{"id":76060,"date":"2015-11-13T02:15:05","date_gmt":"2015-11-13T04:15:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=76060"},"modified":"2016-07-30T16:52:12","modified_gmt":"2016-07-30T19:52:12","slug":"escravos-exodo-mar-vermelho-onde-e-mitologia-e-onde-ha-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escravos-exodo-mar-vermelho-onde-e-mitologia-e-onde-ha-verdade\/","title":{"rendered":"Escravos, \u00eaxodo, Mar Vermelho. O que na hist\u00f3ria separa mitologia e realidade?"},"content":{"rendered":"<p>Uma das principais figuras religiosas do mundo, o profeta Mois\u00e9s e sua hist\u00f3ria fundamentam h\u00e1 s\u00e9culos a f\u00e9 de bilh\u00f5es de pessoas &#8211; e intrigam cientistas em igual medida.\u00a0A B\u00edblia diz que Mois\u00e9s foi escolhido por Deus para liderar a sa\u00edda dos hebreus do Egito, onde eram escravos, rumo \u00e0 terra prometida de Cana\u00e3. Ap\u00f3s o reino ser atingido pelas dez pragas, o fara\u00f3 Rams\u00e9s 2\u00ba admite sua liberta\u00e7\u00e3o, pedida por Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Durante o \u00eaxodo, um dos momentos mais marcantes, segundo o relato b\u00edblico, \u00e9 a abertura do mar Vermelho pelo profeta para que seu povo fugisse da persegui\u00e7\u00e3o do fara\u00f3, que havia se arrependido de sua decis\u00e3o. \u00c9 nesta jornada que Mois\u00e9s recebe de Deus as t\u00e1buas dos dez mandamentos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s vagar 40 anos no deserto, os hebreus chegam a seu destino, mas Mois\u00e9s falece no fim do caminho, depois de avistar Cana\u00e3 ao longe.<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria est\u00e1 na base n\u00e3o s\u00f3 do Cristianismo, como tamb\u00e9m do Juda\u00edsmo, e Mois\u00e9s tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido pelo Islamismo e outras religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m inspirou diversas interpreta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas no cinema, no teatro e na televis\u00e3o. Entre as produ\u00e7\u00f5es mais recentes, est\u00e1 o filme \u00caxodo: Deuses e Reis (2014), dirigido por Ridley Scott. Atualmente no ar, a novela Os Dez Mandamentos, da TV Record, vem atraindo o interesse do p\u00fablico brasileiro e obtendo altos \u00edndices de audi\u00eancia para a emissora.<\/p>\n<p>De forma in\u00e9dita, o folhetim foi l\u00edder de audi\u00eancia na Grande S\u00e3o Paulo durante a exibi\u00e7\u00e3o de todo o cap\u00edtulo em que Mois\u00e9s abre o mar Vermelho, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, com pico de 31 pontos no Ibope e m\u00e9dia de 28,1 pontos (cada ponto equivale a 67 mil domic\u00edlios), tornando-se o programa mais visto no pa\u00eds neste dia.<\/p>\n<p>Estes resultados fizeram a Record anunciar uma segunda novela b\u00edblica para substituir a atual produ\u00e7\u00e3o e uma continua\u00e7\u00e3o de Os Dez Mandamentos para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Mas seria o texto b\u00edblico fic\u00e7\u00e3o ou um reflexo de fatos hist\u00f3ricos? Seus acontecimentos t\u00eam correspond\u00eancia em registros hist\u00f3ricos desta sociedade antiga? Quais evid\u00eancias foram encontradas em investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas realizadas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/p>\n<p><strong>Mois\u00e9s<\/strong> &#8211;\u00a0Mois\u00e9s era hebreu, mas n\u00e3o escravo, segundo a B\u00edblia, porque foi encontrado em um cesto em rio pela filha do fara\u00f3, que o adotou.<\/p>\n<p>O egiptol\u00f3logo Jim Hoffmeier, autor de Israel Antigo no Sinai (Oxford University Press, 2005) explica que esta pr\u00e1tica era comum no Egito Antigo e que persiste de certa forma at\u00e9 os dias de hoje. &#8220;Era uma forma antiga de colocar uma crian\u00e7a \u00e0 merc\u00ea do destino determinado pelos deuses. Hoje, colocamos beb\u00eas em cestos e os deixamos na porta de igrejas&#8221;, afirma Hoffmeier.