-cada-vez-mais-a-merce-de-temer-e-seu-grupo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/reforma-da-folego-a-dilma-mas-ela-fica-cada-vez-mais-a-merce-de-temer-e-seu-grupo\/","title":{"rendered":"Reforma d\u00e1 f\u00f4lego a Dilma, mas ela fica cada vez mais \u00e0 merc\u00ea de Temer e seu grupo"},"content":{"rendered":"<p>A reforma ministerial deu f\u00f4lego \u00e0 presidente Dilma Rousseff, mas ela virou ref\u00e9m do PMDB e seus auxiliares temem que o partido cobre faturas cada vez mais altas para emprestar apoio ao Pal\u00e1cio do Planalto, se a crise n\u00e3o arrefecer. O PT nunca esteve t\u00e3o enfraquecido na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com os partidos da coaliz\u00e3o governista desde que chegou ao Planalto, mostra levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo. No novo arranjo da Esplanada, o PMDB tem previs\u00e3o de administrar ao menos R$ 99 bilh\u00f5es do Or\u00e7amento para 2016, ante R$ 75, 5 bilh\u00f5es programados para as pastas petistas.<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m deixa claro que, ao longo dos mandatos, a era petista vem sendo corro\u00edda pelo arranjo de for\u00e7as para dar sustenta\u00e7\u00e3o ao projeto do partido, alvo de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e sob constante ataque dos advers\u00e1rios. Se em 2003, in\u00edcio da primeira gest\u00e3o Lula, o partido tinha 19 dos 35 minist\u00e9rios (54% do total de pastas), agora os petistas estar\u00e3o \u00e0 frente apenas de 9 das 31 pastas (29% do total).<\/p>\n<p>Principal parceiro do PT, o PMDB entrou no governo com apenas dois minist\u00e9rios, em 2004: Comunica\u00e7\u00f5es e Previd\u00eancia. Em 2007, no in\u00edcio da segunda gest\u00e3o Lula, o partido sobe de status e leva a Sa\u00fade, a Integra\u00e7\u00e3o Nacional e a Agricultura. Agora, com Dilma sob amea\u00e7a de impeachment e em momento de crise econ\u00f4mica, comandar\u00e1 sete pastas, todas de alto peso pol\u00edtico e grande poder or\u00e7ament\u00e1rio: Sa\u00fade, Minas e Energia, Agricultura, Ci\u00eancia e Tecnologia, Turismo, Secretaria da Avia\u00e7\u00e3o Civil e Secretaria de Portos, que, juntas, t\u00eam quase R$ 100 bilh\u00f5es previstos para o Or\u00e7amento de 2016.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros ajudam a ilustrar a preocupa\u00e7\u00e3o de auxiliares da presidente em rela\u00e7\u00e3o aos aliados. Avaliam que o PMDB pode at\u00e9 ser confi\u00e1vel para que o Planalto possa derrubar a chamada pauta-bomba no Congresso e aprovar a nova fase do ajuste fiscal, que prev\u00ea a volta da CPMF (o imposto do cheque) e de outros tributos. Mas os petistas receiam que, superados esses obst\u00e1culos, o aliado n\u00e3o se comprometa a evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Os mais c\u00e9ticos avaliam ainda que o PMDB planeja, na verdade, limpar a pauta-bomba e resolver o d\u00e9ficit no Or\u00e7amento justamente para ficar em condi\u00e7\u00f5es ainda melhores de governar o Pa\u00eds sem Dilma e o PT.<\/p>\n<p>Para os petistas, uma sinaliza\u00e7\u00e3o nesse sentido ocorreu na noite da quarta-feira passada, quando o vice-presidente Michel Temer, que preside o PMDB, participou de um jantar oferecido pelo l\u00edder do partido no Senado, Eun\u00edcio Oliveira (CE). Em diversos momentos ao longo da festa, Temer foi tratado como &#8220;futuro presidente&#8221;.<\/p>\n<p>Naquela altura, a reforma ministerial j\u00e1 estava praticamente definida e a amplia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o do PMDB sacramentada. Ainda, o tema principal do jantar foi a possibilidade de impedimento de Dilma. O anfitri\u00e3o do jantar n\u00e3o admite em p\u00fablico a possibilidade de a reforma ministerial fracassar e n\u00e3o ser suficiente para manter Dilma no Pal\u00e1cio do Planalto, por\u00e9m, reservadamente, &#8220;n\u00e3o aposta R$ 10 no governo&#8221;, afirma um de seus interlocutores.<\/p>\n<p>Ao ampliar as cadeiras do PMDB na Esplanada, e n\u00e3o desalojar outros aliados, a presidente tem agora, em tese, n\u00famero suficiente de votos para se manter no poder. Para barrar um pedido de impeachment, ela precisa de ao menos 172 dos 513 deputados. Na contabilidade do governo, Dilma j\u00e1 conta com 200.<\/p>\n<p>Um dirigente do PMDB disse ao Estado que, com as mudan\u00e7as no cora\u00e7\u00e3o do governo, a presidente colher\u00e1 frutos na pol\u00edtica porque os novos ministros &#8220;sabem usar o bambol\u00ea&#8221;. Era uma refer\u00eancia \u00e0 pe\u00e7a cor de rosa que Henrique Eduardo Alves, ent\u00e3o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara e hoje ministro do Turismo, deu a Dilma em 2008, quando ela chefiava a Casa Civil. &#8220;A gente achava que ela era muito dura, muito t\u00e9cnica, e precisava de jogo de cintura&#8221;, comentou Alves.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma ministerial deu f\u00f4lego \u00e0 presidente Dilma Rousseff, mas ela virou ref\u00e9m do PMDB e seus auxiliares temem que o partido cobre faturas cada vez mais altas para emprestar apoio ao Pal\u00e1cio do Planalto, se a crise n\u00e3o arrefecer. 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