{"id":74910,"date":"2015-11-05T09:16:36","date_gmt":"2015-11-05T11:16:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=74910"},"modified":"2015-11-05T17:15:57","modified_gmt":"2015-11-05T19:15:57","slug":"pedaladas-e-agora-petrobras-viram-armas-do-tcu-contra-o-planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pedaladas-e-agora-petrobras-viram-armas-do-tcu-contra-o-planalto\/","title":{"rendered":"Pedaladas, e agora negociatas na Petrobras, s\u00e3o as armas do TCU contra o Planalto"},"content":{"rendered":"<p>O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) far\u00e1 nova fiscaliza\u00e7\u00e3o para analisar a responsabilidade do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras em rela\u00e7\u00e3o a atrasos e decis\u00f5es que prejudicaram as obras e levaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o e a preju\u00edzos bilion\u00e1rios verificados nas refinarias Premium I e II, que seriam constru\u00eddas no Nordeste. A decis\u00e3o foi comunicada ontem pelo ministro-relator, Jos\u00e9 M\u00facio, e implica questionar diretamente a presidente Dilma Rousseff, que presidiu o conselho da estatal entre 2003 e 2010.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e3o fiscalizadas a refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A nova investida do TCU ocorre justamente no momento em que o Pal\u00e1cio do Planalto atua no Congresso para aprovar suas contas, reprovadas pelo tribunal no m\u00eas passado e que podem levar \u00e0 abertura de um pedido de impeachment.<\/p>\n<p>De acordo com o TCU, a primeira vez que o projeto de investimento nas refinarias Premium apareceu no plano de neg\u00f3cios da Petrobras foi no planejamento do per\u00edodo 2007-2011, durante a gest\u00e3o de Dilma no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O TCU n\u00e3o menciona o nome de nenhum dos integrantes do conselho no processo. Mas, em 2006, o comit\u00ea contava com os ent\u00e3o ministros Silas Rondeau (Minas e Energia) e Guido Mantega (Fazenda), o ent\u00e3o presidente da estatal, Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli, o general Gleuber Vieira, al\u00e9m dos executivos Arthur Sendas, Roger Agnelli, F\u00e1bio Barbosa e Jorge Gerdau.<\/p>\n<p><b>Preju\u00edzo &#8211;\u00a0<\/b>Em seu balan\u00e7o patrimonial de 2014, a Petrobras registrou preju\u00edzo cont\u00e1bil de R$ 2,8 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos dois projetos previstos para serem erguidos no Maranh\u00e3o (Premium I) e no Cear\u00e1 (Premium II). Jos\u00e9 M\u00facio afirmou que \u00e9 preciso apurar a &#8220;omiss\u00e3o&#8221; do conselho em seu dever legal de fiscalizar a gest\u00e3o e atos da diretoria executiva no per\u00edodo, que levou ao preju\u00edzo apontado.<\/p>\n<p>&#8220;A responsabiliza\u00e7\u00e3o de integrantes de conselhos de administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada a condutas omissas ou negligentes, sobretudo quando h\u00e1 falha no dever de vigia, exige-se que ocorra o acompanhamento dos atos da diretoria executiva com enfoque amplo, tendo como objeto, por exemplo, o atingimento de metas globais e a estrat\u00e9gia da companhia&#8221;, declarou M\u00facio em seu voto<\/p>\n<p>O tribunal decidiu realizar oitiva com a Petrobras para que, no prazo de 15 dias, se manifeste sobre os ind\u00edcios de irregularidades nas obras e omiss\u00f5es do conselho. Segundo o TCU, os dados dispon\u00edveis apontam que, mesmo diante de um aumento dos riscos, a diretoria executiva da Petrobras aprovou proposta recebida da \u00e1rea de abastecimento da estatal, que era chefiada por Paulo Roberto Costa, e autorizou o avan\u00e7o nas obras sem a devida an\u00e1lise de outros setores, como previsto &#8220;na Sistem\u00e1tica de Aprova\u00e7\u00e3o de Projetos e Investimento da Petrobras&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A an\u00e1lise de dados dispon\u00edveis nessa fase preliminar do processo permite afirmar que, na pr\u00e1tica, autorizou-se a continuidade do projeto sem que fossem revistas quest\u00f5es essenciais&#8221;, disse M\u00facio. &#8220;Havia sinais fortes de que n\u00e3o fossem efetivamente aproveitados no futuro as despesas com projetos e com terraplenagem.