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da primeira inf\u00e2ncia de Mois\u00e9s ainda compartilha muitas semelhan\u00e7as com um antigo mito da Babil\u00f4nia de um rei chamado Sargon, que foi encontrado em um cesto boiando em um rio.<\/p>\n<p>Entre 600 e 300 a.C., escribas judeus em Jerusal\u00e9m registraram as lendas e hist\u00f3rias antigas de seu povo, para que fossem passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles teriam se baseado no mito de Sargon para criar a hist\u00f3ria de Mois\u00e9s? \u00c9 uma teoria poss\u00edvel, pois os judeus foram capturados pelos babil\u00f4nios em 587 a.C e mantidos em ex\u00edlio por algum tempo. Neste momento, o mito de Sargon poderia ter servido de base para o relato sobre o profeta.<\/p>\n<p>Hoffmeier ainda explica que seria normal a ado\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s pela filha do rei. Registros deixados pelos fara\u00f3s mostram que os pal\u00e1cios tinham creches onde os filhos da realeza eram educados e que crian\u00e7as estrangeiras tamb\u00e9m eram trazidas para participar.<\/p>\n<p>&#8220;Nesta \u00e9poca em que supomos que viveu Mois\u00e9s, crian\u00e7as que n\u00e3o faziam parte da nobreza passaram a poder integrar estas institui\u00e7\u00f5es, assim como os filhos de reis estrangeiros, que eram levados para elas para aprender a ler e escrever&#8221;, diz Hoffmeier.<\/p>\n<p>Teria sido simples para filha do fara\u00f3, segundo o especialista, colocar um beb\u00ea encontrado por ela em uma destas creches.<\/p>\n<p>Estudiosos do tema ainda questionam se os hebreus eram de fato escravos neste per\u00edodo do Egito Antigo, pois, al\u00e9m do texto b\u00edblico, n\u00e3o existe provas hist\u00f3ricas ou arqueol\u00f3gicas disso.<\/p>\n<p>&#8220;Havia semitas, alguns dos quais poderiam chamar a si mesmos de hebreus, que faziam parte de grupos de trabalho. Eles n\u00e3o eram propriedade de um indiv\u00edduo. Eles viviam em vilarejos de trabalhadores&#8221;, afirma Carol Meyes, professora de estudos b\u00edblicos da Universidade Duke, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O rabino Burton L. Visotzky, professor do Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Judaico, em Nova York, afirma que, apesar da B\u00edblia determinar claramente que os hebreus eram escravos que foram libertados, &#8220;h\u00e1 muito pouca evid\u00eancia desta escravid\u00e3o&#8221; al\u00e9m deste texto.<\/p>\n<p>&#8220;A li\u00e7\u00e3o final do (livro b\u00edblico) \u00caxodo \u00e9 que a liberdade vem da aceita\u00e7\u00e3o da soberania de Deus.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Pragas<\/strong> &#8211; Na B\u00edblia, as dez pragas s\u00e3o um ato de Deus, que age por meio da natureza. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p>As \u00e1guas do rio Nilo viram sangue;R\u00e3s cobrem a terra;Piolhos atormentam a popula\u00e7\u00e3o;Moscas escurecem os c\u00e9us;O gado morre;Chagas afligem homens e animais;Uma chuva de granizo destr\u00f3i planta\u00e7\u00f5es;Nuvens de gafanhotos consomem cultivos;Trevas encobrem o Sol por tr\u00eas dias;Os primog\u00eanitos morrem.Especialistas de diversas \u00e1reas, como climatologistas, ocean\u00f3grafos e vulcan\u00f3logos, sugerem haver evid\u00eancias de uma s\u00e9rie de eventos naturais que poderiam explicar estas pragas.<\/p>\n<p>O epidemiologista especializado em desastres naturais John Marr, autor de um artigo sobre o assunto publicado nojornal americano New York Times, que que serviu de base para um document\u00e1rio da BBC, acredita que as pragas podem ter sido causadas pela prolifera\u00e7\u00e3o de um micro-organismo, o Pfiesteria piscicida, nas \u00e1guas do Nilo, o que teria envenenado os peixes e levado uma s\u00e9rie de eventos tr\u00e1gicos.