{"id":83247,"date":"2016-01-04T20:16:50","date_gmt":"2016-01-04T22:16:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=83247"},"modified":"2016-01-05T17:06:12","modified_gmt":"2016-01-05T19:06:12","slug":"delator-revela-que-negromonte-caiu-porque-achacava-e-nao-distribuia-a-propina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/delator-revela-que-negromonte-caiu-porque-achacava-e-nao-distribuia-a-propina\/","title":{"rendered":"Delator diz que Negromonte caiu porque achacava e n\u00e3o distribu\u00eda a propina recebida"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Beatriz Bulla<\/strong><\/h6>\n<p>Em dela\u00e7\u00e3o premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, um dos entregadores de valores a mando de Alberto Youssef, narrou conversas em que o doleiro se referia ao ex-ministro das Cidades M\u00e1rio Negromonte como o &#8220;mais achacador&#8221; dentre os pol\u00edticos que recebiam dinheiro. O delator afirmou que a sa\u00edda de Negromonte da chefia do Minist\u00e9rio, em 2012, estava ligada ao fato de que o pol\u00edtico do PP &#8220;roubava&#8221; dinheiro para ele mesmo e n\u00e3o para o partido, segundo conversas que teve com Youssef.<\/p>\n<p>Negromonte, que foi deputado federal pelo PP, deixou o Minist\u00e9rio das Cidades em fevereiro de 2011, ap\u00f3s desgaste causado por sucessivas den\u00fancias de irregularidades na pasta. O PP foi o respons\u00e1vel pela indica\u00e7\u00e3o de Aguinaldo Ribeiro, sucessor de Negromonte na \u00e9poca. Atualmente, Negromonte \u00e9 ministro do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios do Estado da Bahia<\/p>\n<p>Carlos Rocha, conhecido como Cear\u00e1, prestou os depoimentos aos investigadores da Lava Jato entre fim de junho e in\u00edcio de julho de 2014 na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR). As declara\u00e7\u00f5es, homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram mantidas sob sigilo na Corte at\u00e9 dezembro.<\/p>\n<p>O delator disse \u00e0 PGR ter entregue dinheiro em apartamento funcional em Bras\u00edlia, quando estavam no local deputados federais, entre eles Negromonte. Cerca de quatro entregas nesse apartamento foram feitas no ano de 2010, com transporte de R$ 300 mil. Cear\u00e1 levava o dinheiro preso em filmes pl\u00e1sticos no pr\u00f3prio corpo, e, para escond\u00ea-lo, usava meias de futebol e cal\u00e7as folgadas. Quando chegava ao apartamento ia at\u00e9 o banheiro tirar o dinheiro preso no corpo e entregava aos parlamentares, que o aguardavam na sala.<\/p>\n<p>Na dela\u00e7\u00e3o, Cear\u00e1 revelou ainda que o ex-ministro tinha um celular &#8220;ponto a ponto&#8221; usado para falar com Youssef. &#8220;Que Alberto Youssef comentava com o declarante que M\u00e1rio Negromonte, entre os pol\u00edticos, era &#8216;o mais achacador&#8217;; Que Alberto Youssef inclusive disse que M\u00e1rio Negromonte perdeu o cargo de Ministro das Cidades, em 2012, porque n\u00e3o estava &#8216;fazendo caixa&#8217; para o Partido Progressista, uma vez que estaria &#8216;roubando apenas para ele pr\u00f3prio'&#8221;, consta no depoimento de Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Youssef disse a Cear\u00e1, segundo o depoimento do entregador de dinheiro, que repassou R$ 5 milh\u00f5es a M\u00e1rio Negromonte na campanha de 2010. O emiss\u00e1rio do doleiro disse nunca ter levado dinheiro em esp\u00e9cie ao ex-ministro em Salvador, mas soube de envio de valores para a capital baiana destinada ao pol\u00edtico do PP. De acordo com ele, Adarico Negromonte, irm\u00e3o do ex-ministro, trabalhava para Youssef realizando a entrega dos valores em esp\u00e9cie. Segundo o delator, Adarico ganhava R$ 7 mil reais mensais pelo trabalho.