{"id":88284,"date":"2016-02-07T16:05:37","date_gmt":"2016-02-07T18:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=88284"},"modified":"2016-02-07T20:11:16","modified_gmt":"2016-02-07T22:11:16","slug":"ceara-importa-tradicao-de-pernambuco-e-faz-carnaval-do-maracatu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ceara-importa-tradicao-de-pernambuco-e-faz-carnaval-do-maracatu\/","title":{"rendered":"Cear\u00e1 importa maracatu de Pernambuco para o carnaval"},"content":{"rendered":"<p>Edwirges Nogueira<\/p>\n<p>Trajes coloridos, rostos pintados de preto, batuques e loas tomam a Avenida Domingos Ol\u00edmpio durante o carnaval de Fortaleza. O tradicional desfile dos maracatus come\u00e7ou seguiu neste diomingo\u00a0com a apresenta\u00e7\u00e3o de oito grupos, de um total de 15. Em ritmo de batucque e com elementos das culturas africana, ind\u00edgena e brasileira, o maracatu foi declarado patrim\u00f4nio imaterial de Fortaleza em 2015.<\/p>\n<p>O Az de Ouro \u00e9 um dos que se apresentam nesta noite. Este ano, o grupo completa 80 anos de funda\u00e7\u00e3o e \u00e9 considerado o mais antigo do carnaval de rua de Fortaleza. A loa (m\u00fasica) que ser\u00e1 cantada durante o desfile reverencia os \u00edndios e os negros, dois dos elementos presentes na composi\u00e7\u00e3o do maracatu. \u201cQueremos resgatar um pouco das culturas ind\u00edgena e negra, interligando esses dois pontos na loa\u201d, explica Marcos Gomes, diretor de Carnaval do Az de Ouro.<\/p>\n<p>Na avenida, o maracatu traz diferentes representa\u00e7\u00f5es, como pr\u00edncipes e princesas, rei e rainha, orix\u00e1s, \u00edndios, baianas e africanos. H\u00e1 tamb\u00e9m as figuras da calunga, uma boneca negra; do balaieiro, que carrega uma cesta de frutas na cabe\u00e7a; e do casal de pretos-velhos. A maioria desfila com os rostos pintados de preto. A tinta, segundo Gomes, \u00e9 feita a partir da fuligem de lamparina, misturada com vaselina e talco.<\/p>\n<p>De acordo com Gomes, os dois elementos cantados e representados na avenida em 2016tamb\u00e9m servir\u00e3o de base para as celebra\u00e7\u00f5es dos 80 anos do maracatu, que ser\u00e1 o tema desenvolvido no carnaval de 2017. Ele disse que o Az de Ouro pretende narrar a evolu\u00e7\u00e3o do grupo ao longo desses 80 anos.<\/p>\n<p><strong>Influ\u00eancia pernambucana<\/strong> &#8211;\u00a0No livro Maracatu Az de Ouro: 70 anos de mem\u00f3rias, loas e batuques, publicado em 2007, o cantor, compositor e pesquisador Pingo de Fortaleza informa que o grupo foi criado por Raimundo Alves Feitosa a partir da influ\u00eancia das cambindas pernambucanas, especialmente da Dois de Ouro. Nos anos 1930, conta Pingo, integrantes desses grupos j\u00e1 saiam \u00e0s ruas com os rostos pintados de preto.<\/p>\n<p>Na evolu\u00e7\u00e3o do Az de Ouro, Pingo de Fortaleza destaca a agrega\u00e7\u00e3o de elementos do carnaval carioca, a exemplo da competi\u00e7\u00e3o e das fantasias imponentes com tecidos nobres e pedrarias. A m\u00fasica tamb\u00e9m passou por mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, ele verifica que o Az de Ouro, na d\u00e9cada de 1940, passeava por ritmos mais en\u00e9rgicos, parecidos com o coco e com a batida do maracatu pernambucano. Um fato hist\u00f3rico, conforme o pesquisador, indica isso. Em 1942, o cineasta norte-americano Orson Welles esteve em Fortaleza e, segundo registro da imprensa local, foi recebido com um coco-maracatu interpretado por jangadeiros. Atualmente, o grupo canta suas loas acompanhados da batida solene, que ficou conhecida nacionalmente por meio da can\u00e7\u00e3o Pav\u00e3o Mysteriozo, de Ednardo.<\/p>\n<p>\u201cO maracatu Az de Ouro \u00e9 a refer\u00eancia para a forma\u00e7\u00e3o de outros grupos na d\u00e9cada de 1950 e at\u00e9 as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, quando novos maracatus come\u00e7am a surgir e a trabalhar a diversidade r\u00edtmica.\u201d Um desses novos maracatus \u00e9 o Solar, do qual o pesquisador participa.<\/p>\n<p><strong>Batuque solene<\/strong> &#8211;\u00a0Marcos Gomes defende a continuidade do batuque solene no Az de Ouro, mas ressalta a liberdade de outros grupos de adotarem outros ritmos. \u201cRaimundo Alves Feitosa formatou a batida lenta, como cortejo. Eu n\u00e3o posso fazer um cortejo acelerado porque fica esquisito. Os maracatus de Fortaleza t\u00eam livre-arb\u00edtrio para criar. Nunca foi posto que, para formar um maracatu, era preciso ir na linha do Az de Ouro.\u201d<\/p>\n<p>O Maracatu Solar, por exemplo, \u00e9 um dos grupos que adotou novos ritmos e novas pr\u00e1ticas. No desfile de ontem, o grupo reverenciou o orix\u00e1 Ogum em sua loa e usou quatro ritmos de batuques. Em vez das roupas pesadas e vistosas, os integrantes usam fantasias de tecidos leves, como a viscose. O maracatu tamb\u00e9m n\u00e3o compete com os demais nem pinta o rosto de preto.<\/p>\n<p>\u201cEu considero a pintura uma m\u00e1scara est\u00e9tica. Os grupos tinham um argumento de que pintavam o rosto porque n\u00e3o havia negro no Cear\u00e1 \u2013 uma nega\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de uma presen\u00e7a consolidada. Tamb\u00e9m havia a ideia de que, como s\u00f3 havia homens no maracatu no passado, representando pap\u00e9is tanto masculinos como femininos, eles se escondiam por meio da pintura. N\u00f3s n\u00e3o usamos porque resolvemos discutir a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica do maracatu. Eu sou negro sem pintar o rosto\u201d, defende Pingo de Fortaleza.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edwirges Nogueira Trajes coloridos, rostos pintados de preto, batuques e loas tomam a Avenida Domingos Ol\u00edmpio durante o carnaval de Fortaleza. O tradicional desfile dos maracatus come\u00e7ou seguiu neste diomingo\u00a0com a apresenta\u00e7\u00e3o de oito grupos, de um total de 15. 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