{"id":89115,"date":"2016-02-13T22:02:07","date_gmt":"2016-02-14T00:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=89115"},"modified":"2016-07-30T16:51:26","modified_gmt":"2016-07-30T19:51:26","slug":"ciencia-cruza-fruteiras-para-criar-arvores-imortais-a-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ciencia-cruza-fruteiras-para-criar-arvores-imortais-a-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia faz cruzamento de \u00e1rvores frut\u00edferas para criar esp\u00e9cies imortais ao clima"},"content":{"rendered":"<p>Distante duas horas de Santiago por estrada, em plena regi\u00e3o de O&#8217;Higgins, um grupo de cientistas procura criar uma gera\u00e7\u00e3o de &#8220;super \u00e1rvores&#8221; resistentes aos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Se este experimento de alcance mundial tiver \u00eaxito, as primeiras esp\u00e9cies resistentes poderiam ser comercializadas em 2019.<\/p>\n<p>As &#8220;super \u00e1rvores&#8221; estariam preparadas para enfrentar eventos como secas, diminui\u00e7\u00e3o do regime pluviom\u00e9trico e concentra\u00e7\u00e3o em curtos per\u00edodos de tempo de ventos, geadas e tempestades, tudo isso como consequ\u00eancia do aquecimento global.<\/p>\n<p>Os estragos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica na produtividade frut\u00edcola se associam fundamentalmente com manifesta\u00e7\u00f5es do chamado &#8220;estresse abi\u00f3tico&#8221;, como as inunda\u00e7\u00f5es, as geadas e os &#8220;solos \u00e1cidos&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os especialistas preveem que para 2050, ter\u00e1 ocorrido uma dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, com o conseguinte preju\u00edzo para a agricultura.<\/p>\n<p>Com a mente voltada em reverter esta situa\u00e7\u00e3o, os pesquisadores do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Fruticultura (CEAF) do Chile trabalham desde 2009 no desenvolvimento de esp\u00e9cies de \u00e1rvores frut\u00edferas que sejam resistentes \u00e0s inclem\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos centrados em trabalhar as ra\u00edzes, o programa est\u00e1 focado em obter novos materiais vegetais para os porta-enxertos&#8221;, explica \u00e0 Ag\u00eancia Efe Felipe Ga\u00ednza, diretor da linha de Melhoramento Gen\u00e9tico do CEAF.<\/p>\n<p>O enxerto \u00e9 um m\u00e9todo de propaga\u00e7\u00e3o vegetativa artificial dos vegetais no qual uma por\u00e7\u00e3o de tecido, procedente de uma planta, se une sobre outra j\u00e1 assentada, de tal modo que o conjunto de ambos cres\u00e7a como um s\u00f3 organismo.<\/p>\n<p>Os cientistas trabalham no desenvolvimento de novos porta-enxertos &#8220;que sejam uma alternativa aos que s\u00e3o utilizados comumente, que geneticamente est\u00e3o obsoletos&#8221;, detalha Ga\u00ednza.<\/p>\n<p>S\u00f3 na regi\u00e3o chilena de O&#8217;Higgins, onde opera o Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Fruticultura, existem 25.684 hectares dedicados ao cultivo de p\u00eassegos (p\u00eassegos), nectarinas e cerejas, o que representa a metade da superf\u00edcie dedicada no Chile a estes cultivos.<\/p>\n<p>Estas \u00e1rvores de frutas com caro\u00e7o em seu interior s\u00e3o as esp\u00e9cies com as quais os cientistas chilenos est\u00e3o trabalhando para faz\u00ea-las mais resistentes ou tolerantes a condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores efetuam an\u00e1lise em n\u00edvel molecular com o objetivo de observar como se expressam alguns genes perante estes problemas, afirma \u00e0 Efe o diretor interino do CEAF, Mauricio Ortiz.<\/p>\n<p>Estes estudos s\u00e3o realizados em n\u00edvel fisiol\u00f3gico para determinar &#8220;que mudan\u00e7as s\u00e3o geradas dentro da planta&#8221;; em n\u00edvel anat\u00f4mico, &#8220;para ver as adapta\u00e7\u00f5es que gera a planta frente \u00e0s mudan\u00e7as, e em n\u00edvel de campo, &#8220;para observar como se comporta em seu ambiente natural&#8221;, apontou o especialista.<\/p>\n<p>Em 2011, os cientistas iniciaram o cruzamento de nove sele\u00e7\u00f5es de porta-enxertos de caro\u00e7os de fruta a fim de faz\u00ea-los mais tolerantes \u00e0s condi\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n<p>&#8220;Por exemplo, no h\u00edbrido entre uma pessegueira e uma amendoeira, esta \u00faltima apresenta a resist\u00eancia \u00e0 seca e toler\u00e2ncia aos nem\u00e1todos, um parasita do solo que afeta as ra\u00edzes&#8221;, explica Ortiz.<\/p>\n<p>Outra esp\u00e9cie com as quais foi cruzada a pessegueira \u00e9 a ameixa, que outorga maior resist\u00eancia \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es e cria um fruto que tolera as condi\u00e7\u00f5es ambientais adversas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores utilizam t\u00e9cnicas de biotecnologia para clonar os genes das plantas mais resistentes e tolerantes atrav\u00e9s de seu DNA e assim desenvolver ferramentas moleculares que ajudam a selecionar cedo os porta-enxertos desenvolvidos pelo CEAF.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou a fruticultura no Chile, lembra o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores e Exportadores da regi\u00e3o de O&#8217;Higgins, Francisco Duboy, &#8220;foram trazidas as plantas desde a Calif\u00f3rnia, porque esse estado possui um clima similar ao da zona central do Chile&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o se pensou na p\u00f3s-colheita&#8221;, acrescenta Duboy, e por isso agora se trabalha na cria\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores clones que se adaptem \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas bruscos e que tamb\u00e9m resistam os longos mudan\u00e7as durante a exporta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distante duas horas de Santiago por estrada, em plena regi\u00e3o de O&#8217;Higgins, um grupo de cientistas procura criar uma gera\u00e7\u00e3o de &#8220;super \u00e1rvores&#8221; 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