{"id":77516,"date":"2015-11-22T13:57:58","date_gmt":"2015-11-22T15:57:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=77516"},"modified":"2015-11-23T01:21:05","modified_gmt":"2015-11-23T03:21:05","slug":"brasileiro-que-ainda-nao-quebrou-investe-na-florida-para-sobreviver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-que-ainda-nao-quebrou-investe-na-florida-para-sobreviver\/","title":{"rendered":"Brasileiro que ainda n\u00e3o quebrou investe em sonhos reais e sobrevive na Fl\u00f3rida"},"content":{"rendered":"<p>Imigrantes brasileiros com um novo perfil est\u00e3o desembarcando na Fl\u00f3rida: s\u00e3o empreendedores que buscam &#8220;dolarizar&#8221; os investimentos e que, em muitos casos, est\u00e3o desistindo de seus neg\u00f3cios no Brasil para gerar emprego e renda nos Estados Unidos e receber na moeda do Tio Sam. Parte desse contingente \u00e9 formado por pessoas que antes viam Miami e Orlando somente como grandes outlets para gastar o dinheiro que ganhavam por aqui.<\/p>\n<p>H\u00e1 n\u00fameros que evidenciam o poder econ\u00f4mico de parte dos brasileiros que est\u00e3o migrando agora para a Fl\u00f3rida. Segundo especialistas em imigra\u00e7\u00e3o consultados pelo Estado, a obten\u00e7\u00e3o de um visto de neg\u00f3cios tempor\u00e1rio exige o investimento pelo menos US$ 70 mil em uma nova empresa que gere postos de trabalho em solo americano. Para garantir a perman\u00eancia definitiva, uma aplica\u00e7\u00e3o de pelo menos US$ 500 mil em atividade produtiva \u00e9 necess\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 dinheiro que um cidad\u00e3o comum costume ter dispon\u00edvel, mas n\u00e3o chega a ser um montante absurdo para os brasileiros que, nos \u00faltimos anos, compraram casas de veraneio na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados da Associa\u00e7\u00e3o dos Corretores de Im\u00f3veis dos Estados Unidos mostram que dinheiro n\u00e3o \u00e9 problema para os brasileiros que compraram casas nos arredores de Orlando e Miami. O pre\u00e7o m\u00e9dio das resid\u00eancias compradas por brasileiros na Fl\u00f3rida \u00e9 de US$ 587 mil &#8211; entre os estrangeiros, s\u00f3 os chineses compram im\u00f3veis mais caros.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram ainda que cerca de 23 mil casas foram vendidas a cidad\u00e3os do Brasil desde 2008 na Fl\u00f3rida (leia quadro acima). De todos os im\u00f3veis vendidos a estrangeiros nos 12 meses encerrados em junho \u00faltimo, 9% ficaram em m\u00e3os brasileiras. Em alguns condom\u00ednios, como o Champion\u2019s Gate, em Orlando, os brasileiros chegam a representar 60% do total de moradores. Segundo a Elite International, imobili\u00e1ria voltada ao p\u00fablico brasileiro fundada h\u00e1 25 anos em Miami, mais da metade das negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas \u00e0 vista.<\/p>\n<p>Uma parte desse p\u00fablico que comprou im\u00f3veis em Miami durante o per\u00edodo de &#8220;vacas gordas&#8221; e de d\u00f3lar baixo que o Brasil viveu entre 2010 e 2013 agora considera transformar a antiga casa de f\u00e9rias em resid\u00eancia definitiva. Esses membros da classe A que est\u00e3o deixando o Brasil para tr\u00e1s citam como motivos a crise econ\u00f4mica, a corrup\u00e7\u00e3o e, principalmente, a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em Miami, no escrit\u00f3rio da Elite International, o Estado encontrou um empres\u00e1rio capixaba que havia trazido a fam\u00edlia para Miami, mas continuava a trabalhar em Vit\u00f3ria (ele n\u00e3o quis se identificar). &#8220;Aqui, minha fam\u00edlia fica tranquila. O americano n\u00e3o tem nada contra quem ganha dinheiro honestamente. O cara pode andar de Lamborghini e ningu\u00e9m vai achar que ele \u00e9 bandido.