{"id":84491,"date":"2016-01-13T20:52:43","date_gmt":"2016-01-13T22:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=84491"},"modified":"2016-01-14T16:28:43","modified_gmt":"2016-01-14T18:28:43","slug":"bornay-icone-em-vida-vai-perpetuar-suas-fantasias-em-mostra-no-museu-da-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bornay-icone-em-vida-vai-perpetuar-suas-fantasias-em-mostra-no-museu-da-republica\/","title":{"rendered":"Museu da Rep\u00fablica vai perpetuar em mostra as fantasias de Bornay"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Roberta Pennafor<\/strong>t<\/h6>\n<p>O nome de Cl\u00f3vis Bornay (1916-2005) \u00e9 a primeira refer\u00eancia que surge quando o assunto \u00e9 desfile de fantasias de carnaval. Mas o \u00edcone do luxo e da originalidade tamb\u00e9m era muse\u00f3logo, carnavalesco de escola de samba, cantor de marchinhas, professor universit\u00e1rio, ativista LGBT e pai adotivo de tr\u00eas meninas, filhas de uma amiga. As m\u00faltiplas personas ser\u00e3o apresentadas a partir do dia 26 na exposi\u00e7\u00e3o Cl\u00f3vis Bornay &#8211; 100 anos, no Museu da Rep\u00fablica, com fotos, documentos, trof\u00e9us, croquis e 3 das 21 fantasias suntuosas que ele mantinha em casa desde os anos 1970.<\/p>\n<p>O material foi cedido pelo Museu Hist\u00f3rico da Cidade do Rio, institui\u00e7\u00e3o parceira na realiza\u00e7\u00e3o da mostra. O acervo est\u00e1 sob sua guarda &#8211; foi vendido pela fam\u00edlia ap\u00f3s a morte de Bornay, aos 89 anos. As fantasias em melhor estado de conserva\u00e7\u00e3o, &#8220;Dalai Lama&#8221;, &#8220;Arlequim&#8221; e &#8220;Plenitude da harmonia universal&#8221;, da d\u00e9cada de 1970 e guardadas em caixas, foram escolhidas para exibi\u00e7\u00e3o. Tiveram de ser higienizadas, para se livrar de mofo, fungos e poeira, e est\u00e3o passando por processo de restauro, uma vez que alguns materiais descosturaram.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o obras de arte, ricas em pedras semipreciosas, lantejoulas, paet\u00eas e bordados. Temos t\u00fanicas, cal\u00e7as, cetros, capas, adere\u00e7os de cabe\u00e7a&#8221;, enumera M\u00e1rio Chagas, coordenador t\u00e9cnico do Museu da Rep\u00fablica e curador da exposi\u00e7\u00e3o, que tomar\u00e1 tr\u00eas salas do 1\u00ba andar do pr\u00e9dio. Foi ele quem teve a ideia de recuperar a trajet\u00f3ria de Bornay, desde a inf\u00e2ncia, em Nova Friburgo, munic\u00edpio na Regi\u00e3o Serrana do Rio, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o em Museologia, em curso do Museu Hist\u00f3rico Nacional, onde viria a trabalhar.<\/p>\n<p>Bornay participou da montagem da mostra de inaugura\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Catete como Museu da Rep\u00fablica (antes da mudan\u00e7a da capital para Bras\u00edlia, em 1960). &#8220;Mostramos o Cl\u00f3vis profissional, personagem, o rei das fantasias, o jurado de programas de audit\u00f3rio, como os de Fl\u00e1vio Cavalcanti e Silvio Santos. Ele dizia: &#8216;ser muse\u00f3logo n\u00e3o \u00e9 nada, mais dif\u00edcil \u00e9 ser Cl\u00f3vis Bornay todo ano nas passarelas&#8217;. As pessoas n\u00e3o conhecem sua complexidade, que ele era mais do que um criador de fantasias. No mundo gay, \u00e9 um s\u00edmbolo, por ter uma postura assumida na fala e no comportamento&#8221;, disse Chagas. Bornay chegou a fundar uma torcida de futebol, a Flagay, pois torcia pelo Flamengo.<\/p>\n<p>Como carnavalesco, Bornay desenvolveu enredos, nos anos 1960 e 1970, para escolas como Salgueiro, Portela e Unidos da Tijuca. \u00c0 Portela deu o \u00faltimo t\u00edtulo isolado no Grupo Especial. Foi em 1970, com Lendas e mist\u00e9rios da Amaz\u00f4nia. A Bornay tamb\u00e9m \u00e9 creditada a populariza\u00e7\u00e3o da figura do destaque de carro aleg\u00f3rico &#8211; algu\u00e9m ricamente trajado, que confere luxo \u00e0 alegoria.<\/p>\n<p><b>Sem reconhecimento &#8211;\u00a0<\/b>O centen\u00e1rio de Bornay foi no dia 10, mas n\u00e3o ser\u00e1 lembrado nesse carnaval, a n\u00e3o ser por essa mostra. &#8220;Ele n\u00e3o tem o reconhecimento que merece. Eu mesma s\u00f3 fui saber da sua import\u00e2ncia depois que ele morreu&#8221;, disse Tain\u00e1 Bornay, representante comercial e filha mais nova (tem 26 anos). &#8220;A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade grandiosa de ele ser conhecido, e de se mostrar o Bornay artista e tamb\u00e9m pai. Ele nos buscava na escola, ia \u00e0s reuni\u00f5es. No carnaval, levava a gente nos desfiles dos clubes. Eu ficava fascinada&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Tain\u00e1 contou que Bornay mantinha suas vidas familiar e art\u00edstica separadas, mas contava \u00e0s filhas como come\u00e7ou a participar de concursos de fantasias. Ele tinha 16 anos e guardava a m\u00e1goa de ter se afastado da m\u00e3e desde que revelara ao pai, comerciante de joias, que era gay. O pai o expulsou de casa e o menino Cl\u00f3vis n\u00e3o viu mais a fam\u00edlia. &#8220;Ent\u00e3o ele resolveu participar de concursos no Fluminense Football Club, onde a m\u00e3e ia, s\u00f3 para ela poder v\u00ea-lo&#8221;, contou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Pennafort O nome de Cl\u00f3vis Bornay (1916-2005) \u00e9 a primeira refer\u00eancia que surge quando o assunto \u00e9 desfile de fantasias de carnaval. 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