{"id":83532,"date":"2016-01-06T21:52:34","date_gmt":"2016-01-06T23:52:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=83532"},"modified":"2016-01-07T18:17:42","modified_gmt":"2016-01-07T20:17:42","slug":"pesquisadores-estao-usando-celula-tronco-ratos-e-macacos-para-decifrar-virus-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-estao-usando-celula-tronco-ratos-e-macacos-para-decifrar-virus-zika\/","title":{"rendered":"Pesquisadores est\u00e3o usando as c\u00e9lulas-tronco, macacos e ratos para decifrar v\u00edrus Zika"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bruno Bocchini\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisadores est\u00e3o usando c\u00e9lulas-tronco e animais, como camundongos e macacos, para tentar entender como o v\u00edrus Zika afeta as c\u00e9lulas nervosas do c\u00e9rebro humano. Os experimentos est\u00e3o sendo feitos por uma rede de estudiosos, com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Paolo Marinho de Andrade Zanotto, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Paolo Marinho de Andrade Zanotto. \u201cTentamos entender o que est\u00e1 acontecendo no c\u00e9rebro. Estamos usando modelos com camundongos e um modelo humano de microenc\u00e9falo, que s\u00e3o c\u00e9lulas-tronco modificadas, reprogramadas em laborat\u00f3rio, em uma condi\u00e7\u00e3o onde elas se desenvolvem tridimensionalmente em uma estrutura parecida com um microenc\u00e9falo\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>As estruturas feitas a partir das c\u00e9lulas-tronco s\u00e3o infectadas pelo v\u00edrus Zika e, ent\u00e3o, analisadas. Nos experimentos tamb\u00e9m est\u00e3o sendo infectadas c\u00e9lulas de origem nervosa de insetos e de macacos. \u201cEstamos come\u00e7ando a analisar o que que o v\u00edrus faz.\u201d<\/p>\n<p>Dados divulgados ontem (5) pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que j\u00e1 foram notificados 3.174 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao v\u00edrus Zika em rec\u00e9m-nascidos. Pela primeira vez, est\u00e1 sendo investigado um caso no estado do Amazonas. As notifica\u00e7\u00f5es est\u00e3o distribu\u00eddas em 684 munic\u00edpios de 21 unidades da federa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m est\u00e3o em investiga\u00e7\u00e3o 38 \u00f3bitos de beb\u00eas com microcefalia, possivelmente relacionados ao v\u00edrus Zika.<\/p>\n<p>Uma pequena parte dos laborat\u00f3rios brasileiros j\u00e1 \u00e9 capaz de fazer testes de detec\u00e7\u00e3o do Zika a partir do DNA, mas o processo \u00e9 complexo e demorado, e n\u00e3o h\u00e1 escala para atender a atual demanda. O desenvolvimento de testes r\u00e1pidos e simplificados, que possam ser aplicados em grande escala, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo feito pela equipe coordenada por Zanotto.<\/p>\n<p>O pesquisador disse que a meta \u00e9 ter alguma coisa pronta antes de um eventual surto em S\u00e3o Paulo. De acordo com Zanotto, existe a possibilidade de isso ocorer de forma mais intensa no final do ver\u00e3o. &#8220;No entanto, n\u00e3o h\u00e1 garantia de que o teste r\u00e1pido fique pronto at\u00e9 o fim da esta\u00e7\u00e3o. Espero que sim, pode ser at\u00e9 antes, pode ser depois. Isso n\u00e3o \u00e9 como fazer bolo, que tem uma receita pronta\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Apoio do Senegal<\/strong> &#8211;\u00a0O grupo de pesquisadores brasileiros recebeu nesta semana o aux\u00edlio de estudiosos do Instituto Pasteur, de Dakar, no Senegal, que tamb\u00e9m desenvolvem testes r\u00e1pidos para a detec\u00e7\u00e3o do Zika. \u201cEles t\u00eam alguns testes que est\u00e3o, inclusive, bem desenvolvidos. O problema \u00e9 que mesmo os testes que eles trouxeram para c\u00e1, e que estamos usando, s\u00f3 podem ser usados em um contexto de pesquisa. N\u00e3o existe produ\u00e7\u00e3o suficiente para se disponibilizar os testes para a popula\u00e7\u00e3o, em geral.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Zanotto, depois que os testes r\u00e1pidos forem validados em laborat\u00f3rio, ser\u00e3o disponibilizados para o Instituto Butantan, que os desenvolver\u00e1 em grande escala. \u201c\u00c9 importante fazer primeiro a valida\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio e depois passar a tecnologia para o Butantan. A\u00ed, eles fazem o que se chama scale up [aumento de escala]. Durante a pesquisa b\u00e1sica, a gente n\u00e3o est\u00e1 em ponto de fazer isso ainda.\u201d<\/p>\n<p>Em dezembro, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) emitiu um alerta reconhecendo a rela\u00e7\u00e3o entre o aumento dos casos do v\u00edrus e o crescimento dos casos de microcefalia e da s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 no Brasil.<\/p>\n<p>Zanotto explicou que o Zika \u00e9 um agente que infecta principalmente animais, como macacos e mosquitos, mas pode ser transmitido para humanos. O v\u00edrus \u00e9 transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue da febre chikungunya. Estudos sugerem que teriam ocorrido casos espor\u00e1dicos de infec\u00e7\u00e3o em humanos no passado e que o v\u00edrus teria sa\u00eddo da \u00c1frica por volta da segunda metade do s\u00e9culo 20. O primeiro surto significativo conhecido em humanos, causado pela linhagem asi\u00e1tica do v\u00edrus, ocorreu em 2007, nos Estados Federados da Micron\u00e9sia.<\/p>\n<p>Entre 2013 e 2014 o v\u00edrus causou uma epidemia significativa na Polin\u00e9sia Francesa, espalhando-se pela Oceania e chegando \u00e0 Am\u00e9rica pela Ilha de P\u00e1scoa, no Chile, em 2014. No ano passado, o Zika foi detectado em alguns estados brasileiros, com a maioria dos casos registrada na Regi\u00e3o Nordeste. Houve registros tamb\u00e9m em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Bocchini\u00a0 Pesquisadores est\u00e3o usando c\u00e9lulas-tronco e animais, como camundongos e macacos, para tentar entender como o v\u00edrus Zika afeta as c\u00e9lulas nervosas do c\u00e9rebro humano. 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