&#8221; O empres\u00e1rio contou que decidiu transferir a fam\u00edlia para os Estados Unidos seguindo o exemplo do irm\u00e3o, que j\u00e1 havia tomado a mesma decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O arquiteto Luiz Mori dos Santos, de 51 anos, conhecido por projetos de decora\u00e7\u00e3o de interiores para a classe alta de Curitiba, est\u00e1 na &#8220;ponte a\u00e9rea&#8221; entre os Estados Unidos e Brasil h\u00e1 dois anos e meio. Embora afirme ter conseguido um visto definitivo por &#8220;habilidade extraordin\u00e1ria&#8221; &#8211; quando um profissional \u00e9 acolhido em um pa\u00eds pelo seu talento -, Santos ainda n\u00e3o tem uma carteira relevante de clientes em solo americano. Por enquanto, o arquiteto ganha dinheiro em Curitiba e gasta na Fl\u00f3rida. Apesar de criar projetos \u00e0 dist\u00e2ncia, viaja com frequ\u00eancia ao Brasil para acompanhar obras e manter o relacionamento com a clientela. &#8220;Passo dois meses direto em Miami e fico tr\u00eas semanas em Curitiba.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Sem olhar para tr\u00e1s<\/strong> &#8211;\u00a0Enquanto o arquiteto curitibano manteve um p\u00e9 no Brasil, o empres\u00e1rio Osvaldo Macedo Neto, 41 anos, e sua esposa Luciana, de 43, decidiram vender tudo o que tinham para apostar suas fichas no projeto de construir um edif\u00edcio de luxo n\u00e3o muito longe de um dos maiores s\u00edmbolos do com\u00e9rcio de luxo de Miami, o shopping Bal Harbour, onde encontraram a reportagem do jornxxxal &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;. No in\u00edcio deste ano, o casal e os filhos Rafael e Gabriel &#8211; de 12 e 9 anos &#8211; trocaram a praia de Jurer\u00ea Internacional, em Florian\u00f3polis, por Boca Raton, no condado de Palm Beach.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura americana foi r\u00e1pida, segundo Luciana. &#8220;A escola na Fl\u00f3rida \u00e9 p\u00fablica e toda a comunidade se esfor\u00e7a para torn\u00e1-la melhor. Aqui, ensina-se as crian\u00e7as a ir \u00e0 luta desde cedo. S\u00e3o os alunos que limpam o refeit\u00f3rio na hora do almo\u00e7o&#8221;, diz. A abertura da empresa para a constru\u00e7\u00e3o do residencial idealizado por Osvaldo &#8211; um edif\u00edcio &#8220;butique&#8221; de sete andares, voltado principalmente ao p\u00fablico brasileiro com muito dinheiro para gastar &#8211; tamb\u00e9m foi facilitada. Toda a papelada foi resolvida em 48 horas.<\/p>\n<p>Ao migrar para os Estados Unidos, Osvaldo atraiu um de seus s\u00f3cios, Daniel Jevaux, de 31 anos, para a empreitada &#8211; eles repassaram os projetos em Florian\u00f3polis para um terceiro cotista da empresa, batizada nos dois pa\u00edses de Tross. Daniel conta que ele e a noiva tinham o entendimento de n\u00e3o terem filhos quando moravam em Florian\u00f3polis. Agora, diante da qualidade de vida e da facilidade para fazer neg\u00f3cios em Miami, ele diz estar disposto a mudar de ideia.<\/p>\n<p><b>Identidade \u00a0&#8211;\u00a0<\/b>A &#8220;fuga&#8221; do Brasil em um momento de crise com um discurso relacionado aos problemas sociais e econ\u00f4micos abre a discuss\u00e3o para a quest\u00e3o da identidade, segundo o soci\u00f3logo Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR). &#8220;Trata-se de um perfil n\u00f4made, sem muita identifica\u00e7\u00e3o cultural&#8221;, diz o professor. &#8220;Diante disso, acho que o discurso de \u2018n\u00e3o volto mais\u2019 pode mudar ao sabor dos ventos da economia.&#8221; A tend\u00eancia do migrante em exaltar as qualidades do novo destino tamb\u00e9m deve ser relativizada. &#8220;\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de refer\u00eancia cultural&#8221;, avalia Oliveira. &#8220;Para muita gente, a Fl\u00f3rida pode ser sin\u00f4nimo de brega, kitsch.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imigrantes brasileiros com um novo perfil est\u00e3o desembarcando na Fl\u00f3rida: s\u00e3o empreendedores que buscam &#8220;dolarizar&#8221; os investimentos e que, em muitos casos, est\u00e3o desistindo de seus neg\u00f3cios no Brasil para gerar emprego e renda nos Estados Unidos e receber na moeda do Tio Sam. 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