<\/p>\n<p>O advogado de Negromonte na Lava Jato, Carlos Fauaze, disse n\u00e3o ver consist\u00eancia na dela\u00e7\u00e3o. De acordo com a defesa, o ex-ministro nunca teve contato com Cear\u00e1 e apenas sabe do trabalho dele com Youssef em raz\u00e3o de seu irm\u00e3o ter trabalhado com o doleiro. Sobre a sa\u00edda de Negromonte do Minist\u00e9rio das Cidades, o advogado afirmou que houve uma divis\u00e3o interna no PP na ocasi\u00e3o e uma corrente do partido se sobrep\u00f4s a outra, o que teria gerado uma troca &#8220;normal&#8221; no minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal no \u00e2mbito da Lava Jato, o ex-ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, falou sobre a troca no comando do Minist\u00e9rio das Cidades. De acordo com ele, a pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff e o governo &#8220;em geral&#8221; tinham uma avalia\u00e7\u00e3o negativa a respeito de Negromonte. Carvalho afirmou que surgiram boatos envolvendo o nome de Negromonte em casos de corrup\u00e7\u00e3o, sem detalhar aos investigadores quais seriam os esc\u00e2ndalos supostamente ligados ao pol\u00edtico do PP. Al\u00e9m da quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, segundo Carvalho em depoimento prestado no dia 10 de dezembro, havia uma insatisfa\u00e7\u00e3o com o desempenho t\u00e9cnico de Negromonte.<\/p>\n<p>O ex-ministro j\u00e1 foi citado tamb\u00e9m na dela\u00e7\u00e3o de Rafael \u00c2ngulo, outro entregador de dinheiro enviado pelo doleiro Alberto Youssef. Nos depoimentos, o emiss\u00e1rio do doleiro disse que um dos endere\u00e7os funcionais de Bras\u00edlia onde realizava entregas de dinheiro era o de Negromonte, que recebia entre R$ 100 e R$ 150 mil entre uma e duas vezes por m\u00eas.<\/p>\n<p><b>Investiga\u00e7\u00f5es<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0Negromonte j\u00e1 \u00e9 alvo de ao menos tr\u00eas inqu\u00e9ritos relacionados \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. O ex-ministro \u00e9 investigado perante o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) por suspeita de ter operado um esquema que renderia vantagens econ\u00f4micas de R$ 25 milh\u00f5es a serem repartidos entre partidos pol\u00edticos. Ele \u00e9 suspeito de conduzir tratativas, enquanto ministro, para implementar no Pa\u00eds um sistema de rastreamento de ve\u00edculos que renderiam repasses irregulares para o PP e para o PT.<\/p>\n<p>No Supremo Tribunal Federal, ele \u00e9 um dos pol\u00edticos sob suspeita no inqu\u00e9rito que investiga a forma\u00e7\u00e3o de quadrilha no \u00e2mbito da Lava Jato e recentemente foi inclu\u00eddo em um inqu\u00e9rito j\u00e1 existente que apura a participa\u00e7\u00e3o do ex-deputado Jo\u00e3o Pizzolatti (PP-SC) no esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras. Neste \u00faltimo inqu\u00e9rito, tamb\u00e9m \u00e9 investigado o deputado federal M\u00e1rio Silvio Negromonte Jr. (PP-BA), filho do ex-ministro das Cidades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Bulla Em dela\u00e7\u00e3o premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, um dos entregadores de valores a mando de Alberto Youssef, narrou conversas em que o doleiro se referia ao ex-ministro das Cidades M\u00e1rio Negromonte como o &#8220;mais achacador&#8221; dentre os pol\u00edticos que recebiam dinheiro. 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