<\/p>\n<p>Esta teoria explica as seis primeiras pragas. Em 1999, ocorreu uma cat\u00e1strofe ambiental na cidade americana de New Burn, no Estado da Carolina do Norte. Ao acordar, seus habitantes viram que um rio local haviam ficado vermelho.<\/p>\n<p>Mais de um bilh\u00e3o de peixes morreram. Pessoas que trabalhavam pr\u00f3ximo do curso d&#8217;\u00e1gua ficaram cobertas por feridas.<\/p>\n<p>A causa foi polui\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s milh\u00f5es de litros de excrementos dos animais serem despejados na \u00e1gua em uma fazenda de porcos localizada \u00e0 beira do rio. A contamina\u00e7\u00e3o causou uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no Pfiesteria, que fez com que o micro-organismo passasse de in\u00f3cuo a letal.<\/p>\n<p>Para Marr, o micro-organismo teria matado os peixes, o que teria feito com que o rio assumisse um tom avermelhado. A polui\u00e7\u00e3o teria for\u00e7ado as r\u00e3s a invadir a terra, onde elas morreriam, gerando uma multiplica\u00e7\u00e3o de moscas e piolhos &#8211; que teriam perdido seus predadores naturais. Por sua vez, as moscas poderiam ter transmitido doen\u00e7as virais para os animais, levando-os \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O cientista ainda aponta que &#8220;pragas&#8221; como gafanhotos e chuvas de granizo continuam a assolar o Oriente M\u00e9dio at\u00e9 hoje. O golpe final &#8211; a morte dos primog\u00eanitos &#8211; poderia ser um resultado direto da combina\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o local e tentativas de lidar com as outras pragas.<\/p>\n<p>Os cultivos que resistiram aos gafanhotos e ao granizo poderiam ter sido colhidos e armazenados ainda \u00famidos, criando as condi\u00e7\u00f5es perfeitas para a prolifera\u00e7\u00e3o de toxinas mortais. Em uma posi\u00e7\u00e3o social privilegiada, os primog\u00eanitos teriam sido alimentados com duas por\u00e7\u00f5es dos gr\u00e3os contaminados.<\/p>\n<p>Outra teoria d\u00e1 conta de que as pragas teriam sido causadas pela erup\u00e7\u00e3o de um vulc\u00e3o. Em maio de 1980, o monte Santa Helena, no noroeste dos Estados Unidos, entrou em erup\u00e7\u00e3o, matando tudo em um raio de quase 38 km. As cinzas expelidas na atmosfera ainda escureceram os c\u00e9us num raio de 160 km.<\/p>\n<p>Marr argumenta que cinzas de um vulc\u00e3o poderiam ter dado in\u00edcio a uma prolifera\u00e7\u00e3o de algas, com efeito t\u00f3xico, no rio Nilo, desencadeando os mesmos eventos que teriam sido causados pelo Pfisteria.<\/p>\n<p>Esta teoria parece fr\u00e1gil diante do fato de n\u00e3o existirem vulc\u00f5es ativos no Egito, mas a ilha grega de Santorini fica a 800 km ao norte do delta do Nilo. No s\u00e9culo 16 a.C., a ilha foi destru\u00edda por uma grande erup\u00e7\u00e3o, milhares de vezes mais potente que uma bomba nuclear e uma das mais fortes dos \u00faltimos 10 mil anos.<\/p>\n<p>Os efeitos deste evento poderiam ter atingido o Egito? Quando a erup\u00e7\u00e3o ocorreu, o vento soprava na dire\u00e7\u00e3o sudeste, rumo ao reino eg\u00edpcio. Amostras das cinzas foram coletadas do fundo do oceano, e sua maior concentra\u00e7\u00e3o foi encontrada na dire\u00e7\u00e3o do delta do Nilo.<\/p>\n<p>O ocean\u00f3grafo Jean-Daniel Stanley, do Instituto Smithsonian, em Washington, nos Estados Unidos, coletou amostras de lama e lodo para verificar se as cinzas teriam chegado t\u00e3o longe e identificou no Egito fragmentos vulc\u00e2nicos ligados a esta erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Deve ter sido uma experi\u00eancia aterrorizante. Primeiro, teria sido ouvida a explos\u00e3o. Depois, as pessoas teriam sentido a queda das cinzas jogadas no ar&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Mas como isso poderia ter levado \u00e0s pragas? Mike Rampino, especialista em modelos climatol\u00f3gicos da New York University, simulou com a ajuda de um programa de computador os efeitos da erup\u00e7\u00e3o em Santorini.