{"id":72308,"date":"2015-10-21T09:22:43","date_gmt":"2015-10-21T11:22:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=72308"},"modified":"2015-10-21T10:59:09","modified_gmt":"2015-10-21T12:59:09","slug":"crise-provoca-exodo-de-executivos-de-multinacionais-que-funcionam-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crise-provoca-exodo-de-executivos-de-multinacionais-que-funcionam-no-brasil\/","title":{"rendered":"Crise provoca \u00eaxodo de executivos de multinacionais que funcionam no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa que acompanha a mobilidade de funcion\u00e1rios em multinacionais no Brasil identificou um novo fen\u00f4meno: o aumento na transfer\u00eancia de profissionais do Brasil para outros pa\u00edses. O movimento tem uma raz\u00e3o b\u00e1sica. A crise econ\u00f4mica. A recess\u00e3o reduz a perspectiva de crescimento profissional no Brasil e frustra a receita das empresas, exigindo corte de custos.<\/p>\n<p>A pesquisa, conseguida em primeira m\u00e3o pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi respondida pela \u00e1rea de Recursos Humanos de 220 multinacionais instaladas no Pa\u00eds &#8211; tanto empresas estrangeiras com unidades no Brasil quanto empresas brasileiras com opera\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n<p>Tratam-se de grandes corpora\u00e7\u00f5es: 53% delas possuem mais de 10 mil funcion\u00e1rios e 76% t\u00eam sede fora do Brasil. O levantamento \u00e9 realizado pela Global Line, empresa de treinamento e consultoria especializada em desenvolvimento de equipes, em parceria com a Worldwide ERC, associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, que atua na gest\u00e3o global de talentos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o quarto ano que fazemos o levantamento no Brasil e esta \u00e9 a primeira vez que aparece um movimento de sa\u00edda do Pa\u00eds com esta intensidade&#8221;, diz Marcelo Ribeiro, s\u00f3cio da Global Line. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que \u00e9 reflexo da crise.&#8221;<\/p>\n<p>O dado que mais impressiona Ribeiro \u00e9 o verdadeiro \u00eaxodo de brasileiros. Nas multinacionais verde-amarelas, o n\u00famero de brasileiros que migrou e agora trabalha l\u00e1 fora aumentou em 65% entre 2014 e 2015. Mas houve um grande volume de sa\u00edda de estrangeiros tamb\u00e9m. Empresas estrangeiras instaladas aqui reduziram em 19% o n\u00famero de trabalhadores de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas raz\u00f5es b\u00e1sicas acirrando o movimento de sa\u00edda do Brasil, segundo Natacha La Farciola, analista de recursos humanos de uma grande montadora (o nome n\u00e3o pode ser divulgado a pedido da empresa) e presidente do Gadex, o Grupo de Expatriados, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 35 multinacionais para periodicamente discutir os grandes temas ligados \u00e0 gest\u00e3o global de talentos.<\/p>\n<p>A primeira raz\u00e3o \u00e9 que os profissionais mais qualificados n\u00e3o est\u00e3o vendo futuro no Pa\u00eds e buscam uma carreira internacional. &#8220;Uma viv\u00eancia no exterior pode render um aumento de sal\u00e1rio de 10% a 30%, al\u00e9m dos benef\u00edcios que se recebe, como casa, carro e b\u00f4nus&#8221;, diz Natacha.<\/p>\n<p>A outra raz\u00e3o, diz a executiva, \u00e9 que as empresas instaladas no Brasil est\u00e3o tentando economizar. Um expatriado n\u00e3o \u00e9 apenas mais caro &#8211; pode custar de duas a quatro vezes mais. Ele tamb\u00e9m \u00e9 pago pelo caixa do Pa\u00eds onde trabalha. &#8220;Ao transferi-lo, transfere-se tamb\u00e9m o custo.&#8221; Neste momento, em que a economia brasileira est\u00e1 em recess\u00e3o, a transfer\u00eancia permite o corte de custo e a preserva\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Pa\u00eds, por\u00e9m, perde talentos. No total, quase 1,5 mil profissionais qualificados deixaram o Brasil de 2014 para 2015. Na verdade, a fuga \u00e9 altamente qualificada, pois a debandada se deu principalmente entre t\u00e9cnicos especializados e integrantes da alta gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Para complicar ainda mais, um n\u00famero maior de funcion\u00e1rios bem formados mudou de vez. No ano passado, 55% das empresas utilizaram programas de expatriados para transfer\u00eancias definitivas. Neste ano, este n\u00famero passou para 73%. Entre os setores que mais utilizam este programa est\u00e3o o automotivo.<\/p>\n<p>&#8220;Tem mais brasileiros indo embora&#8221;, diz Ribeiro. &#8220;Em parte porque as pr\u00f3prias empresas est\u00e3o desmontando opera\u00e7\u00f5es aqui e se mudando para pa\u00edses mais competitivos, como EUA, onde a energia mais barata viabiliza a produ\u00e7\u00e3o industrial.&#8221;<\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7a &#8211;\u00a0<\/b>Hoje, muitas empresas brasileiras est\u00e3o vendo mais chances de crescer l\u00e1 fora do que internamente. Um exemplo \u00e9 a CI&amp;T, provedora de servi\u00e7os de tecnologia de Campinas (SP). Segundo C\u00e9sar Gon, fundador da companhia, a empresa j\u00e1 tem 30% de sua receita, que deve chegar a R$ 330 milh\u00f5es em 2015, vinda da opera\u00e7\u00e3o nos EUA. E o objetivo \u00e9 ampliar ainda mais a fatia estrangeira, com uma forte aposta no mercado chin\u00eas.<\/p>\n<p>Gon diz que \u00e9 necess\u00e1rio levar brasileiros para abrir a opera\u00e7\u00e3o. Nos EUA, onde a empresa est\u00e1 presente h\u00e1 mais de dez anos, 60% da equipe ainda \u00e9 verde-amarela. O empres\u00e1rio diz que os funcion\u00e1rios que se mostram dispostos a ir para o exterior est\u00e3o adotando uma nova atitude com a crise atual. &#8220;Agora, as pessoas querem ir e ficar l\u00e1 fora por um bom tempo.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa que acompanha a mobilidade de funcion\u00e1rios em multinacionais no Brasil identificou um novo fen\u00f4meno: o aumento na transfer\u00eancia de profissionais do Brasil para outros pa\u00edses. O movimento tem uma raz\u00e3o b\u00e1sica. A crise econ\u00f4mica. 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