{"id":89058,"date":"2016-02-13T12:14:29","date_gmt":"2016-02-13T14:14:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=89058"},"modified":"2016-02-13T12:14:29","modified_gmt":"2016-02-13T14:14:29","slug":"blocos-de-rua-voltaram-com-forca-e-ajudaram-a-dar-novo-colorido-ao-carnaval-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/blocos-de-rua-voltaram-com-forca-e-ajudaram-a-dar-novo-colorido-ao-carnaval-carioca\/","title":{"rendered":"Blocos de rua voltaram com for\u00e7a e ajudaram a dar novo colorido ao carnaval carioca"},"content":{"rendered":"<p><strong>Paulo Virg\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p>O Rio de Janeiro sempre teve em seu carnaval uma refer\u00eancia para outras capitais do pa\u00eds. Quando as escolas de samba cariocas ganharam dimens\u00e3o e luxo, a partir dos anos 60, levando \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do samb\u00f3dromo, o modelo acabou sendo reproduzido, particularmente em S\u00e3o Paulo, inclusive com a importa\u00e7\u00e3o de carnavalescos e outros profissionais do setor. Agora, o fen\u00f4meno se repete com rela\u00e7\u00e3o ao carnaval de rua, que registrou aumento de 40% no n\u00famero de blocos, nos \u00faltimos anos, na capital paulista.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o vertiginoso crescimento dos blocos de rua nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas significou na verdade a retomada de uma das tradi\u00e7\u00f5es carnavalescas da cidade, que teve sua origem nos cord\u00f5es do final do s\u00e9culo 19. Cord\u00f5es e blocos foram, durante muito tempo, termos que se confundiam: chama-se Cord\u00e3o da Bola Preta o mais tradicional bloco do carnaval carioca, fundado em 1918.<\/p>\n<p>Para o historiador Felipe Ferreira, professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi justamente no per\u00edodo que vai do final do s\u00e9culo 19 ao in\u00edcio do s\u00e9culo 20 que o carnaval do Rio se modelou, \u201ca partir da brincadeira das ruas, com os corsos e as grandes sociedades, divers\u00e3o mais ligada \u00e0 elite, e o z\u00e9-pereira, bloco de sujo, os cord\u00f5es e os ranchos, que eram as divers\u00f5es mais populares\u201d. Segundo Ferreira, o que hoje \u00e9 chamado de bloco de rua na \u00e9poca era considerado o \u201cpequeno carnaval\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cgrande carnaval\u201d, o dos bailes e dos corsos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m historiador do carnaval, Guilherme Guaral, professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA), cita outros fatores, al\u00e9m da refer\u00eancia do carnaval carioca, para o crescimento dos blocos de rua em todo o pa\u00eds. Para ele, todos estariam relacionados ao atual contexto pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que a necessidade de exprimir o esp\u00edrito de irrever\u00eancia e cr\u00edtica social num momento t\u00e3o conturbado da nossa vida pol\u00edtica \u00e9 um dos fatores desse crescimento. O alto custo de participar ou assistir aos desfiles das escolas e dos pre\u00e7os nada populares dos bailes de clubes tem levado as pessoas a procurar divers\u00e3o nas ruas de forma mais barata e democr\u00e1tica\u201d, afirma Guaral, autor de dois livros sobre as escolas de samba do Rio.<\/p>\n<p>Na medida em que v\u00e3o ganhando maior divulga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia a cada carnaval, os blocos acabam atraindo mais e mais foli\u00f5es, propiciando o surgimento de outros, num processo que Felipe Ferreira define como de realimenta\u00e7\u00e3o. Para Guilherme Guaral, o gigantismo exige uma log\u00edstica cada vez maior e um esquema de seguran\u00e7a eficiente, principalmente em casos como o do Cord\u00e3o da Bola Preta, que chega a juntar mais de 1 milh\u00e3o de pessoas, mas isso n\u00e3o afeta a ess\u00eancia dos blocos.