{"id":86762,"date":"2016-01-29T11:02:44","date_gmt":"2016-01-29T13:02:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=86762"},"modified":"2016-01-30T17:08:41","modified_gmt":"2016-01-30T19:08:41","slug":"cidades-sentem-crise-e-decidem-fazer-carnaval-mais-modesto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cidades-sentem-crise-e-decidem-fazer-carnaval-mais-modesto\/","title":{"rendered":"Cidades do interior sentem o peso da crise e decidem fazer carnaval mais modesto"},"content":{"rendered":"<p>Em ano de recess\u00e3o, dezenas de cidades cancelaram desfiles oficiais de Carnaval por falta de recursos. Em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e at\u00e9 em capitais do Nordeste, como Macei\u00f3, a queda na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos obrigou prefeituras a fazer ajustes nos festejos.<\/p>\n<p>Em muitos casos, o cancelamento das festas ocorre em cidades em que o Carnaval n\u00e3o tem potencial tur\u00edstico ou onde tradicionalmente h\u00e1 poucas celebra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o principal atrativo do Carnaval em v\u00e1rias dessas cidades s\u00e3o os blocos de rua, que foram mantidos, em detrimento dos desfiles oficiais.<\/p>\n<p>Foi assim em Porto Ferreira, no interior de S\u00e3o Paulo, onde a prefeitura cancelou o cortejo, que custaria 150 mil reais. Em sua p\u00e1gina no Facebook, a administra\u00e7\u00e3o afirmou que vai investir o valor na compra de uma ambul\u00e2ncia. O post teve milhares de compartilhamentos e diversos coment\u00e1rios de apoio, destoando das outras publica\u00e7\u00f5es da p\u00e1gina, menos populares.<\/p>\n<p>Segundo a prefeitura, \u00e9 a primeira vez que o desfile \u00e9 cancelado por motivos econ\u00f4micos. \u201cO bloco mais antigo da cidade completa 82 anos em 2016\u201d, afirma a administra\u00e7\u00e3o, que se orgulha da tradi\u00e7\u00e3o do Carnaval na cidade.<\/p>\n<p>Cidades maiores do estado de S\u00e3o Paulo, como Sorocaba e Campinas, passam por situa\u00e7\u00e3o similar. A primeira suspendeu os repasses para as escolas de samba, mas o desfile deve ocorrer mesmo assim. A prefeitura alega que, al\u00e9m da crise econ\u00f4mica, quest\u00f5es jur\u00eddicas relacionadas \u00e0 liga local impediram o encaminhamento da verba.<\/p>\n<p>J\u00e1 Campinas vai ficar sem desfile, o que representou uma economia 1,3 milh\u00e3o de reais para os cofres p\u00fablicos. Apesar de n\u00e3o ser um destino tur\u00edstico, a Secretaria de Cultura diz que o Carnaval tem tradi\u00e7\u00e3o na cidade.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem not\u00edcia que o desfile das escolas acontece desde as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20 e \u00e9 a primeira vez que ser\u00e1 cancelado por motivos econ\u00f4micos. Ficamos muito tristes, mas vamos manter atividades das escolas ao longo do ano para impedir a perda dessa tradi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o diretor de Cultura da Prefeitura de Campinas, Gabriel Rapassi.<\/p>\n<p>Mesmo cidades que atraem um grande fluxo de turistas tiveram que cancelar festas, como \u00e9 o caso de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, em Minas Gerais. A prefeitura do munic\u00edpio ofereceu parcelar os repasses para as escolas, que decidiram ent\u00e3o n\u00e3o realizar o desfile.<\/p>\n<p>Segundo a prefeitura, os 350 mil reais que seriam gastos foram usados em opera\u00e7\u00f5es tapa buracos e compra de medicamentos. \u201cN\u00e3o foi devido \u00e0 crise e sim pela falta de entendimento entre as partes envolvidas\u201d, afirma em nota a prefeitura, que espera receber 50 mil turistas para o Carnaval e conta com blocos de rua para garantir a festa.<\/p>\n<p>Macei\u00f3 tamb\u00e9m teve que zerar os repasses e vai ficar sem o tradicional desfile na orla de Paju\u00e7ara. De acordo com a Secretaria de Cultura, a pasta perdeu 40% do seu or\u00e7amento em 2016.<\/p>\n<p>A capital de Alagoas n\u00e3o \u00e9 um destino tur\u00edstico carnavalesco \u2013 muitos moradores da cidade costumam viajar para Bahia e Pernambuco no feriado. Ainda assim, o munic\u00edpio investiu 60 mil no desfile e 390 mil em blocos de rua em 2015. Segundo a prefeitura, os blocos e escolas de samba v\u00e3o realizar suas atividades em n\u00facleos em v\u00e1rios bairros neste ano, de forma descentralizada.