<\/p>\n<p>Suas cinzas teriam bloqueado o Sol e levado a escurid\u00e3o ao delta do Nilo. Isso teria sido acompanhado por eventos clim\u00e1ticos adversos relacionados a erup\u00e7\u00f5es, como tempestades de raios e granizo.<\/p>\n<p>A erup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teria levado a uma queda de 2\u00baC na temperatura, o que teria reduzido as chuvas e feito o n\u00edvel dos rios baixar e sua \u00e1gua se estagnar. Junto com minerais t\u00f3xicos das cinzas trazidos pela chuva, isso teria provocado um grande impacto no Nilo e gerado as condi\u00e7\u00f5es ideais para a prolifera\u00e7\u00e3o de pragas.<\/p>\n<p><strong>\u00caxodo<\/strong> &#8211;\u00a0Segundo a B\u00edblia, quando os hebreus deixaram o Egito, o fara\u00f3 mudou de ideia e enviou 600 bigas para perseguir os escravos. Este n\u00famero seria um exagero b\u00edblico?<\/p>\n<p>Em 1997, no s\u00edtio arqueol\u00f3gico onde ficava a cidade de Rams\u00e9s 2\u00ba, arque\u00f3logos descobriram as funda\u00e7\u00f5es de um est\u00e1bulo, com espa\u00e7o suficiente para ao menos 500 cavalos e suas bigas.<\/p>\n<p>O texto b\u00edblico diz ainda que Deus guiou os hebreus em sua jornada com uma coluna de fuma\u00e7a durante o dia e de fogo \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Se este \u00eaxodo ocorreu no s\u00e9culo 16 a.C., estas colunas poderiam ser explicadas pela erup\u00e7\u00e3o em Santorini?<\/p>\n<p>Apesar da ilha grega estar a 800 km de dist\u00e2ncia, a coluna de fuma\u00e7a sa\u00edda do vulc\u00e3o poderia ter atingido at\u00e9 64 km de altura acima do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>O climatologista Mike Rampino diz que isso permitiria que ela fosse vista desde o Egito. Durante p dia, as cinzas poderiam ter sido confundidas com fuma\u00e7a e, \u00e0 noite, a eletricidade est\u00e1tica na atmosfera poderia ter gerado raios no c\u00e9u.<\/p>\n<p><strong>Travessia<\/strong> &#8211;\u00a0Trata-se do epis\u00f3dio mais famoso &#8211; e controverso &#8211; do \u00eaxodo hebreu.<\/p>\n<p>Ao ler a B\u00edblia em hebraico, \u00e9 poss\u00edvel notar que a palavra &#8220;vermelho&#8221; foi traduzida de forma errada. Nesta vers\u00e3o, Mois\u00e9s e seu povo cruzam o &#8220;yam suph&#8221;, ou &#8220;mar de junco (tipo de planta)&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria estranha. Voc\u00ea pode imaginar que cruzar o Mar Vermelho seria uma tarefa muito dif\u00edcil, mas fazer o mesmo em um mar de junco seria algo bem diferente. Esta \u00e9 uma \u00e1rea de p\u00e2ntano e \u00e9 provavelmente o local da travessia&#8221;, diz o egipt\u00f3logo David Rohl, ex-diretor do Instituto de Estudos de Ci\u00eancias Interdisciplinares e autor de \u00caxodo: Mito ou Hist\u00f3ria (Thinking Media Man, 2015).<\/p>\n<p>Mas como explicar o relato de que o mar teria retornado a seu estado original e afogado os soldados do fara\u00f3?<\/p>\n<p>&#8220;Se estamos falando de um p\u00e2ntano raso composto por juncos, haveria ali no m\u00e1ximo dois ou tr\u00eas metros de profundidade. Ent\u00e3o, este tipo de fen\u00f4meno seria fisicamente poss\u00edvel&#8221;, afirma Rohl.<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, isso j\u00e1 foi testemunhado nos \u00faltimos cem anos. O ex\u00e9rcito eg\u00edpcio pode n\u00e3o ter sido completamente dizimado. Muitos cavalos teriam morrido e as bigas ficado presas na lama.&#8221;<\/p>\n<p>Mas e quanto \u00e0 famosa imagem do c\u00e2nion formado pela eleva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua? Isso teria qualquer correspond\u00eancia na realidade?