{"id":82276,"date":"2015-12-24T09:16:28","date_gmt":"2015-12-24T11:16:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=82276"},"modified":"2015-12-25T15:08:53","modified_gmt":"2015-12-25T17:08:53","slug":"ingrid-bergman-por-ela-mesma-sob-a-direcao-e-as-cameras-do-cineasta-stig-bjorkan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ingrid-bergman-por-ela-mesma-sob-a-direcao-e-as-cameras-do-cineasta-stig-bjorkan\/","title":{"rendered":"Ingrid Bergman, por ela mesma, sob a dire\u00e7\u00e3o de Stig Bjorkan"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Merten e Ubiratan Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Stig Bjorkman j\u00e1 havia feito document\u00e1rios sobre Ingmar Bergman e Lars Von Trier. Em 2011, Isabella Rossellini presidia o j\u00fari de Berlim e ele estava na Berlinale participando de uma homenagem do festival a Bergman. Harriet Andersson, uma das atrizes preferidas do grande autor sueco, foi dar seu testemunho sobre o trabalho com ele. Bjorkman e Harriet sa\u00edram para comer e, ent\u00e3o, chegou um emiss\u00e1rio do festival dizendo que Isabella Rossellini estava vindo ao encontro de ambos, porque queria cumprimentar Harriet.<\/p>\n<p>Sentaram-se todos na mesma mesa, beberam, comeram e, do nada, Isabella virou-se para Bjorkman e lan\u00e7ou a proposta &#8211; &#8220;Dever\u00edamos fazer um filme sobre minha m\u00e3e, voc\u00ea n\u00e3o acha?&#8221; Foi assim, dessa maneira casual, que come\u00e7ou a nascer &#8220;Ingrid Bergman &#8211; On Her Own Words&#8221;. Ingrid Bergman por ela mesma. Em suas palavras. No Brasil, o filme que estreia nesta quinta-feira, 24, chama-se &#8220;Eu Sou Ingrid Bergman&#8221;.<\/p>\n<p>Bjorkman encontrou-se com Isabella e seu irm\u00e3o Robertino em Paris, depois com Pia Lindstrom e Ingrid Rossellini, a irm\u00e3 g\u00eamea de Isabella, nos EUA. Toda a fam\u00edlia apoiou a ideia do filme e os filhos autorizaram o diretor a pesquisar os arquivos que ela deixou depositados na Wesleyan University, em Connecticut. Foi l\u00e1 que Bjorkman descobriu os di\u00e1rios de Ingrid e os filmes dom\u00e9sticos que ela adorava fazer. O filme come\u00e7ou a tomar forma em sua cabe\u00e7a. Teria de ser &#8220;Ingrid in her own words&#8221;, nas pr\u00f3prias palavras.<\/p>\n<p>Tudo isso ele contou em Cannes, em maio, quando o festival homenageou Ingrid Bergman estampando sua foto no cartaz e, depois, projetando o document\u00e1rio como homenagem ao centen\u00e1rio de nascimento da atriz. &#8220;Eu Sou Ingrid Bergman&#8221; ganhou at\u00e9 um pr\u00eamio de document\u00e1rio. Bjorkman jura que a fam\u00edlia n\u00e3o fez exig\u00eancias nem interferiu em nada. Ele fez o filme como quis, do jeito que quis. Isabella e Robertino o viram pela primeira vez com o p\u00fablico, em Cannes. Pia e Ingrid Rossellini, informaram as ag\u00eancias internacionais de not\u00edcias, na premi\u00e8re em Estocolmo. Em novembro, o filme estreou em Nova York e, h\u00e1 poucos dias, quase junto com o Brasil, em Los Angeles.<\/p>\n<p>Grande estrela de Hollywood, grande atriz, Ingrid Bergman \u00e9 uma figura ic\u00f4nica do cinema. Nasceu e morreu no mesmo dia, 29 de agosto, em 1915 e 1982. Seu rosto se tornou internacionalmente conhecido e admirado. &#8220;Voc\u00ea pode conferir seu trabalho vendo os filmes que est\u00e3o todos, ou quase todos, no mercado de home entertainment. Mas o material que eu tinha era raro. Os filmes dom\u00e9sticos eram praticamente in\u00e9ditos. E foi os que eu privilegiei&#8221;, explica Bjorkman.<\/p>\n<p>O foco est\u00e1 na mulher, na m\u00e3e. Os quatro filhos contam como era sua rela\u00e7\u00e3o com ela. Sob m\u00faltiplos aspectos, Ingrid atravessou os anos 1940 e 50 vivendo como um homem. Priorizava a carreira e, embora casada, tinha amantes &#8211; o fot\u00f3grafo Robert Capa, o diretor Victor Fleming &#8211; e isso antes de trocar o marido m\u00e9dico, o dr. Lindstrom, por Roberto Rossellini e uma carreira na It\u00e1lia. Foi um esc\u00e2ndalo para a puritana Hollywood da \u00e9poca, mas ela n\u00e3o recuou. Foi, notoriamente, uma m\u00e3e ausente, mas isso n\u00e3o marcou nem traumatizou os filhos. Todos falam dela com carinho e admira\u00e7\u00e3o. Se tiveram traumas, conseguiram super\u00e1-los e viver as pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p>Ela podia estar ausente na maior parte do tempo, mas quando estava com os filhos lhes dava aten\u00e7\u00e3o integral. Sem aprofundar muito, o filme a psicanalisa. Ingrid foi muito marcada pela morte prematura da m\u00e3e e, depois, do pai, a quem adorava. Ele foi o primeiro a fotograf\u00e1-la, film\u00e1-la. Isabella arrisca que o gosto da m\u00e3e pelos filmes dom\u00e9sticos talvez fosse uma forma de mant\u00ea-la conectada com o pai. Fala-se pouco dos grandes diretores com quem ela trabalhou &#8211; George Cukor, Alfred Hitchcock, Roberto Rossellini, Jean Renoir, Stanley Donen. Menos ainda do seu m\u00e9todo de trabalho com eles. As refer\u00eancias s\u00e3o vagas. Hitchcock a magnificou, mas como? Mist\u00e9rio, exceto pelo que os filmes revelam.