{"id":88275,"date":"2016-02-07T17:43:52","date_gmt":"2016-02-07T19:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=88275"},"modified":"2016-02-07T19:47:29","modified_gmt":"2016-02-07T21:47:29","slug":"pernambuco-bate-de-porta-em-porta-na-baixa-renda-em-busca-de-microcefalos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pernambuco-bate-de-porta-em-porta-na-baixa-renda-em-busca-de-microcefalos\/","title":{"rendered":"Pernambuco bate de porta em porta na baixa renda em busca de microc\u00e9falos"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Felipe Resk<\/strong><\/h6>\n<p>Equipes sanit\u00e1rias de Pernambuco est\u00e3o \u00e0 procura de beb\u00eas com suspeita de microcefalia que nunca chegaram a hospitais de refer\u00eancia, onde deveriam confirmar o diagn\u00f3stico e iniciar o tratamento. Em boa parte, s\u00e3o mulheres de baixa escolaridade, pouca renda e moradoras de regi\u00f5es menos desenvolvidas, que saem da maternidade para casa e n\u00e3o fazem mais nenhuma consulta m\u00e9dica. O governo estadual admite fazer busca ativa para encontrar essas m\u00e3es, mas diz n\u00e3o existir uma estimativa oficial de quantas s\u00e3o.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o mais recente aponta que h\u00e1 1.159 casos sob investiga\u00e7\u00e3o de beb\u00eas nascidos com per\u00edmetro cef\u00e1lico menor do que o considerado normal em Pernambuco. O dado inclui tanto crian\u00e7as que nunca receberam aux\u00edlio m\u00e9dico quanto as que foram encaminhadas para unidades de sa\u00fade e aguardam resultados de exames para confirmar a microcefalia. Para especialistas que atuam na for\u00e7a-tarefa do Estado, entretanto, ao menos metade desses rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o passou por procedimento m\u00e9dico depois que saiu da maternidade.<\/p>\n<p>O n\u00famero de casos confirmados em Pernambuco saltou de nove, em m\u00e9dia, por ano, para 153 em seis meses. No in\u00edcio, as suspeitas eram encaminhadas para o Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz, no Recife, que acompanha ao menos 300 beb\u00eas. Tamb\u00e9m h\u00e1 atendimento em Caruaru e Garanhuns, no agreste, Serra Talhada e Petrolina, no sert\u00e3o, e em outras duas unidades na capital.<\/p>\n<p><b>Suspeita &#8211;\u00a0<\/b>Moradora do interior, a jovem Valqu\u00edria Cristiane dos Santos abandonou os estudos na 6\u00aa s\u00e9rie, casou-se aos 12 e n\u00e3o aparenta ter mais do que os seus 18 anos, mesmo depois de tr\u00eas gesta\u00e7\u00f5es. Vive com o marido em uma casa com ch\u00e3o de cimento batido e telhado sem forro, em um bairro pobre e violento de Goiana, cidade com 29 notifica\u00e7\u00f5es de microcefalia.<\/p>\n<p>Valqu\u00edria n\u00e3o trabalha para poder cuidar dos filhos, o mais velho de 3 anos. J\u00e1 a mais nova, Sophia Vit\u00f3ria, nasceu de parto normal no dia 14 de novembro, com pouco mais de dois quilos e 30 cent\u00edmetros de per\u00edmetro cef\u00e1lico.<\/p>\n<p>A m\u00e3e n\u00e3o sabe, mas Sophia faz parte das estat\u00edsticas de casos suspeitos de microcefalia. Desde dezembro, s\u00e3o notificadas todas as crian\u00e7as com no m\u00e1ximo 32 cent\u00edmetros de per\u00edodo cef\u00e1lico &#8211; e n\u00e3o mais com at\u00e9 33, a antiga medida. Para ter a confirma\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso fazer um exame de imagem que permite ao m\u00e9dico detectar m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es provocadas por algum agente infeccioso, como nos casos associados ao zika v\u00edrus, citomegalov\u00edrus e toxoplasmose. Se o exame n\u00e3o apontar problema, o caso \u00e9 descartado.<\/p>\n<p>&#8220;Olhei ela dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a, mas n\u00e3o achei nenhuma anormalidade. S\u00f3 nasceu um pouco magrinha&#8221;, conta a jovem. &#8220;Eu pedia para Deus mandar ela perfeita para mim. E Ele mandou.