<\/p>\n<p>Simula\u00e7\u00f5es da erup\u00e7\u00e3o de Santorini mostram que o colapso da ilha gerou um enorme tsunami de 182 metros de altura, que viajou a 640 km\/h.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo e especialista em tsunamis Floyd McCoy, da Universidade do Hava\u00ed, nos Estados Unidos, diz que essa foi uma das maiores ondas j\u00e1 registradas na hist\u00f3ria e provavelmente atingiu o Egito.<\/p>\n<p>&#8220;Acredite ou n\u00e3o, encontramos evid\u00eancias dela no fundo do oceano. Tsunamis de fato rasparam o fundo do Mediterr\u00e2neo e moveram sedimentos. Podemos encontrar estes sedimentos &#8211; e isso nos d\u00e1 uma ideia de sua dire\u00e7\u00e3o&#8221;, diz McCoy.<\/p>\n<p>&#8220;Um modelo computacional nos mostrou ondas irradiando por todo o Mediterr\u00e2neo e atingindo o delta do Nilo.&#8221;<\/p>\n<p>Esse tsunami poderia ter dividido as \u00e1guas do &#8220;mar de juncos&#8221;? Ao analisar as ondas pouco antes de quebrarem, percebemos que a \u00e1gua se retrai da costa.<\/p>\n<p>Um mega tsunami teria feito o mesmo com bilh\u00f5es de litros de \u00e1gua &#8211; n\u00e3o apenas da costa, mas de rios e lagos conectados ao litoral &#8211; fazendo com que a terra &#8220;secasse&#8221; por at\u00e9 duas horas.<\/p>\n<p>&#8220;Um tsunami de dois metros provoca uma mudan\u00e7a r\u00e1pida do n\u00edvel do mar de mesma propor\u00e7\u00e3o e viaja por v\u00e1rios quil\u00f4metros terra adentro&#8221;, diz Costas Synolakis, especialista neste fen\u00f4meno da Universidade da Calif\u00f3rnia do Sul. &#8220;A for\u00e7a destrutiva de um mega tsunami seria mais do que suficiente para destruir um ex\u00e9rcito.&#8221;<\/p>\n<p>Outra evid\u00eancia torna esta teoria plaus\u00edvel. Em 1994, a ilha de Mindoro, nas Filipinas, foi atingida por um tsunami e um terremoto. O tremor abrir uma grande rachadura no fundo de um lado localizado a 1,5 km da costa.<\/p>\n<p>Uma testemunha contou na \u00e9poca que viu a \u00e1gua do lago escorrer como em uma cachoeira, sendo tragada at\u00e9 revelar o fundo.<\/p>\n<p>O tsunami ainda percorreu 1,5 km de um rio, levando consigo uma embarca\u00e7\u00e3o de 6 mil toneladas. A mega onda que atingiu o delta do Nilo foi mil vezes mais devastadora do que este fen\u00f4meno recente.<\/p>\n<p>Outra teoria formulada por cientistas americanos ainda d\u00e1 conta que o movimento dos ventos poderia ter aberto uma passagem de terra nas \u00e1guas, o que permitiria a travessia.<\/p>\n<p>Os resultados, divulgados na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Plos One, foram baseados em simula\u00e7\u00f5es de computador, nas quais os pesquisadores mostram como um vento forte vindo do leste e soprando ao longo da noite poderia ter provocado a retra\u00e7\u00e3o das \u00e1guas no local onde um rio antigo se encontrava com uma lagoa costeira no delta do Nilo. Quando o vento perdeu for\u00e7a, as \u00e1guas teriam voltado ao normal.<\/p>\n<p>&#8220;A simula\u00e7\u00e3o vai de encontro ao relato do \u00eaxodo&#8221;, diz o l\u00edder do estudo, Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A pesquisa faz parte de um projeto cient\u00edfico mais amplo que avalia o impacto de ventos em corpos de \u00e1gua e, ao identificar o local no sul do Mediterr\u00e2neo onde a travessia teria ocorrido, pode ajudar arque\u00f3logos na busca por novas evid\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das principais figuras religiosas do mundo, o profeta Mois\u00e9s e sua hist\u00f3ria fundamentam h\u00e1 s\u00e9culos a f\u00e9 de bilh\u00f5es de pessoas &#8211; e intrigam cientistas em igual medida.\u00a0A B\u00edblia diz que Mois\u00e9s foi escolhido por Deus para liderar a sa\u00edda dos hebreus do Egito, onde eram escravos, rumo \u00e0 terra prometida de Cana\u00e3. 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