<\/p>\n<p><strong>Polos tur\u00edsticos<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0Para economistas, a decis\u00e3o de cancelar desfiles de Carnaval \u00e9 acertada, j\u00e1 que o PIB do pa\u00eds teve redu\u00e7\u00e3o estimada de 3,7% no ano passado e deve encolher quase 3% em 2016, segundo consultas realizadas pelo Banco Central.<\/p>\n<p>\u201cOs munic\u00edpios t\u00eam uma receita pr\u00f3pria menor e est\u00e3o sofrendo de forma severa com a crise. Nesse quadro, n\u00e3o restam muitas alternativas a n\u00e3o ser cancelar esse tipo de gasto. Do ponto de vista econ\u00f4mico \u00e9 uma medida necess\u00e1ria e correta\u201d, afirma o professor da FGV Alexandre Motonaga, especialista em tributa\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Economistas ressaltam que suspender as festas s\u00f3 \u00e9 produtivo para cidades que n\u00e3o recebem turistas nessa \u00e9poca do ano. Para grandes polos carnavalescos como Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina, o feriado movimenta a rede hoteleira e o com\u00e9rcio local.<\/p>\n<p>Em alguns casos, como no Rio de Janeiro, a ind\u00fastria do Carnaval gera receitas e empregos o ano todo. Apenas no feriado de 2015, 1,3 milh\u00e3o de turistas visitaram o estado e gastaram 1,2 bilh\u00e3o de reais, segundo o Minist\u00e9rio do Turismo.<\/p>\n<p>\u201cEssas cidades, que s\u00e3o minoria no pa\u00eds, precisam continuar dando apoio a essas atividades, porque elas t\u00eam um efeito multiplicador\u201d, diz Jos\u00e9 Matias-Pereira, professor de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica da UnB.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um corte brusco em destinos tradicionais de Carnaval teria impactos simb\u00f3licos negativos. \u201cH\u00e1 o aspecto intang\u00edvel, da imagem da cidade, que precisa se manter como capital carnavalesca. Talvez seja poss\u00edvel reduzir o custo, mas cancelar n\u00e3o seria produtivo economicamente\u201d, refor\u00e7a Motonaga.<\/p>\n<p>Em ano de Olimp\u00edadas, a prefeitura do Rio dobrou os repasses para as escolas de samba, que receberam 2 milh\u00f5es de reais cada uma.<\/p>\n<p><strong>Turismo nacional forte<\/strong> &#8211;\u00a0O cancelamento de algumas festas n\u00e3o afeta o turismo nacional no feriado, segundo o Minist\u00e9rio do Turismo. Apesar da crise, os brasileiros n\u00e3o v\u00e3o deixar de viajar no Carnaval.<\/p>\n<p>De acordo com estimativas da pasta, o n\u00famero de turistas e seus gastos durante o per\u00edodo ter\u00e1 um crescimento de 3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. No total, cerca de 7 milh\u00f5es de brasileiros v\u00e3o viajar e, para isso, v\u00e3o desembolsar 7 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>\u201cA crise afeta algumas cidades de menor porte, nas quais se fez uma an\u00e1lise e se chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o gasto [com os desfiles] n\u00e3o seria muito efetivo. Mas isso n\u00e3o afeta a estrutura [nacional] do ponto de vista econ\u00f4mico e tur\u00edstico\u201d, afirma o diretor de Estudos Econ\u00f4micos e Pesquisas do minist\u00e9rio, Jos\u00e9 Francisco de Salles.<\/p>\n<p>A expectativa das empresas de turismo para o feriado tamb\u00e9m est\u00e1 alta. De acordo com a Abav (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagens), a venda de pacotes tur\u00edsticos deve aumentar 25% em rela\u00e7\u00e3o a 2015.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o explica que as promo\u00e7\u00f5es do setor e o calend\u00e1rio favor\u00e1vel \u2013 o feriado tem data mais pr\u00f3xima do in\u00edcio do ano em 2016 \u2013 aqueceram a demanda.<\/p>\n<p>\u201cFicamos surpresos, a gente pensava que o desempenho seria pior\u201d, diz o presidente da Abav, Edmar Bull. \u201cO brasileiro se endivida, mas n\u00e3o deixa de viajar.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em ano de recess\u00e3o, dezenas de cidades cancelaram desfiles oficiais de Carnaval por falta de recursos. Em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e at\u00e9 em capitais do Nordeste, como Macei\u00f3, a queda na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos obrigou prefeituras a fazer ajustes nos festejos. 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