&#8221;<\/p>\n<p>Valqu\u00edria teve febre no s\u00e9timo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, mas diz n\u00e3o ter sido diagnosticada com nenhuma doen\u00e7a espec\u00edfica. Segundo conta, ficou tr\u00eas dias internada na maternidade e nenhum funcion\u00e1rio a alertou sobre a chance de a filha ter algum tipo de m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o foi procurada nem passou por um m\u00e9dico depois disso. Em compara\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os, Sophia parece ter a cabe\u00e7a um pouco menor nas laterais, mas para Valqu\u00edria a filha est\u00e1 bem &#8220;Ela \u00e9 mais calma do que os outros. S\u00f3 chora para tomar banho e mamar.&#8221;<\/p>\n<p><b>Motivos &#8211;\u00a0<\/b>Segundo especialistas, m\u00e3es e crian\u00e7as deixam de receber acompanhamento por v\u00e1rios fatores: falta de recurso para ir ao hospital e se hospedar em outra cidade, de orienta\u00e7\u00e3o, o intervalo para agendar a primeira consulta e at\u00e9 mesmo por acreditar que o filho \u00e9 saud\u00e1vel. A rotina m\u00e9dica, com duas ou tr\u00eas consultas por semana, tamb\u00e9m torna a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil para mulheres que precisam trabalhar.<\/p>\n<p>A infectologista pedi\u00e1trica Angela Rocha, coordenadora do setor no Oswaldo Cruz, conta que j\u00e1 ouviu pacientes dizerem que por pouco n\u00e3o desistiram da consulta. &#8220;O que est\u00e1 se notando \u00e9 que, com algumas crian\u00e7as do interior, a m\u00e3e acha o menino &#8216;meio normal&#8217;, porque ele est\u00e1 ganhando peso, se alimentando bem e n\u00e3o est\u00e1 muito irritado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos relatam que chegam a receber pacientes pela primeira vez quatro meses depois do nascimento da crian\u00e7a. E a demora pode comprometer a recupera\u00e7\u00e3o do beb\u00ea. &#8220;Quanto mais r\u00e1pido ele for encaminhado para tratamento, mais cedo recebe est\u00edmulos e melhor s\u00e3o os resultados&#8221;, diz o m\u00e9dico Carlos Brito, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico de Arboviroses do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><b>Procura &#8211;\u00a0<\/b>A funcion\u00e1ria de limpeza Ana Paula da Silva, de 29 anos, m\u00e3e de Alexia Vict\u00f3ria, de 3 meses, mora em uma casa perto do centro de Goiana. A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 colada a outras moradias de um beco, onde pilhas de lixo atraem mosquitos.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a tamb\u00e9m nasceu com 30 cent\u00edmetros de per\u00edmetro cef\u00e1lico &#8220;Ela dorme bem e come certinho, mas \u00e9 muito chorona&#8221;, diz a m\u00e3e de outros quatro filhos. Choro cont\u00ednuo do beb\u00ea \u00e9 uma reclama\u00e7\u00e3o comum entre os pais de filhos com microcefalia. &#8220;O m\u00e9dico achou que ela nasceu pequena, mas ningu\u00e9m disse nada, n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o essas pessoas que estamos procurando&#8221;, diz Patr\u00edcia Ismael, diretora-geral de Informa\u00e7\u00f5es e A\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas em Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica, da Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco. &#8220;H\u00e1 uma parte da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 carente de informa\u00e7\u00e3o, pela baixa escolaridade.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Resk Equipes sanit\u00e1rias de Pernambuco est\u00e3o \u00e0 procura de beb\u00eas com suspeita de microcefalia que nunca chegaram a hospitais de refer\u00eancia, onde deveriam confirmar o diagn\u00f3stico e iniciar o tratamento. 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