{"id":71191,"date":"2015-10-12T06:54:54","date_gmt":"2015-10-12T09:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=71191"},"modified":"2015-10-12T17:33:27","modified_gmt":"2015-10-12T20:33:27","slug":"operacao-lava-jato-provoca-quebradeira-geral-medias-empresas-encabecam-a-lista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/operacao-lava-jato-provoca-quebradeira-geral-medias-empresas-encabecam-a-lista\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato provoca quebradeira geral; m\u00e9dias empresas encabe\u00e7am a lista"},"content":{"rendered":"<div class=\"not\">\n<p>O estrangulamento provocado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato na cadeia de \u00f3leo e g\u00e1s e de constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 engrossando a fila de companhias que requerem a recupera\u00e7\u00e3o judicial (RJ) este ano. At\u00e9 setembro, o volume de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o feitos por empresas de todos os segmentos j\u00e1 \u00e9 recorde e estima-se que os registros seguir\u00e3o em patamares hist\u00f3ricos pelo menos at\u00e9 o ano que vem.<\/p>\n<p>No setor de \u00f3leo e g\u00e1s, os pedidos de RJ atingiram 33 companhias entre janeiro e setembro, mais de 50% do total das empresas do segmento com faturamento acima de R$ 100 milh\u00f5es, segundo levantamento do Instituto Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o de Empresarial (INRE). Isso representa um crescimento de 12% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>Na cadeia de constru\u00e7\u00e3o, os pedidos este ano subiram 25% com 253 companhias nessa lista. Entre as maiores, com faturamento acima de 5 milh\u00f5es anuais, o n\u00famero de requerimentos de recupera\u00e7\u00e3o judicial avan\u00e7ou 35%, concentrados na regi\u00e3o sudeste (37%).<\/p>\n<p>&#8220;Esses setores s\u00e3o afetados pela falta de investimento, pela conjuntura e aus\u00eancia de interesse do estrangeiro em investir&#8221;, disse o desembargador do Tribunal da Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo e cofundador do INRE, Carlos Abr\u00e3o. Ele prev\u00ea um crescimento de 20% nos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial em ambas cadeias no ano que vem.<\/p>\n<p>O desembargador nota que muitas empreiteiras, ao inv\u00e9s de recorrer \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, t\u00eam trocado de raz\u00e3o social. Nesse grupo est\u00e3o as classificadas como grandes, que prestam servi\u00e7os municipais, principalmente no Estado de S\u00e3o Paulo, e que tem passivos trabalhistas e fiscais, como alternativa a um fechamento irregular, explica. Os maiores grupos e os citados na Lava Jato n\u00e3o comp\u00f5em essa estat\u00edstica.<\/p>\n<p>O segmento de \u00f3leo e g\u00e1s padece ainda da conjuntura global, com a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo contribuindo para o enxugamento das companhias exploradoras, o que implica corte e renegocia\u00e7\u00e3o de contratos de afretamento de navios-sonda. Profissional que atua em reestrutura\u00e7\u00e3o de empresas nota que uma nova leva desses equipamentos est\u00e1 chegando ao mercado, encomendados h\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos. Para ilustrar, o profissional diz que empresas como a Paragon, que opera navios-sonda para a Petrobras, j\u00e1 contratou assessores financeiros e deve entrar com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial no ano que vem nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As cadeias de constru\u00e7\u00e3o e \u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o, entretanto, parte de uma estat\u00edstica que abrange v\u00e1rios outros segmentos da economia brasileira. O INRE calcula em 1,115 mil pedidos feitos at\u00e9 setembro, um crescimento de 25% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Esse n\u00famero \u00e9 recorde, de acordo com o desembargador. &#8220;Incluindo todos os setores da economia, a tend\u00eancia \u00e9 de que o n\u00famero de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial e fal\u00eancias feitos desde 2005, quando entrou em vigor a nova lei, supere os 10 mil neste ano&#8221;, afirmou. &#8220;Se esta mesma curva se mantiver, chegaremos aos 15 mil em 2017&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, tamb\u00e9m considera que em 2016 haver\u00e1 um novo recorde. Em pesquisa divulgada nesta semana, o Serasa Experian constatou um aumento de 44,7% nos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial entre janeiro e setembro, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo intervalo de 2014, para 913, tamb\u00e9m o maior registrado desde a entrada em vigor da nova lei.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 dois fatores que prevalecem at\u00e9 o final do ano: recess\u00e3o e juro alto. Essa \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o ruim para as companhias, porque a recess\u00e3o prejudica a gera\u00e7\u00e3o de caixa e o juro alto torna a despesa financeira mais elevada&#8221;, observou o economista. &#8220;Essa condi\u00e7\u00e3o tende a continuar no ano que vem, porque n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que sairemos da recess\u00e3o em 2016&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora as micro e pequenas empresas liderem em n\u00famero de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial feitos este ano, o crescimento maior foi constatado entre as grandes empresas. De acordo com Rabi, foram os pedidos das grandes empresas, com faturamento anual acima de R$ 50 milh\u00f5es, respons\u00e1veis pela eleva\u00e7\u00e3o ao recorde do volume de requerimentos no acumulado de nove meses deste ano. &#8220;As grandes empresas devem continuar a puxar os n\u00fameros, porque al\u00e9m da quest\u00e3o macroecon\u00f4mica, existe o contexto da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que afeta as grandes e companhias de infraestrutura&#8221;, disse.<\/p>\n<p>As micro e pequenas empresas lideraram os requerimentos de recupera\u00e7\u00e3o judicial de janeiro a setembro de 2015, com 466 pedidos, seguidas pelas m\u00e9dias (277) e pelas grandes empresas (170). Enquanto o aumento nos pedidos feitos pelas micro e pequenas empresas no acumulado de 2015 foi de 34% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo intervalo de 2014, o das grandes companhias foi de 65%. &#8220;No total de pedidos requeridos, a participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas subiu de 16% para 19%&#8221;, observou Rabi.<\/p>\n<p>O desembargador Abr\u00e3o destacou ainda os \u00edndices de fechamento de lojas e de troca de raz\u00e3o social por empresas do setor de com\u00e9rcio e servi\u00e7o, que segundo ele, s\u00e3o os que mais s\u00e3o afetados pela atual crise. &#8220;O n\u00famero de fechamentos de lojas em shoppings j\u00e1 dobrou, subindo de 4% a 5% do total de estabelecimentos para mais de 10% este ano nos grandes centros, como os Estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;O des\u00e2nimo com as condi\u00e7\u00f5es da economia \u00e9 t\u00e3o grande que o custo em rela\u00e7\u00e3o ao benef\u00edcio de um processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, principalmente para empresas de servi\u00e7os e com\u00e9rcio, n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estrangulamento provocado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato na cadeia de \u00f3leo e g\u00e1s e de constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 engrossando a fila de companhias que requerem a recupera\u00e7\u00e3o judicial (RJ) este ano. 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