{"id":88497,"date":"2016-02-09T07:31:55","date_gmt":"2016-02-09T09:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=88497"},"modified":"2016-02-09T11:34:13","modified_gmt":"2016-02-09T13:34:13","slug":"salgueiro-leva-a-malandragem-para-a-avenida-e-a-vila-quer-abafar-com-miguel-arraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/salgueiro-leva-a-malandragem-para-a-avenida-e-a-vila-quer-abafar-com-miguel-arraes\/","title":{"rendered":"Salgueiro leva a malandragem para a avenida e a Vila quer abafar com Miguel Arraes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberta Pennafort, F\u00e1bio Grellet, Clarissa Thom\u00e9 e Carla Miranda<\/strong><\/p>\n<p>Com uma ode ao malandro, o Salgueiro fez nesta segunda-feira (8) na Sapuca\u00ed um desfile \u00e0 altura do campeonato com que tanto sonha. A escola, &#8220;mordida&#8221; por dois segundos lugares seguidos, em 2014 e em 2015, arrebatou a avenida com um samba de refr\u00e3o contagiante e batida com sabor africano, que j\u00e1 era o mais cantado no pr\u00e9-carnaval e ganhou mais for\u00e7a no Samb\u00f3dromo. O casal de carnavalescos Renato e M\u00e1rcia Lage retratou o malandro das ruas, dos becos, do boteco, do carteado, das corridas de cavalo, do teatro de revista e das religi\u00f5es de matriz africana, &#8220;o rei das favelas&#8221;, apresentado em carros aleg\u00f3ricos e fantasias ricamente executados.<\/p>\n<p>Na figura do Z\u00e9 Pilintra, entidade das mais importantes das religi\u00f5es africanas que \u00e9 exaltada no enredo, o malandro, de chap\u00e9u, terno branco e sapato bicolor ou na vers\u00e3o de camiseta listrada, sambou &#8220;num palco sob as estrelas&#8221;, acompanhado de componentes caracterizados como a Pomba Gira. Potentes, as performances foram muito aplaudidas. A escola ganhou o p\u00fablico, que a saudou como campe\u00e3 na dispers\u00e3o. No domingo (7), somente a Beija-Flor, que fez um desfile sobre o Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, mereceu essa defer\u00eancia.<\/p>\n<p>O malandro batuqueiro do Morro do Salgueiro, na Tijuca, zona norte do Rio, \u00e9 do bem. Circula pela Pra\u00e7a Tiradentes, no centro do Rio, por cassinos, convive com prostitutas, transformistas e mendigos e tenta driblar as dificuldades da vida. O enredo se chama &#8220;A \u00f3pera dos malandros&#8221;, uma refer\u00eancia ao musical de Chico Buarque, que aprovou a ideia, mas n\u00e3o desfilou. Max Overseas, o malandro de sua obra, desfilou, assim como Geni &#8211; a bateria de mestre Marc\u00e3o tinha m\u00e1scaras do personagem, e um zepelim sobrevoou os ritmistas (a estrutura infl\u00e1vel era segurada por componentes no ch\u00e3o por meio de cordas).<\/p>\n<p>A escola foi ajudada financeiramente por praticantes de religi\u00f5es africanas que s\u00e3o devotos do Z\u00e9 Pilintra &#8211; Renato Lage deu entrevista dizendo que o enredo era em homenagem \u00e0 entidade, uma novidade na Sapuca\u00ed, em sua vis\u00e3o, e que esta intercedeu para que a apresenta\u00e7\u00e3o tivesse sucesso.<\/p>\n<p>A presidente Regina Celi Fernandes estava confiante no bom desempenho. Na concentra\u00e7\u00e3o, ela vivia a expectativa de superar a Beija-Flor, atual campe\u00e3 e melhor a desfilar na primeira noite de desfiles. Ela assumiu o microfone dos cantores para pedir aos integrantes da escola que cantassem. &#8220;\u00c9 s\u00f3 isso que precisamos: que todos cantem&#8221;. No setor 1, a escola conquistou a arquibancada com uma r\u00e1pida apresenta\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de frente, que representou os malandros dan\u00e7ando com as damas da noite. O p\u00fablico n\u00e3o abandonou o Salgueiro Sapuca\u00ed adentro.