{"id":89798,"date":"2016-02-18T09:09:58","date_gmt":"2016-02-18T11:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=89798"},"modified":"2016-02-19T01:32:28","modified_gmt":"2016-02-19T03:32:28","slug":"satter-e-teixeira-despacham-por-ar-a-nova-moda-da-viola-caipira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/satter-e-teixeira-despacham-por-ar-a-nova-moda-da-viola-caipira\/","title":{"rendered":"Satter e Teixeira despacham por AR a nova moda da viola caipira"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Julio Maria<\/strong><\/h6>\n<p>As parcerias que funcionam s\u00e3o as que ganham vida pr\u00f3pria. O que nascer\u00e1 dali n\u00e3o ter\u00e1 necessariamente o sotaque de um ou de outro, mas ganhar\u00e1 linguagem pr\u00f3pria. Assim acredita Renato Teixeira, e foi o que ele come\u00e7ou a sentir pelos seis anos em que trabalhou ao lado de Almir Sater em um disco que desvia ligeiramente de seus \u00e1lbuns solos por vias paralelas.<\/p>\n<p>AR \u00e9 um \u00e1lbum de linguagem solta, sem pretens\u00f5es maiores, ou sem pretens\u00e3o alguma. &#8220;Come\u00e7amos a fazer as m\u00fasicas para n\u00f3s mesmos. N\u00e3o est\u00e1vamos esperando nada por isso&#8221;, diz Almir Sater. &#8220;Ficamos seis anos com esse material, at\u00e9 que decidimos jog\u00e1-lo nas m\u00e3os do Eric Silver (produtor norte-americano)&#8221;, lembra Renato Teixeira.<\/p>\n<p>Eric apareceu com duas fun\u00e7\u00f5es: deu a costura e um prazo. &#8220;Ele fez o disco acontecer&#8221;, diz Almir. Mais do que isso, imprimiu um di\u00e1logo in\u00e9dito no \u00e1lbum, entre a m\u00fasica do campo brasileira e a m\u00fasica country norte-americana. E fica claro que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de arranjo. Uma mesma can\u00e7\u00e3o, como a abertura de D de Destino, poderia ser mais ou menos caipira se n\u00e3o tivesse o \u00f3rg\u00e3o Hammond B3 de Mike Rojas, a sensacional linha de baixo do pr\u00f3prio produtor Eric Silver, a bateria de Wayne Killius ou os vocais de Tania Hancheroff e Vicky Hampton, todos norte-americanos. \u00c9 a forma de tratar a m\u00fasica que a faz mais ligada a um ou outro territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A alma que o disco vai ganhando \u00e9 a de um g\u00eanero que tamb\u00e9m fala portugu\u00eas chamado folk, que surge em sua origem da ideia de folclore. E aparece no momento em que uma cena nova e rica de can\u00e7\u00f5es cheias de verdade, embaladas por viol\u00f5es com cordas de a\u00e7o, pianos e vozes em coro, \u00e9 fortalecida em S\u00e3o Paulo por nomes como N\u00f4 Stopa, Renato God\u00e1, Folk na Kombi, Chico Teixeira (filho de Renato) e Wilson Teixeira (mais sertanejo). Se fosse mesmo um movimento, Almir e Renato, mais Z\u00e9 Geraldo e S\u00e1 Rodrix &amp; Guarabira, seriam seus precursores no Brasil.<\/p>\n<p>De qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 como um disco de folk que Almir Sater &#8220;enxerga&#8221; o que ouve em AR. &#8220;N\u00e3o me parece country nem caipira.. N\u00e3o sei&#8230; Fomos buscando nossas influ\u00eancias e a coisa foi tomando essa forma.&#8221; Ele diz que perdeu a conta das vezes em que ouviu D de Dist\u00e2ncia quando recebeu o \u00e1udio do produtor Eric Silver, que finalizou o material em Nashville, nos Estados Unidos. &#8220;Eu estava na estrada, em uma viagem longa, e n\u00e3o consegui parar de ouvir.&#8221;<\/p>\n<p>Renato prefere passar o resultado do disco por um outro filtro. Ele acredita no folk moderno como uma esp\u00e9cie de terceira via para a m\u00fasica do campo, nem na extremidade do caipirismo cl\u00e1ssico nem na ponta do sertanejo rom\u00e2ntico e urbano, mas percebe mais o rock dos anos 1970 dando as cartas. E tem bons argumentos para isso. A mesma D de Destino \u00e9, para ele, um rock.<\/p>\n<p>Almir fala de um aspecto curioso de sua forma\u00e7\u00e3o, algo que fica mais evidente agora. A m\u00fasica caipira, sobretudo a de Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho, conta com sua rever\u00eancia eterna, mas ele mesmo n\u00e3o \u00e9 um exemplo de ouvinte das modas de viola. &#8220;As pessoas n\u00e3o sabem, mas gosto muito do rock and roll que os ingleses faziam nos anos 70&#8221;. Ele cita Eric Clapton, John Mayall e seus Bluesbrakers, Marc Knopfler e Jethro Tull. Sua viola tem em AR uma inten\u00e7\u00e3o muitas vezes de guitarra ou de viol\u00e3o. Ela cria climas no acompanhamento, mas raramente rasqueia ou faz solos.<\/p>\n<p>Uma outra can\u00e7\u00e3o de destaque faz da Festa de Santo Reis uma balada roqueira setentista. Noite dos Sinos, cantada por Almir, \u00e9 de elevar o ouvinte a dois p\u00e9s acima do ch\u00e3o. Um clima que produtores americanos s\u00e3o mestres em criar na m\u00fasica country, com uma liberdade envolvente de pianos, viol\u00f5es, \u00f3rg\u00e3o Hammond e vozes, mais baixo, bateria e bandolim. Ao vivo, deve virar uma daquelas ora\u00e7\u00f5es redentoras.<\/p>\n<p>Bicho Feio \u00e9 outro ponto de conex\u00e3o entre as linguagens em comum de dois pa\u00edses que nem falam o mesmo idioma. Almir faz um arpejo em escala menor, com frases \u00e1geis, que lembra muito o blueglass americano. E o melhor \u00e9 que ele nem havia percebido isso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria As parcerias que funcionam s\u00e3o as que ganham vida pr\u00f3pria. O que nascer\u00e1 dali n\u00e3o ter\u00e1 necessariamente o sotaque de um ou de outro, mas ganhar\u00e1 linguagem pr\u00f3pria. Assim acredita Renato Teixeira, e foi o que ele come\u00e7ou a sentir pelos seis anos em que trabalhou ao lado de Almir Sater em um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89799,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-89798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher-turismo-e-lazer"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89800,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89798\/revisions\/89800"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}