<\/p>\n<p>De tudo o que descobriu sobre Ingrid Bergman, Stig Bjorkman chegou a uma (dupla) conclus\u00e3o. Foi uma mulher de coragem e viveu \u00e0 frente de seu tempo. E ela amava o cinema. Ao receber o terceiro Oscar &#8211; de coadjuvante, por &#8220;Assassinato no Expresso Oriente&#8221;, nos anos 1970, ap\u00f3s os de melhor atriz por &#8220;\u00c0 Meia-Luz&#8221; (George Cukor, 1944) e &#8220;Anast\u00e1sia, a Princesa Esquecida&#8221; (Anatole Litvak, 1956) -, Ingrid surpreendeu meio mundo ao dizer que Valentina Cortese deveria ter sido a vencedora por seu papel em &#8220;A Noite Americana&#8221;, de Fran\u00e7ois Truffaut. O retrato que Bjorkman prop\u00f5e e apresenta pode n\u00e3o ser completo nem o mais acurado. Mas vale viajar nessas imagens e palavras. Os textos da pr\u00f3pria Ingrid, recolhidos de cartas e dos di\u00e1rios, s\u00e3o lidos por Alicia Vikander. O efeito, com frequ\u00eancia, \u00e9 m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Pergunte a qualquer espectador e ele provavelmente citar\u00e1, se for s\u00f3 um filme, o cl\u00e1ssico rom\u00e2ntico &#8220;Casablanca&#8221;, de Michael Curtiz, em que Ingrid forma dupla com Humphrey Bogart. Os cin\u00e9filos citar\u00e3o algum de seus filmes com Rossellini. Stig Bjorkman tamb\u00e9m tem seus preferidos &#8211; &#8220;Notorious\/Interl\u00fadio&#8221;, de Hitchcock, a trilogia &#8220;Stromboli&#8221;, &#8220;Europa 51&#8221; e &#8220;Viagem na It\u00e1lia&#8221;, de Rossellini, e &#8220;Sonata de Outono&#8221;, de Bergman, em que tem a cena poderosa do piano, em que a m\u00e3e humilha a filha. Liv Ullman, que faz o papel, d\u00e1, talvez, o melhor testemunho sobre a atriz e sua habilidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rias<\/strong> &#8211; Em 1981, Ingrid Bergman lan\u00e7ou sua autobiografia, escrita em conjunto com Alan Burgess &#8211; no Brasil, o livro saiu pela Francisco Alves. Em um tom confessional, mas sem ser personalista ao extremo, a atriz sueca conta todos os detalhes mais importantes de sua vida, desde o primeiro casamento, a estreia no cinema, o estouro como estrela e a surpresa ao largar tudo e se mudar para a It\u00e1lia, com Roberto Rossellini.<\/p>\n<p>Entre todas as hist\u00f3rias, as mais saborosas s\u00e3o justamente as que Ingrid confessa algumas trapalhadas. Como na entrega do Oscar de 1975, quando ela concorria como atriz coadjuvante pela participa\u00e7\u00e3o em &#8220;Assassinato no Expresso Oriente&#8221;, de Sidney Lumet.<\/p>\n<p>Ingrid tinha certeza que n\u00e3o seria a vencedora e, quando seu nome foi anunciado, ela n\u00e3o conseguia disfar\u00e7ar a express\u00e3o de espanto. J\u00e1 com a estatueta nas m\u00e3os (a terceira em sua carreira), ela desabafou dizendo que os membros da Academia fizeram a escolha errada, pois a verdadeira vencedora deveria ser Valentina Cortese, pela sua atua\u00e7\u00e3o em &#8220;A Noite Americana&#8221;.<\/p>\n<p>No livro, Ingrid conta que s\u00f3 depois percebeu que foi descort\u00eas com as outras candidatas: Diane Ladd (por &#8220;Alice N\u00e3o Mora Mais Aqui&#8221;), Talia Shire (&#8220;O Poderoso Chef\u00e3o 2&#8221;) e Madeline Kahn (&#8220;Banz\u00e9 no Oeste&#8221;).<\/p>\n<p>Em outra passagem, Ingrid conta os bastidores da filmagem de &#8220;Sonata de Outono&#8221;, poderoso drama dirigido por Ingmar Bergman e coestrelado por Liv Ullmann. Segundo ela, foi somente depois de ver o document\u00e1rio sobre as filmagens \u00e9 que percebeu como se portara mal. &#8220;Eu reclamava de tudo, opinava sobre tudo. N\u00e3o sei como n\u00e3o me expulsaram do set de filmagem&#8221;, disse.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten e Ubiratan Brasil Stig Bjorkman j\u00e1 havia feito document\u00e1rios sobre Ingmar Bergman e Lars Von Trier. Em 2011, Isabella Rossellini presidia o j\u00fari de Berlim e ele estava na Berlinale participando de uma homenagem do festival a Bergman. 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