<\/p>\n<p><b>Vila Isabel &#8211;\u00a0<\/b>A Vila Isabel abriu a noite contando a vida de Miguel Arraes, pol\u00edtico cearense tr\u00eas vezes governador de Pernambuco. A escola retomou uma tradi\u00e7\u00e3o de enredos pol\u00edticos, com forte cunho social. Logo no come\u00e7o da apresenta\u00e7\u00e3o, a comiss\u00e3o de frente de Jaime Ar\u00f4xa trouxe um cortejo f\u00fanebre nordestino, com corpos carregados em redes, e a morte pairando sobre a avenida &#8211; um belo efeito da patinadora Telma Delelis, que n\u00e3o parecia patinar, mas deslizar. &#8220;N\u00e3o \u00e9 a morte f\u00edsica. \u00c9 a morte pela falta da cultura, da educa\u00e7\u00e3o. E combina com o carnaval, porque a vida retoma com a chegada da cultura&#8221;, explicou Ar\u00f4xa.<\/p>\n<p>Para homenagear o centen\u00e1rio de Arraes, as mazelas sociais que ele enfrentou foram lembradas na avenida: a seca, as moradias sobre palafitas, as dificuldades dos cortadores de cana, o analfabetismo. Esses temas vieram ao lado de \u00edcones culturais de Pernambuco, como o frevo e o bloco carnavalesco Galo da Madrugada, que mereceu um enorme carro ao fim do desfile. &#8220;\u00c9 obriga\u00e7\u00e3o da escola de samba trazer uma mensagem, apresentar uma proposta, fazer a cr\u00edtica social&#8221;, afirmou Martinho da Vila, autor do enredo e um dos compositores do samba, ao lado da filha Mart&#8217;n\u00e1lia, de Arlindo Cruz , Andr\u00e9 Diniz e Leonel. Martinho encarnava um cangaceiro. O sambista se emocionou do come\u00e7o ao fim da passagem da escola, da qual \u00e9 presidente de honra e s\u00edmbolo maior.<\/p>\n<p>Os filhos do ex-governador, a ministra do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o Ana Arraes e o cineasta Guel Arraes, e o neto Antonio Campos, filho de Ana, desfilaram \u00e0 frente da Vila. &#8220;Esse \u00e9 o enredo sobre um pol\u00edtico que teve compromisso com o povo, que n\u00e3o desistiu nunca, jamais. \u00c9 preciso lutar por um Brasil democr\u00e1tico. Toda a fam\u00edlia est\u00e1 muito satisfeita&#8221;, afirmou Ana<\/p>\n<p>Se o come\u00e7o do desfile teve tons p\u00e1lidos, aludindo \u00e0 seca, \u00e0 caatinga e ao mangue, a escola foi ganhando cores ao longo da apresenta\u00e7\u00e3o, quando entraram os programas de educa\u00e7\u00e3o criados por Arraes e as express\u00f5es culturais nordestinas, como o cordel, o xaxado e os repentistas. O carro que representou o Galo da Madrugada, todo colorido, soltava bombas de serpentina e ganhou muitos aplausos do p\u00fablico. Arraes s\u00f3 foi representado ao fim, num boneco de Olinda, ladeado por integrantes vestidos como foli\u00f5es do Galo da Madrugada.<\/p>\n<p>A bateria veio vestida de Le\u00e3o do Norte, figura presente na bandeira pernambucana, um tributo \u00e0 for\u00e7a do povo. Sabrina Sato era a guerreira que defendia esses le\u00f5es. &#8220;Eu represento a coragem e a ousadia da mulher pernambucana. Essa mulher forte. \u00c9 um enredo lindo, que faz essa uni\u00e3o do frevo com o samba. A Vila \u00e9 uma escola tradicional que sabe fazer essas misturas muito bem&#8221;, contou a apresentadora, que desfilou com grandes curativos nos ombros. Ela ficou machucada no desfile da Gavi\u00f5es da Fiel, em S\u00e3o Paulo. &#8220;Dizem que na hora a gente n\u00e3o sente. Mentira. Sente, sim. Mas a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que voc\u00ea segue em frente&#8221;, disse Sabrina.<\/p>\n<p>O tom pol\u00edtico j\u00e1 havia sido sentido na avenida no domingo (7), durante o desfile da Mocidade. A escola falou de Dom Quixote de La Mancha e ousou ao comparar os moinhos enfrentados pelo personagem de Miguel de Cervantes aos percal\u00e7os da vida do brasileiro; entre eles, a corrup\u00e7\u00e3o. A comiss\u00e3o de frente fazia alus\u00e3o ao esc\u00e2ndalo na Petrobras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Pennafort, F\u00e1bio Grellet, Clarissa Thom\u00e9 e Carla Miranda Com uma ode ao malandro, o Salgueiro fez nesta segunda-feira (8) na Sapuca\u00ed um desfile \u00e0 altura do campeonato com que tanto sonha. 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