{"id":84819,"date":"2016-01-16T12:09:15","date_gmt":"2016-01-16T14:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=84819"},"modified":"2016-01-16T12:14:03","modified_gmt":"2016-01-16T14:14:03","slug":"poco-sem-fundo-e-politicagem-podem-quebrar-o-fundo-de-pensao-da-conab","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poco-sem-fundo-e-politicagem-podem-quebrar-o-fundo-de-pensao-da-conab\/","title":{"rendered":"Po\u00e7o sem fundo aberto com politicagem pode quebrar fundo de pens\u00e3o da Conab"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Victor Martins<\/strong><\/h6>\n<p>Relat\u00f3rios de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia Nacional de Previd\u00eancia Complementar (Previc), obtidos com exclusividade pelo &#8216;Broadcast&#8217;, servi\u00e7o em tempo real da &#8216;Ag\u00eancia Estado&#8217;, mostram que o fundo de pens\u00e3o da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Cibrius, foi alvo de investiga\u00e7\u00f5es em 2015. Supostas falhas em investimentos e de gest\u00e3o deixaram o fundo na mira dos auditores. O caso ainda ser\u00e1 julgado pela Previc, que regula o setor.<\/p>\n<p>Entre os problemas, est\u00e1 um calote de R$ 7 milh\u00f5es dado por uma empresa produtora de etanol, a Comanche, que vendeu cotas de um fundo de investimento ao Cibrius. O lastro do investimento era um contrato com a Petrobr\u00e1s que n\u00e3o chegou a ser executado.<\/p>\n<p>Nesse caso, os fiscais conclu\u00edram ter ficado demonstrado que os administradores da funda\u00e7\u00e3o de previd\u00eancia privada deixaram de observar os princ\u00edpios da &#8220;seguran\u00e7a, rentabilidade, solv\u00eancia e liquidez&#8221;.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ainda questiona como os investimentos foram feitos em um grupo de empresas com hist\u00f3rico de inadimpl\u00eancia no mercado, &#8220;haja vista a quantidade de protestos contra elas distribu\u00eddos, as d\u00edvidas com fornecedores, al\u00e9m de pend\u00eancias trabalhistas e fiscais&#8221;.<\/p>\n<p>Os auditores tamb\u00e9m encontraram problemas em C\u00e9dulas de Cr\u00e9ditos Imobili\u00e1rios (CCI) emitidas pela M.Brasil Empreendimentos, Marketing e Neg\u00f3cios Ltda. A empresa est\u00e1 em processo de fal\u00eancia e tem como principal s\u00f3cio Marcelo Abdon Gondim, um policial militar da Bahia que, segundo o Portal da Transpar\u00eancia, recebe cerca de R$ 13 mil por m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;Na an\u00e1lise de risco encaminhada pelo Cibrius, n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia aos s\u00f3cios cotistas da M. Brasil&#8221;, diz trecho do relat\u00f3rio. &#8220;N\u00e3o consta nenhum ind\u00edcio de que tenham pesquisado quem eram os s\u00f3cios cotistas, pessoas que, em princ\u00edpio, n\u00e3o possu\u00edam condi\u00e7\u00f5es de ter o patrim\u00f4nio&#8221;, afirma o documento.<\/p>\n<p>O segundo cotista, Leandro Reis dos Santos, que j\u00e1 foi candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PDT, tamb\u00e9m n\u00e3o teria patrim\u00f4nio suficiente, segundo sua declara\u00e7\u00e3o de bens feita ao Tribunal Superior Eleitoral. Em 2010, mesmo depois de a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco SR Rating ter informado sobre atrasos nos pagamentos de parcelas da CCI, o Cibrius, no m\u00eas seguinte, colocou mais R$ 6 milh\u00f5es na M. Brasil.