{"id":77534,"date":"2015-11-22T10:28:12","date_gmt":"2015-11-22T12:28:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=77534"},"modified":"2015-11-22T20:04:57","modified_gmt":"2015-11-22T22:04:57","slug":"eclusa-do-tucurui-deixa-pedras-de-16-bi-no-caminho-de-lula-e-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/eclusa-do-tucurui-deixa-pedras-de-16-bi-no-caminho-de-lula-e-dilma\/","title":{"rendered":"Eclusa do Tucuru\u00ed deixa pedras de 1,6 bilh\u00e3o de reais no caminho de Lula e Dilma"},"content":{"rendered":"<p>Os preju\u00edzos bilion\u00e1rios causados todos os anos pelos buracos da infraestrutura log\u00edstica n\u00e3o t\u00eam inibido o Pa\u00eds de simplesmente deixar paralisadas, h\u00e1 anos, estruturas de transporte que j\u00e1 est\u00e3o prontas e que poderiam desempenhar um papel fundamental no mapa do escoamento.<\/p>\n<p>As eclusas de Tucuru\u00ed, no Par\u00e1, foram inauguradas h\u00e1 exatamente cinco anos pelo ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e a rec\u00e9m-eleita presidente Dilma Rousseff. Era novembro de 2010. Ap\u00f3s R$ 1,6 bilh\u00e3o de investimentos e anos de constru\u00e7\u00e3o, estava pronto o empreendimento que abriria o caminho da hidrovia dos rios Araguaia e Tocantins, uma nova rota para baratear e facilitar o transporte de gr\u00e3os e da ind\u00fastria do Centro-Oeste do Pa\u00eds. Na ocasi\u00e3o, Lula discursou ao lado Dilma e disse que aquela obra era uma &#8220;manifesta\u00e7\u00e3o da sensibilidade pol\u00edtica&#8221;. Faltou dizer, contudo, que ainda havia muitas pedras no caminho da hidrovia. Mais precisamente, 1,2 milh\u00e3o de toneladas delas.<\/p>\n<p>Passados cinco anos, as eclusas de Tucuru\u00ed permanecem sem uso, por conta de um trecho de 43 km de extens\u00e3o de pedras que est\u00e3o no leito do rio e impedem a passagem das embarca\u00e7\u00f5es. Nesse tempo, para manter as estruturas em condi\u00e7\u00f5es operacionais, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), respons\u00e1vel pelo empreendimento, tem desembolsado R$ 3,6 milh\u00f5es por ano para Eletronorte executar os servi\u00e7os. L\u00e1 se foram, portanto, mais R$ 18 milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico despejados em uma obra sem utiliza\u00e7\u00e3o. Mas o desperd\u00edcio n\u00e3o para por a\u00ed.<\/p>\n<p>Pelas contas do Dnit, ser\u00e3o necess\u00e1rios mais cinco anos para que as obras do canal do rio Tocantins sejam conclu\u00eddas e abram espa\u00e7o para a passagem das embarca\u00e7\u00f5es. Ou seja, as eclusas de Tucuru\u00ed ficar\u00e3o pelo menos uma d\u00e9cada inteira drenando recursos da Uni\u00e3o, com suas estruturas completamente subutilizadas. Os n\u00fameros do Dnit falam por si. No \u00faltimo ano, as eclusas foram usadas para transportar 150 mil toneladas de produtos, o que equivale a desprez\u00edveis 0,3% do potencial de 40 milh\u00f5es de toneladas que estavam previstos para passar pelo canal.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 claro que as obras tinham que ter sa\u00eddo ao mesmo tempo, mas infelizmente n\u00e3o conseguimos fazer, por conta das complica\u00e7\u00f5es do projeto de derrocamento do rio&#8221;, diz o diretor-geral do Dnit, Valter Casimiro Silveira, que est\u00e1 h\u00e1 cinco meses no cargo. &#8220;Temos que admitir que hoje a eclusa \u00e9, sim, um custo para o Dnit. \u00c9 algo que realmente s\u00f3 vai se tornar vi\u00e1vel quando conseguirmos fazer com que a hidrovia se viabilize.&#8221;<\/p>\n<p><b>Imbr\u00f3glio &#8211;\u00a0<\/b>Desde 2010, a autarquia do Minist\u00e9rio dos Transportes tenta licitar a obra do &#8220;Pedral do Louren\u00e7o&#8221;, como \u00e9 conhecida a corredeira de pedras que se estende sobre o rio Tocantins. J\u00e1 foram feitas tr\u00eas tentativas, mas todas fracassaram, por conta de diversos problemas.<\/p>\n<p>Numa primeira licita\u00e7\u00e3o, o Dnit colocou em seu edital que pagaria at\u00e9 R$ 540 milh\u00f5es para quem se dispusesse a tocar a obra. Depois de aparecer uma proposta vencedora de R$ 390 milh\u00f5es, t\u00e9cnicos acharam que o valor estava muito abaixo do que previam e resolveram revisar o edital. Acharam um erro b\u00e1sico na composi\u00e7\u00e3o de custos do projeto e cancelaram a licita\u00e7\u00e3o. O valor, depois de corrigido, caiu para R$ 330 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O governo decidiu, ent\u00e3o, que precisaria de um projeto executivo de engenharia para abrir o canal. Tr\u00eas anos depois, a mineradora Vale, interessada em instalar uma sider\u00fargica de R$ 5,8 bilh\u00f5es na regi\u00e3o de Marab\u00e1, a prometida A\u00e7os Laminados do Par\u00e1 (Alpa), se prontificou a fazer os estudos e do\u00e1-los para o Dnit. Assim o fez, mas a Marinha disse que os crit\u00e9rios t\u00e9cnicos usados para o estudos n\u00e3o seguiam o padr\u00e3o correto.<\/p>\n<p>A abertura m\u00ednima do canal, que nos estudos teria 70 metros de largura, teria que, na realidade, ter 145 metros. &#8220;Pedimos para a Vale refazer, mas ela discordou. Enviamos para a Universidade do Paran\u00e1 fazer as corre\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Silveira, do Dnit.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas editais fracassados nos \u00faltimos meses, em outubro passado, o Dnit publicou novo edital, desta vez ao pre\u00e7o de R$ 560 milh\u00f5es, ou seja, valor superior \u00e0quele previsto na proposta inicial em 2010. A abertura das propostas est\u00e1 marcada para o pr\u00f3ximo dia 2 de dezembro. No entanto, Silveira prefere n\u00e3o alimentar muitas esperan\u00e7as. &#8220;Algumas empresas j\u00e1 falaram que n\u00e3o v\u00e3o participar, mas melhoramos a condi\u00e7\u00e3o em R$ 90 milh\u00f5es. \u00c9 esperar para ver como vai ser.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os preju\u00edzos bilion\u00e1rios causados todos os anos pelos buracos da infraestrutura log\u00edstica n\u00e3o t\u00eam inibido o Pa\u00eds de simplesmente deixar paralisadas, h\u00e1 anos, estruturas de transporte que j\u00e1 est\u00e3o prontas e que poderiam desempenhar um papel fundamental no mapa do escoamento. 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