{"id":88108,"date":"2016-02-06T19:28:31","date_gmt":"2016-02-06T21:28:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=88108"},"modified":"2016-02-08T15:10:47","modified_gmt":"2016-02-08T17:10:47","slug":"bancos-fecham-as-portas-para-momo-e-ficam-de-olho-nos-caloteiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bancos-fecham-as-portas-para-momo-e-ficam-de-olho-nos-caloteiros\/","title":{"rendered":"Bancos fecham as portas ao Rei Momo e miram os passos dos patr\u00f5es-caloteiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fernanda Guimar\u00e3es, Aline Bronzati, Andr\u00e9 Magnabosco, Cynthia Decloedt, Dayanne Sousa e Lucas Hirata<\/strong><\/p>\n<p>Os bancos est\u00e3o &#8216;jogando para frente&#8217; as d\u00edvidas das companhias brasileiras com o claro objetivo de conter seus n\u00edveis de provisionamento para fazer frente ao aumento cada vez maior dos calotes. Depois de verem o colch\u00e3o para perdas, as chamadas PDDs, crescer quase R$ 16 bilh\u00f5es no ano passado, as institui\u00e7\u00f5es privadas refor\u00e7aram suas campanhas de renegocia\u00e7\u00e3o, incluindo at\u00e9 d\u00edvidas que ainda n\u00e3o venceram. Como resultado, o saldo de cr\u00e9ditos renegociados (acima de 30 dias) de Bradesco, Ita\u00fa Unibanco e Santander saltou 13% no fim de dezembro, na compara\u00e7\u00e3o com um ano atr\u00e1s, e ultrapassou os R$ 40 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Com muitas empresas, inclusive as grandes, j\u00e1 operando com queima de caixa e sem liquidez para honrar vencimentos mais curtos, os bancos est\u00e3o alongando pagamentos atrasados e sendo mais flex\u00edveis na renegocia\u00e7\u00e3o com os clientes, na tentativa de evitar que a lista de companhias em recupera\u00e7\u00e3o judicial engrosse mais. &#8220;\u00c0 medida que os clientes vendem menos, t\u00eam mais dificuldade de manter seus compromissos e h\u00e1 procura para reacomodar empr\u00e9stimos a um novo perfil de fluxo de caixa. Isso leva naturalmente \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de renegocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito&#8221;, disse Roberto Setubal, presidente do Ita\u00fa Unibanco, em conversa com jornalistas, nesta semana.<\/p>\n<p>O grupo de empresas brasileiras em dificuldades n\u00e3o para de crescer, na medida em que a economia brasileira n\u00e3o d\u00e1 sinais de que j\u00e1 chegou ao fundo do po\u00e7o, o que leva os custos de capta\u00e7\u00e3o a patamares invi\u00e1veis. Do final do ano passado para c\u00e1, a situa\u00e7\u00e3o deixou de ser exclusividade de um \u00fanico setor ou dos grupos envolvidos na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Empresas como Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), Usiminas, PDG e BR Pharma est\u00e3o h\u00e1 alguns meses em processo de renegocia\u00e7\u00e3o de suas d\u00edvidas, situa\u00e7\u00e3o ainda mais cr\u00edtica no caso das pequenas e m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<p>Apesar da intensa eleva\u00e7\u00e3o da carteira de cr\u00e9dito renegociada, os bancos avaliam o movimento como &#8220;natural&#8221; e associado \u00e0 fraqueza da atividade econ\u00f4mica. &#8220;Ciclos de cr\u00e9dito s\u00e3o sucedidos por tempos duros e maduros. Para quem merece confian\u00e7a, reperfilamos e reestruturamos sua d\u00edvida&#8221;, afirmou Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, \u00e0 imprensa na semana passada.<\/p>\n<p>O executivo de um grande banco lembra que os cr\u00e9ditos em atraso s\u00e3o reclassificados e provisionados automaticamente, conforme as regras do Banco Central. No entanto, a renegocia\u00e7\u00e3o, o quanto antes ocorrer, evita n\u00e3o s\u00f3 o agravamento do risco, bem como o aumento das despesas com provis\u00f5es, chamadas de PDDs. Crescem ainda as repactua\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas, nas quais os pr\u00f3prios clientes se antecipam e procuram os bancos para readequarem os pagamentos \u00e0 sua realidade financeira.