&#8221;<\/p>\n<p>O TCU vai pedir ainda \u00e0 Pol\u00edcia Federal e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico informa\u00e7\u00f5es sobre poss\u00edveis pr\u00e1ticas de crime por membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o ou Diretoria Executiva, relacionadas \u00e0s refinarias Premium, apuradas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. &#8220;O intuito \u00e9 verificar se houve descumprimento do dever de lealdade, previsto na Lei das S.A.&#8221;, declarou M\u00facio.<\/p>\n<p><b>Contratos &#8211;\u00a0<\/b>O TCU tamb\u00e9m instaurou outro processo para cobrar a devolu\u00e7\u00e3o de valores atrelados a irregularidades cometidas entre Petrobras e Odebrecht em contrato de servi\u00e7os de seguran\u00e7a, meio ambiente e sa\u00fade prestados em empresas da estatal no exterior.<\/p>\n<p>S\u00e3o alvos nesse processo os ex-presidentes da Petrobras Jos\u00e9 Sergio Gabrielli e Gra\u00e7a Foster, al\u00e9m dos ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa, Almir Guilherme Barbassa, Renato Duque, Guilherme Estrella e Jorge Zelada. O TCU decidiu instaurar um processo de tomada de contas especial (TCE), recurso s\u00f3 utilizado quando as ocorr\u00eancias de superfaturamento est\u00e3o praticamente comprovadas e pelo qual se cobra a devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo o relator do processo, ministro Vital do R\u00eago, devem ser feitas as dilig\u00eancias &#8220;para a completa quantifica\u00e7\u00e3o do dano. No relat\u00f3rio, o tribunal aponta que a pr\u00f3pria Petrobras reconhece que tem direito a um cr\u00e9dito de US$ 3,7 milh\u00f5es pela Odebrecht, por servi\u00e7os que, segundo a empresa, n\u00e3o teriam ocorrido. A Odebrecht, no entanto, nega a cobran\u00e7a da Petrobras e diz que \u00e9 ela que tem direito a receber US$ 81,7 milh\u00f5es da estatal. Por causa desse impasse, a\u00e7\u00f5es judiciais de cobran\u00e7a foram movidas pelas empresas.<\/p>\n<p>Gabrielli \u00e9 apontado no processo porque, segundo o TCU, aprovou a contrata\u00e7\u00e3o da Odebrecht em licita\u00e7\u00e3o que restringia a competi\u00e7\u00e3o com outras empresas, al\u00e9m de n\u00e3o possuir processo b\u00e1sico adequado em outras irregularidades. As mesmas improbidades dever\u00e3o ser explicadas pela ex-presidente Gra\u00e7a Foster. O TCU deu prazo de 15 dias para as defesas.<\/p>\n<p>&#8220;Todos esses fatos me levam a crer que as decis\u00f5es relacionadas a tal contrata\u00e7\u00e3o unificada, com prazo ex\u00edguo, prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o e sem projetos adequadamente esquadrinhados, limitaram a competitividade da licita\u00e7\u00e3o e podem ter afastado o interesse de outro competidores&#8221;, afirmou Vital do R\u00eago em seu voto.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Sergio Gabrieli e Gra\u00e7a Foster negam ter cometido irregularidades em suas gest\u00f5es no comando da Petrobras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) far\u00e1 nova fiscaliza\u00e7\u00e3o para analisar a responsabilidade do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobras em rela\u00e7\u00e3o a atrasos e decis\u00f5es que prejudicaram as obras e levaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o e a preju\u00edzos bilion\u00e1rios verificados nas refinarias Premium I e II, que seriam constru\u00eddas no Nordeste. 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