<\/p>\n<p><b>Indica\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Servidores da Conab garantem que os diretores que tomaram as decis\u00f5es de investimento questionadas pela Previc eram ligados ao ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, que na \u00e9poca era presidente da estatal. Na companhia, os funcion\u00e1rios contam que, em 2007, Rossi indicou tr\u00eas homens de confian\u00e7a para o conselho deliberativo do Cibrius: Jos\u00e9 Carlos de Andrade, Aurino Valois (que tinha voto de qualidade) e Ant\u00f4nio Carlos Peres Rebello. Os relatos s\u00e3o de que, com o apoio dos tr\u00eas, Fabr\u00edcio Pereira Garcia, Jos\u00e9 Carlos Grangeiro e Rachid Mamed Filho se tornaram a diretoria do fundo. Os envolvidos, por\u00e9m, negam inger\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No caso do Cibrius, apesar das d\u00favidas sobre a sociedade que controla a empresa, a M. Brasil captou R$ 67 milh\u00f5es em t\u00edtulos com fundos de pens\u00e3o de empresas estatais. Em 2010, fez doa\u00e7\u00f5es de campanha ao PT. Foram cerca de R$ 700 mil distribu\u00eddos entre o PT nacional e cinco candidatos. Os envolvidos nas decis\u00f5es de investimento, no entanto, negam qualquer rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com qualquer partido ou pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ainda aponta outras falhas. O atual diretor financeiro do Cibrius, Jos\u00e9 Carlos Grangeiro, diz que n\u00e3o houve m\u00e1-f\u00e9. Ele integrava a diretoria no per\u00edodo em que essas aplica\u00e7\u00f5es foram feitas e no fim de 2015 foi reconduzido ao cargo. Ele nega que o fundo foi aparelhado com indica\u00e7\u00f5es do ex-ministro, e explicou que as decis\u00f5es de investimento foram tomadas com base nos relat\u00f3rios das ag\u00eancias de rating e que passaram por an\u00e1lise de risco. &#8220;Podemos ter cometido falhas na boa-f\u00e9, nosso mercado \u00e9 de risco. Voc\u00ea tem de tomar a decis\u00e3o para atingir a meta de rentabilidade e garantir patrim\u00f4nio.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o caso da empresa de etanol, ele afirma que o problema foi conjuntural e que quem apostou no segmento de etanol perdeu dinheiro. A reportagem tentou contato com a Comanche, mas n\u00e3o obteve sucesso. Sobre a M. Brasil, Grangeiro afirma que a empresa, que atuava no varejo de medicamentos, tinha mais de 60 anos e que foi afetada pela crise financeira. Ele afirmou, no entanto, que os im\u00f3veis do grupo t\u00eam valor e est\u00e3o em fase de transfer\u00eancia para os credores para cobrir parte das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios da Previc ainda levantam outras quest\u00f5es envolvendo deb\u00eantures do Hopi Hari, investimentos desenquadrados e problemas com taxas de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Previc disse que n\u00e3o podia se pronunciar porque o caso segue em sigilo. Os relat\u00f3rios ainda n\u00e3o foram julgados pelo \u00f3rg\u00e3o. Nesse caso, os envolvidos s\u00e3o primeiro avisados e t\u00eam prazo para responder aos questionamentos. Se as respostas forem satisfat\u00f3rias, o processo se encerra, caso contr\u00e1rio, vai para julgamento da diretoria.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es se basearam num per\u00edodo em que a diretoria do Cibrius tentava um plano de recupera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 2015, o fundo tinha um d\u00e9ficit de R$ 800 milh\u00f5es. Mas no fim de 2015 fechou um acordo com cotistas e governo. Os trabalhadores permitiram descontar 20% de suas reservas, o equivalente a R$ 300 milh\u00f5es e o governo fez um aporte para cobrir a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Martins Relat\u00f3rios de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia Nacional de Previd\u00eancia Complementar (Previc), obtidos com exclusividade pelo &#8216;Broadcast&#8217;, servi\u00e7o em tempo real da &#8216;Ag\u00eancia Estado&#8217;, mostram que o fundo de pens\u00e3o da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Cibrius, foi alvo de investiga\u00e7\u00f5es em 2015. 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