{"id":77445,"date":"2015-11-21T11:38:24","date_gmt":"2015-11-21T13:38:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=77445"},"modified":"2015-11-21T12:45:58","modified_gmt":"2015-11-21T14:45:58","slug":"produtores-rurais-temem-efeitos-catastroficos-na-safra-2015-16-com-efeitos-do-el-nino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/produtores-rurais-temem-efeitos-catastroficos-na-safra-2015-16-com-efeitos-do-el-nino\/","title":{"rendered":"Produtores rurais temem efeitos catastr\u00f3ficos na safra de 2015-16 com o El Ni\u00f1o"},"content":{"rendered":"<p>O El Ni\u00f1o, j\u00e1 classificado nesta temporada como um dos mais intensos dos \u00faltimos anos, tem trazido preocupa\u00e7\u00e3o para a safra de ver\u00e3o 2015\/16. Para os produtores, o fen\u00f4meno clim\u00e1tico \u00e9 agridoce. A falta de chuvas no Norte do Pa\u00eds atrasa o plantio da soja, carro-chefe do agroneg\u00f3cio brasileiro. J\u00e1 no Sul, as chuvas abundantes, ainda que possam turbinar a produtividade, dificultam o controle de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Em sua forma tradicional, o El Ni\u00f1o, gerado pelo aquecimento das \u00e1guas no Oceano Pac\u00edfico, causa chuvas mais intensas no Sul, seca no Norte e Nordeste e temperaturas mais elevadas no Sudeste e Centro-Oeste do Pa\u00eds. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), ligada \u00e0 ONU, o fen\u00f4meno dever\u00e1 se fortalecer antes do fim do ano, podendo se tornar o mais forte j\u00e1 registrado. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, ele dever\u00e1 ter picos de 2\u00b0C acima do normal nas m\u00e9dias, colocando-se no patamar dos verificados em 1972\/73, 1982\/83 e 1997\/98.<\/p>\n<p>&#8220;Olhando as condi\u00e7\u00f5es atuais, o El Ni\u00f1o \u00e9 o segundo mais forte de todos os tempos. J\u00e1 superou o de 1982\/1983 e, ao que tudo indica, vai igualar ou superar o de 1997\/98, que foi o mais intenso de todos&#8221;, afirma Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo.<\/p>\n<p>Os efeitos do fen\u00f4meno j\u00e1 s\u00e3o sentidos nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste do Pa\u00eds, bem como ao norte dos Estados de Goi\u00e1s, Minas Gerais e Mato Grosso, maior produtor de soja nacional. Segundo o Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec\/Inpe), essas regi\u00f5es podem ter de 25% a 50% de chuvas abaixo da m\u00e9dia nesta temporada No Matopiba, importante regi\u00e3o produtora que abrange parte de Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, o plantio da soja, tradicionalmente iniciado na segunda quinzena de outubro, est\u00e1 come\u00e7ando apenas em meados de novembro.<\/p>\n<p><b>Ritmo menor<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0A falta de chuvas diminuiu o ritmo de semeadura do produtor Valdir Valtram, de 53 anos, que planta 10 mil hectares de soja e milho em Balsas, sul do Maranh\u00e3o. &#8220;Nesse per\u00edodo do ano passado, est\u00e1vamos com toda a lavoura plantada; neste ano, estamos com apenas metade &#8211; sendo que 10% ter\u00e1 de ser replantado&#8221;, afirma o ga\u00facho, que mora na regi\u00e3o h\u00e1 15 anos. &#8220;Est\u00e1 chovendo pouco e de maneira muito irregular. Teremos uma queda de produtividade, isso \u00e9 indiscut\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Outro problema desencadeado por esse descompasso \u00e9 o atraso no cultivo da segunda safra de milho. &#8220;O impacto \u00e9 direto, pois atrasando o plantio, voc\u00ea imp\u00f5e um risco maior para a cultura da safrinha&#8221;, afirma Paulo C\u00e9sar Sentelhas, professor de Agrometeorologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). &#8220;Quanto mais tarde ela entrar, maior a chance de d\u00e9ficit h\u00eddrico na fase reprodutiva da cultura&#8221;, afirma o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Segundo Valtram, no Maranh\u00e3o, muitos que planejavam aumentar a \u00e1rea de safrinha ter\u00e3o de interromper os planos. Segundo ele, presidente do sindicato dos produtores de Balsas, a \u00e1rea plantada da safrinha deve cair deve cair no Estado de 220 mil hectares para 130 mil hectares.<\/p>\n<p><b>Ferrugem<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0J\u00e1 no Sul, o excesso de chuvas tem levado ao aumento da apari\u00e7\u00e3o de ferrugem asi\u00e1tica &#8211; doen\u00e7a f\u00fangica que ataca plantas em condi\u00e7\u00f5es \u00famidas. Segundo o Cons\u00f3rcio Antiferrugem, da Embrapa Soja, casos da doen\u00e7a relatados de junho at\u00e9 o momento j\u00e1 s\u00e3o o dobro dos reportados no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;No sul do Pa\u00eds, o produtor est\u00e1 tendo muita dificuldade com semeadura, e posteriormente com a quest\u00e3o do controle fitossanit\u00e1rio, pois h\u00e1 muita prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as com a umidade&#8221;, diz Sentelhas. &#8220;Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a colheita, pois as chuvas na regi\u00e3o devem continuar acima do normal at\u00e9 meados de mar\u00e7o e abril do ano que vem.&#8221;<\/p>\n<p>A maior incid\u00eancia de pragas e doen\u00e7as no campo aumenta a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de defensivos agr\u00edcolas, fazendo subir os custos de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 turbinados nesta safra com a disparada do d\u00f3lar. Fertilizantes e defensivos subiram em m\u00e9dia 30% neste ano.<\/p>\n<p>Apesar dos males do El Ni\u00f1o, ainda \u00e9 dif\u00edcil mensurar seu impacto sobre a produ\u00e7\u00e3o da safra 2015\/16. &#8220;Em Matopiba, por exemplo, o impacto da seca com certeza ser\u00e1 grande na produtividade. No Sul, voc\u00ea pode ter produtividades altas, j\u00e1 que a chuva elimina o risco de d\u00e9ficit h\u00eddrico, mas gera muito problema de manejo&#8221;, diz Sentelhas, da Esalq. Oliveira, da Somar, acredita que as condi\u00e7\u00f5es devem ficar mais favor\u00e1veis nos pr\u00f3ximos meses. &#8220;Mesmo com essas dores de cabe\u00e7a na primavera, \u00e9 prov\u00e1vel que haja uma produ\u00e7\u00e3o mais elevada. Para a safra de ver\u00e3o, as coisas devem come\u00e7am a entrar nos eixos em dezembro, com a regulariza\u00e7\u00e3o das chuvas&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de gr\u00e3os do Pa\u00eds na temporada 2015\/16 est\u00e1 estimada entre 208,6 milh\u00f5es e 212,9 milh\u00f5es de toneladas, o que indicaria crescimento de at\u00e9 2,1% ante a safra 2014\/15.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O El Ni\u00f1o, j\u00e1 classificado nesta temporada como um dos mais intensos dos \u00faltimos anos, tem trazido preocupa\u00e7\u00e3o para a safra de ver\u00e3o 2015\/16. Para os produtores, o fen\u00f4meno clim\u00e1tico \u00e9 agridoce. 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