{"id":75403,"date":"2015-11-09T10:24:51","date_gmt":"2015-11-09T12:24:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=75403"},"modified":"2015-11-09T11:31:43","modified_gmt":"2015-11-09T13:31:43","slug":"morte-de-mulher-negra-no-brasil-supera-em-67-o-numero-de-mortes-de-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/morte-de-mulher-negra-no-brasil-supera-em-67-o-numero-de-mortes-de-brancas\/","title":{"rendered":"Mortes de mulheres negras no Brasil superam em 67% o n\u00famero de mortes de brancas"},"content":{"rendered":"<p>Em um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do Mapa da Viol\u00eancia 2015, que ser\u00e1 divulgado nesta segunda-feira pela Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), e que, nesta edi\u00e7\u00e3o, foca na viol\u00eancia de g\u00eanero no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo foi considerado inovador pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, ao revelar a &#8220;combina\u00e7\u00e3o cruel&#8221; que se estabelece entre racismo e sexismo: em uma d\u00e9cada (a pesquisa abarca o per\u00edodo de 2003 a 2013), os feminic\u00eddios contra negras aumentaram 54%, ao passo que o \u00edndice de mortes violentas de mulheres brancas diminuiu 9,8%.<\/p>\n<p>No total, em 2013, 4.762 mulheres foram assassinadas no Pa\u00eds, posicionando-o no quinto lugar no mundo &#8211; s\u00f3 est\u00e1 melhor que El Salvador, Col\u00f4mbia, Guatemala e Federa\u00e7\u00e3o Russa. Foram 13 homic\u00eddios femininos por dia: uma mulher morta a cada 1h50min. \u00c9 o equivalente a exterminar todas as mulheres em 12 munic\u00edpios do porte de Bor\u00e1 (SP) ou Serra da Saudade (MG), que t\u00eam menos de 400 habitantes do sexo feminino.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres negras est\u00e3o expostas \u00e0 viol\u00eancia direta, que lhes vitima fatalmente nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, e indireta, \u00e0quela que atinge seus filhos e pessoas pr\u00f3ximas. \u00c9 uma realidade di\u00e1ria, marcada por trajet\u00f3rias e situa\u00e7\u00f5es muito duras e que elas enfrentam, na maioria das vezes, sozinhas&#8221;, diz Nadine.<\/p>\n<p>Os dados, julga ela, denunciam uma &#8220;b\u00e1rbara faceta do racismo&#8221;, sendo urgente acelerar respostas institucionais concretas em favor das mulheres negras. O Dia da Consci\u00eancia Negra, celebrado no dia 20, motivou a escolha do m\u00eas de lan\u00e7amento da pesquisa.<\/p>\n<p>O Mapa da Viol\u00eancia conclui que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 v\u00edtima priorit\u00e1ria da viol\u00eancia homicida no Brasil, enquanto as taxas de feminic\u00eddio contra a popula\u00e7\u00e3o branca tendem, historicamente, a cair. Em uma d\u00e9cada, o \u00edndice de vitimiza\u00e7\u00e3o das negras &#8211; c\u00e1lculo que resulta da rela\u00e7\u00e3o entre as taxas de mortalidade de ambas as ra\u00e7as &#8211; cresceu 190,9% em todo o Pa\u00eds, n\u00famero que ultrapassa os 300% em alguns Estados, como Amap\u00e1, Par\u00e1 e Pernambuco.<\/p>\n<p><b>Diferen\u00e7as entre Estados &#8211;\u00a0<\/b>Os Estados com maiores taxas de feminic\u00eddio de negras s\u00e3o Esp\u00edrito Santo, Acre e Goi\u00e1s. O n\u00famero de mulheres negras assassinadas s\u00f3 diminuiu em Rond\u00f4nia e em S\u00e3o Paulo. Nem a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006, foi capaz de encolher a estat\u00edstica. Depois da promulga\u00e7\u00e3o da lei, apenas cinco Estados registraram queda nas taxas.<\/p>\n<p>A vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras veio em uma escalada \u00edngreme entre 2003 e 2012, mas sofreu queda em 2013. Ainda \u00e9 cedo para comemorar, no entanto. Conforme os procedimentos metodol\u00f3gicos do Mapa da Viol\u00eancia, esse aspecto s\u00f3 se configura como real tend\u00eancia se houver tr\u00eas anos consecutivos de diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Servidora p\u00fablica e membro do coletivo Pretas Candangas, de Bras\u00edlia, Daniela Luciana ressalta que h\u00e1 um tipo de viol\u00eancia contra a mulher negra que n\u00e3o pode ser mensurada em n\u00fameros: a simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>&#8220;Somos violentadas desde a hora em que acordamos at\u00e9 a hora de dormir, por conta do estere\u00f3tipo, da invisibilidade e da pouca presen\u00e7a em espa\u00e7os de poder&#8221;, afirma Daniela. O grupo organiza para o dia 18, na capital federal, a Marcha das Mulheres Negras, pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n<p><b>Ambiente dom\u00e9stico &#8211;\u00a0<\/b>O Mapa da Viol\u00eancia revela, ainda, que 55% dos crimes de viol\u00eancia de g\u00eanero no Brasil foram cometidos no ambiente dom\u00e9stico &#8211; e que 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das v\u00edtimas. Isso significa que, a cada 10 mulheres com mais de 18 anos, quatro foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros, que usaram, com maior preval\u00eancia, for\u00e7a f\u00edsica ou objeto cortante. As armas de fogo s\u00e3o mais comuns nos assassinatos de homens.<\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, que ocorre em diversas regi\u00f5es do Pa\u00eds e do mundo. Divulgar dados e estudos sobre esse tema ajuda a compreender a dimens\u00e3o do problema e p\u00f4r fim a esta pr\u00e1tica&#8221;, afirma o representante da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade\/Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (Opas\/OMS) no Brasil, Joaqu\u00edn Molina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do Mapa da Viol\u00eancia 2015, que ser\u00e1 divulgado nesta segunda-feira pela Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), e que, nesta edi\u00e7\u00e3o, foca na viol\u00eancia de g\u00eanero no Pa\u00eds. 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