{"id":74134,"date":"2015-11-01T14:38:52","date_gmt":"2015-11-01T16:38:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=74134"},"modified":"2015-11-01T21:11:11","modified_gmt":"2015-11-01T23:11:11","slug":"planalto-cria-brasil-da-crise-e-devolve-33-milhoes-as-classes-d-e-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/planalto-cria-brasil-da-crise-e-devolve-33-milhoes-as-classes-d-e-e\/","title":{"rendered":"Planalto cria Brasil da crise e devolve 3,3 milh\u00f5es de pessoas para as classes D e E"},"content":{"rendered":"<p>A recess\u00e3o derrubou parte da nova classe m\u00e9dia, a popula\u00e7\u00e3o da classe C, para a base da pir\u00e2mide social. Entre 2006 e 2012, no boom do consumo, 3,3 milh\u00f5es de fam\u00edlias subiram um degrau, das classes D\/E para a classe C, segundo um estudo da Tend\u00eancias Consultoria Integrada. Eles come\u00e7aram a ter acesso a produtos e servi\u00e7os que antes n\u00e3o cabiam no seu bolso, como plano de sa\u00fade, ensino superior e carro zero. Agora, afetadas pelo aumento do desemprego e da infla\u00e7\u00e3o, essas fam\u00edlias come\u00e7am a fazer o caminho de volta.<\/p>\n<p>De 2015 a 2017, 3,1 milh\u00f5es de fam\u00edlias da classe C, ou cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas, devem cair e engordar a classe D\/E, aponta o estudo. &#8220;A mobilidade que houve em sete anos (de 2006 a 2012) deve ser praticamente anulada em tr\u00eas (de 2015 a 2017). Estamos vivendo, infelizmente, o advento da ex-nova classe C&#8221;, diz o economista Adriano Pitoli, s\u00f3cio da consultoria e respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<p>Para projetar esse n\u00famero, Pitoli considerou que, entre 2015 e 2017, a economia deve recuar 0,7% ao ano; a massa real de rendimentos, que inclui renda do trabalho, Previd\u00eancia e Bolsa Fam\u00edlia, vai cair 1,2% ao ano, e o desemprego deve dar um salto, atingindo 9,3% da popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar em dezembro de 2017 &#8211; o maior n\u00edvel em 13 anos. Segundo o estudo, a classe C \u00e9 formada por fam\u00edlias com renda mensal entre R$ 1.958 e R$ 4.720 e a classe D\/E por aquelas com rendimento mensal de at\u00e9 R$1.957<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a primeira queda da classe C em n\u00famero de fam\u00edlias desde 2003 e o primeiro ano de crescimento expressivo da classe D\/E&#8221;, diz Pitoli. S\u00f3 neste ano, a classe D\/E vai ser ampliada em cerca de 1,5 milh\u00e3o de fam\u00edlias; em 1,1 milh\u00e3o em 2016 e em 454 mil em 2017. &#8220;Grande parte dessas fam\u00edlias est\u00e1 fazendo o caminho de volta, vieram da classe C&#8221;, diz Pitoli. Mas ele pondera que outra parcela \u00e9 de novas fam\u00edlias formadas dentro da pr\u00f3pria classe D\/E.<\/p>\n<p>O economista diz que as pesquisas do IBGE, base da proje\u00e7\u00e3o, n\u00e3o permitem saber quanto \u00e9 cada parcela, uma vez que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o acompanha fam\u00edlia a fam\u00edlia. &#8220;Mas, naturalmente, a mudan\u00e7a de composi\u00e7\u00e3o tem a ver com as migra\u00e7\u00f5es (de uma classe para outra).&#8221;<\/p>\n<p>Para o economista Mauro Rochlin, professor de MBAs da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), os fatores que estariam levando parte das fam\u00edlias de classe C a retornar ao estrato de origem s\u00e3o a alta impressionante no n\u00famero de desempregados, o fechamento de vagas, o sal\u00e1rio m\u00e9dio real que parou de subir e o cr\u00e9dito mais caro e restrito. &#8220;Tudo isso conspira a favor da ideia de que estaria havendo essa migra\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Maur\u00edcio de Almeida Prado, s\u00f3cio-diretor do Plano CDE, consultoria com foco na baixa renda, aponta que a faixa mais vulner\u00e1vel \u00e0 recess\u00e3o \u00e9 a baixa classe C, uma vez que 50% dela est\u00e3o na informalidade. &#8220;A classe m\u00e9dia baixa tem maior risco de voltar atr\u00e1s. Ela tem pouca escolaridade, sente muito a queda da economia pelo emprego informal, quase nenhuma poupan\u00e7a e uma rede de contatos limitada para obter emprego.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica<\/strong> &#8211;\u00a0Myrian Lund, professora da FGV e planejadora financeira, que orienta por meio de um site fam\u00edlias que precisam reestruturar as finan\u00e7as, diz que a perda de poder aquisitivo da classe C afeta tanto empregados como desempregados. No caso dos empregados, ela diz que est\u00e3o muito endividados, pois pegaram empr\u00e9stimo com desconto em folha (consignado). Apesar de o juro dessa linha de cr\u00e9dito ser menor, hoje a presta\u00e7\u00e3o do financiamento est\u00e1 pesando mais no bolso dessas fam\u00edlias, j\u00e1 que, em meio \u00e0 recess\u00e3o, o sal\u00e1rio n\u00e3o ter\u00e1 aumento acima da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Prado, da Plano CDE, ainda que essas fam\u00edlias tenham queda de renda, elas configuram uma classe baixa diferente, pela experi\u00eancia adquirida com a ascens\u00e3o. &#8220;\u00c9 um novo tipo de classe baixa: mais conectada, escolarizada e de certa forma at\u00e9 mais preparada.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recess\u00e3o derrubou parte da nova classe m\u00e9dia, a popula\u00e7\u00e3o da classe C, para a base da pir\u00e2mide social. 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