<\/p>\n<p>No Santander, \u00fanico a segurar seus calotes acima de 90 dias no quarto trimestre, a renegocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos vencidos fez a inadimpl\u00eancia de curto prazo, que compreende calotes entre 15 e 90 dias, subir na contram\u00e3o de seus pares. S\u00e9rgio Rial, presidente do banco, disse que o indicador piorou por conta de &#8220;um ou dois&#8221; casos corporativos, que j\u00e1 teriam sido regularizados. Alertou, contudo, que ap\u00f3s 20 meses de recess\u00e3o no Pa\u00eds, conter os calotes ficou mais dif\u00edcil. Al\u00e9m de inadimpl\u00eancia em alta, os bancos privados preveem gastar alguns bilh\u00f5es a mais com PDDs neste ano.<\/p>\n<p><b>Exemplos &#8211;\u00a0<\/b>Um dos casos mais evidentes de dificuldade na gera\u00e7\u00e3o de caixa \u00e9 o da Usiminas, que caminha para seu sexto preju\u00edzo l\u00edquido trimestral consecutivo, tendo como pano de fundo o enfraquecimento da demanda por a\u00e7o. Mais preocupante do que isso, atentam especialistas, a empresa est\u00e1 queimando caixa para manter as opera\u00e7\u00f5es e, assim, n\u00e3o tem alternativa a n\u00e3o ser jogar para frente as d\u00edvidas com os bancos credores.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a Brasil Pharma, rede de farm\u00e1cias do BTG Pactual, que vinha renegociando uma parte de suas d\u00edvidas banc\u00e1rias m\u00eas a m\u00eas, em meio a uma restri\u00e7\u00e3o de caixa que a empresa tentou compensar com um aumento de capital pelo seu controlador. Agora, renegocia R$ 355 milh\u00f5es relativos a empr\u00e9stimos de capital de giro e financiamento com os principais credores.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 hora de os bancos apertarem as empresas. O melhor \u00e9 renegociar para dar ao cliente algum f\u00f4lego e, se poss\u00edvel, os bancos est\u00e3o tentando refor\u00e7ar as garantias&#8221;, diz Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Miguel Neto, s\u00f3cio do Miguel Neto Advogados e especialista em reestrutura\u00e7\u00e3o de empresas.<\/p>\n<p><b>M\u00e9dios &#8211;\u00a0<\/b>Nos bancos m\u00e9dios, a quest\u00e3o da renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas tamb\u00e9m \u00e9 latente. O ABC Brasil, por exemplo, viu sua carteira renegociada crescer 36% em 2015 em rela\u00e7\u00e3o a 2014, para um total de R$ 470 milh\u00f5es. De acordo com o vice-presidente do Banco ABC Brasil, Sergio Lulia, a maior parte das renegocia\u00e7\u00f5es envolveu alongamento de prazos em at\u00e9 tr\u00eas anos e exig\u00eancia de mais garantias.<\/p>\n<p>&#8220;As renegocia\u00e7\u00f5es t\u00eam acontecido em volume maior e \u00e9 compreens\u00edvel que seja assim. Se h\u00e1 uma empresa que passa por dificuldade de liquidez transit\u00f3ria, mas tem uma opera\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel, com boa participa\u00e7\u00e3o de mercado e bem gerida, renegociamos os vencimentos, alongamos prazos, normalmente com um cronograma de pagamento parcelado com garantias. Dessa maneira, damos aos clientes a possibilidade de atravessar esse per\u00edodo e, ao mesmo tempo, proteger o balan\u00e7o do banco&#8221;, disse o executivo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Guimar\u00e3es, Aline Bronzati, Andr\u00e9 Magnabosco, Cynthia Decloedt, Dayanne Sousa e Lucas Hirata Os bancos est\u00e3o &#8216;jogando para frente&#8217; as d\u00edvidas das companhias brasileiras com o claro objetivo de conter seus n\u00edveis de provisionamento para fazer frente ao aumento cada vez maior dos calotes. 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