<\/p>\n<p>\u201cA marca desses blocos \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da m\u00fasica de carnaval, das marchinhas e dos bons sambas de enredo de outras d\u00e9cadas. Assim, acredito que a ess\u00eancia de um carnaval mais brincado e que permite a irrever\u00eancia do esp\u00edrito cr\u00edtico e debochado do carnaval esteja mantida\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do crescimento do n\u00famero de blocos e de foli\u00f5es, o carnaval de rua do Rio tem se caracterizado nos \u00faltimos anos pelo surgimento de grupos pautados pela diversidade musical e por propostas ligadas a quest\u00f5es de comportamento e cidadania. S\u00e3o exemplos o Sargento Pimenta, que toca em ritmo de carnaval o repert\u00f3rio dos Beatles, o Toca Rauuul!!!, dedicado ao rock-bai\u00e3o de Raul Seixas, e o Mulheres Rodadas, de cr\u00edtica ao machismo.<\/p>\n<p>Segundo o historiador, essa diversidade \u00e9 positiva e reflete o esp\u00edrito da cidade. \u201cA cidade do Rio \u00e9 cosmopolita e a pluralidade de estilos, est\u00e9ticas e tend\u00eancias art\u00edsticas faz parte de nossa identidade. A cidade permite essas experimenta\u00e7\u00f5es que, a meu ver, s\u00e3o muito positivas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outra novidade recente s\u00e3o os chamados blocos n\u00e3o oficiais, ou seja, aqueles que n\u00e3o desfilam nos locais e hor\u00e1rios acertados com a prefeitura, n\u00e3o t\u00eam patroc\u00ednio de marcas de cerveja e n\u00e3o seguem regra alguma, como o caso do Boi Tolo. Guaral considera essa tend\u00eancia \u201ctransgressora\u201d perfeitamente afinada com a hist\u00f3ria do carnaval da cidade.<\/p>\n<p>\u201cEssas iniciativas combinam muito com o esp\u00edrito irreverente do carioca que, na maioria das vezes, prefere criar modos de divers\u00e3o sem tanta \u201cordem\u201d, ressalta o historiador. De acordo com ele, na maioria dos casos a ordem \u201cmata o car\u00e1ter aut\u00eantico do bloco em nome de uma a\u00e7\u00e3o organizada e, por isso mesmo, \u201csob o controle\u201d do Poder P\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>O crescimento dos blocos abertos a qualquer foli\u00e3o tem, no entanto, gerado uma contrapartida. Antes dessa expans\u00e3o tinham muita for\u00e7a na cidade, al\u00e9m dos desfiles das escolas de samba, os chamados blocos de embalo, como o Cacique de Ramos e o Bafo da On\u00e7a. S\u00e3o blocos em que os integrantes desfilam todos com a mesma fantasia, cantando o mesmo samba. Neste \u00faltimo carnaval, a reportagem da Ag\u00eancia Brasil ouviu queixas desses blocos, que se consideram relegados a segundo plano.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Guilherme Guaral, agremia\u00e7\u00f5es carnavalescas que ficaram muito tempo dependentes do Poder P\u00fablico precisam rever suas posturas. \u201cEsses blocos sempre foram fortes, mas em tempo de crise \u00e9 necess\u00e1rio criar outras estrat\u00e9gias para sua sobreviv\u00eancia. A categoria bloco de embalo ficou sem espa\u00e7o, assim como os blocos de enredo, que, a meu ver, desapareceram da festa oficial\u201d. O historiador considera que \u00e9 preciso encontrar novamente a relev\u00e2ncia desses blocos e a intera\u00e7\u00e3o em suas comunidades, al\u00e9m de buscar alternativas de patroc\u00ednio para que eles retornem com a for\u00e7a de d\u00e9cadas passadas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Virg\u00edlio O Rio de Janeiro sempre teve em seu carnaval uma refer\u00eancia para outras capitais do pa\u00eds. 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