{"id":89330,"date":"2016-02-15T09:15:02","date_gmt":"2016-02-15T11:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=89330"},"modified":"2016-02-15T12:51:27","modified_gmt":"2016-02-15T14:51:27","slug":"disparada-dos-juros-assusta-quem-deixa-o-cartao-de-credito-solto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/disparada-dos-juros-assusta-quem-deixa-o-cartao-de-credito-solto\/","title":{"rendered":"Disparada dos juros assusta todo mundo que deixa cart\u00e3o de cr\u00e9dito solto no bolso"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Hugo Passarelli<\/strong><\/h6>\n<p>A d\u00edvida dos brasileiros no rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito engordou em 2015. O saldo dessa modalidade &#8211; isto \u00e9, a soma de todo os valores devidos &#8211; cresceu 21,2% no ano passado e atingiu R$ 34,5 bilh\u00f5es, segundo o Banco Central (BC). O ritmo de crescimento \u00e9 praticamente o dobro do verificado em 2014, quando avan\u00e7ou 11,4%. De acordo com o BC, o aumento pode ser explicado pela intensifica\u00e7\u00e3o do uso do rotativo e a incorpora\u00e7\u00e3o de juros &#8211; que atingiram o patamar recorde de 431,4% ao ano.<\/p>\n<p>O gatilho do rotativo ocorre quando o consumidor n\u00e3o paga o valor integral da fatura. Se quitar alguma quantia entre o pagamento m\u00ednimo exigido e o total, o consumidor n\u00e3o \u00e9 considerado inadimplente, mas fica sujeito a uma taxa alt\u00edssima de juros.<\/p>\n<p>O valor que restou \u00e9 computado como um cr\u00e9dito novo &#8211; ou concess\u00e3o, pela nomenclatura do BC. Neste detalhe, outro dado desperta aten\u00e7\u00e3o: a concess\u00e3o do rotativo est\u00e1 crescendo a um ritmo bem menor, de 1,6%.<\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o permitem quantificar o n\u00famero de pessoas inadimplentes no cart\u00e3o. Mas o descolamento entre o aumento da d\u00edvida (saldo) e a concess\u00e3o indica que o juro recorde est\u00e1 criando um contingente de superendividados no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Se o consumidor carregar a d\u00edvida do rotativo por muito tempo, e n\u00e3o troc\u00e1-la por outra mais barata, acaba ficando com um d\u00e9bito imposs\u00edvel de se pagar&#8221;, afirma Marianne Hanson, economista da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). N\u00e3o por acaso, a inadimpl\u00eancia do rotativo \u00e9 a maior entre todas as linhas de cr\u00e9dito dispon\u00edveis no Pa\u00eds: 40,3%.<\/p>\n<p>&#8220;A falta de conhecimento de outras op\u00e7\u00f5es acaba fazendo com que a pessoa opte pelo refinanciamento do rotativo&#8221;, diz Eduardo Tambellini, s\u00f3cio da consultoria GoOn, especializada na gest\u00e3o de risco de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Para escapar dessa espiral de juros, o consumidor pode procurar, no pr\u00f3prio banco, linhas de cr\u00e9dito mais baratas. O consignado, que desconta o valor das parcelas diretamente na folha de pagamento, cobra 28,8% ao ano pelo dinheiro emprestado, por exemplo.<\/p>\n<p>Um levantamento da CNC mostra que, em janeiro, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito foi apontado como a principal d\u00edvida por 78,6% das fam\u00edlias, o maior porcentual desde o in\u00edcio da pesquisa, em 2010 &#8220;Essa percep\u00e7\u00e3o dos consumidores se deve \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com os juros&#8221;, afirma Marianne.<\/p>\n<p><b>Meio de pagamento &#8211;\u00a0<\/b>A economista da CNC lembra que a populariza\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o de cr\u00e9dito tornou o instrumento um meio de pagamento e de bancariza\u00e7\u00e3o, principalmente entre a camada mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Observamos nos \u00faltimos anos uma redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de outros meios, como os carn\u00eas e o cheque pr\u00e9-datado.&#8221;<\/p>\n<p>Entre aqueles que recebem at\u00e9 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos, o cart\u00e3o \u00e9 apontado como principal d\u00edvida por 80%, enquanto na camada superior, com renda de mais de 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos, o porcentual cai para 72,2%.<\/p>\n<p>Marianne lembra, contudo, que os consumidores que escolhem essa alternativa para contas do dia a dia s\u00e3o potenciais tomadores de cr\u00e9dito no rotativo em momentos como o atual, de aumento de infla\u00e7\u00e3o, queda de rendimento e disparada do desemprego.<\/p>\n<p>&#8220;Os saldos do cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e0 vista, em que n\u00e3o h\u00e1 incid\u00eancia de juros, e os do parcelado ainda s\u00e3o maiores do que o rotativo&#8221;, afirma Marianne.<\/p>\n<p>Os especialistas lembram que os consumidores devem evitar a aparente facilidade do rotativo. &#8220;As faturas destacam a possibilidade do pagamento m\u00ednimo, em geral 15% a 20% do total, sem explica\u00e7\u00f5es para o consumidor sobre as implica\u00e7\u00f5es dessa escolha&#8221;, afirma Hessia Costilla, economista da associa\u00e7\u00e3o da consumidores Proteste.<\/p>\n<p><b>Campanha &#8211;\u00a0<\/b>O forte aumento dos juros motivou a Proteste a encampar uma iniciativa para reduzir as taxas cobradas pelos bancos. Em dezembro, a entidade enviou um of\u00edcio ao BC sugerindo um teto para o juro do rotativo. Pela proposta, os bancos poderiam cobrar, no m\u00e1ximo, o dobro da taxa do Certificado de Dep\u00f3sitos Interfinanceiros (CDI).<\/p>\n<p>&#8220;Um mercado de livre concorr\u00eancia funciona melhor do que um em que as taxas s\u00e3o reguladas. Mas, em situa\u00e7\u00f5es emergenciais como esta, limitar o juro do rotativo pode ser uma solu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Hessia. Ela cita exemplos internacionais, como o de Portugal, que adotou medida semelhante e obteve sucesso na redu\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo Passarelli A d\u00edvida dos brasileiros no rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito engordou em 2015. O saldo dessa modalidade &#8211; isto \u00e9, a soma de todo os valores devidos &#8211; cresceu 21,2% no ano passado e atingiu R$ 34,5 bilh\u00f5es, segundo o Banco Central (BC). O ritmo de crescimento \u00e9 praticamente o dobro do verificado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89331,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-89330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89330"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89330\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89349,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89330\/revisions\/89349"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}