{"id":90074,"date":"2016-02-20T08:40:57","date_gmt":"2016-02-20T10:40:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=90074"},"modified":"2016-02-20T08:43:11","modified_gmt":"2016-02-20T10:43:11","slug":"portadores-do-virus-hiv-denunciam-falta-de-remedios-contra-infeccoes-oportunistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/portadores-do-virus-hiv-denunciam-falta-de-remedios-contra-infeccoes-oportunistas\/","title":{"rendered":"Portadores do v\u00edrus HIV denunciam falta de rem\u00e9dios contra infec\u00e7\u00f5es oportunistas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vin\u00edcius Lisboa<\/strong><\/p>\n<p>Em 2006, Cazu Barros participou de uma campanha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na TV para combater o preconceito contra a popula\u00e7\u00e3o portadora do v\u00edrus HIV. Ele come\u00e7ava dizendo: &#8220;pessoas que vivem com Aids tomam muitos rem\u00e9dios. O tratamento n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas podem trabalhar, estudar e transar, com camisinha, \u00e9 claro, como todo mundo&#8221;. Hoje com 43 anos, o ator enfrenta um tratamento ainda mais dif\u00edcil com a falta de rem\u00e9dios para tratar infec\u00e7\u00f5es oportunistas, as que se aproveitam da fragilidade do sistema imunol\u00f3gico das pessoas soropositivas.<\/p>\n<p>&#8220;Vivo h\u00e1 26 anos com HIV, mas de quatro anos para c\u00e1 \u00e9 que estou lutando realmente pela vida, com a falta de acesso ao tratamento no Rio de Janeiro. Fico constrangido, porque fa\u00e7o a campanha &#8216;A vida \u00e9 mais forte que a Aids&#8217;, e n\u00e3o tenho acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Cazu precisa tomar o aciclovir 200mg em seu tratamento para herpes zoster, mas o rem\u00e9dio est\u00e1 em falta no Hospital S\u00e3o Francisco de Assis na Provid\u00eancia de Deus, onde \u00e9 acompanhado em um ambulat\u00f3rio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Segundo a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, respons\u00e1vel pelos rem\u00e9dios que tratam infec\u00e7\u00f5es oportunistas, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) suspendeu em novembro o \u00faltimo lote adquirido pelo estado, e, desde ent\u00e3o, a fabricante Prati Donaduzzi n\u00e3o realizou a troca. J\u00e1 a farmac\u00eautica afirma que est\u00e1 aguardando a secretaria enviar documentos para que possa fazer o recolhimento e reposi\u00e7\u00e3o do produto.<\/p>\n<p>O ator se queixa de que a falta de acesso ao rem\u00e9dio, no entanto, j\u00e1 ocorria antes disso. &#8220;Fiquei internado h\u00e1 quatro meses, durante dois meses, em fun\u00e7\u00e3o da falta dessa medica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tomei o rem\u00e9dio e tive uma meningite cerebral. Um m\u00eas sem tomar \u00e9 o suficiente para eu ter uma crise&#8221;, conta ele, que teve o rem\u00e9dio substitu\u00eddo pelo valaciclovir, mais forte e com efeitos colaterais: &#8220;D\u00e1 enjoo e muita dor de cabe\u00e7a. O outro rem\u00e9dio n\u00e3o dava, porque \u00e9 para prevenir uma situa\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 para tratar uma situa\u00e7\u00e3o muito mais grave&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Crise no estado<\/strong><\/p>\n<p>Membro da secretaria executiva do F\u00f3rum de ONGs\/Aids, Josimar Pereira da Costa afirma que a falta de rem\u00e9dios para infec\u00e7\u00f5es oportunistas \u00e9 um problema que se repete, mas ficou mais grave com a crise financeira do estado. Relatos t\u00eam chegado ao f\u00f3rum com mais frequ\u00eancia desde outubro. &#8220;As pessoas fazem as den\u00fancias, reclamam que falta. O pior \u00e9 quando n\u00e3o conseguem e depois voltam para pedir ajuda para buscar vaga em hospital&#8221;, diz ele, que destaca que o sucesso do tratamento contra o HIV depende n\u00e3o apenas do controle da carga viral, mas tamb\u00e9m da continuidade da preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as oportunistas.<\/p>\n<p>O ativista cita os medicamentos que, rotineiramente, s\u00e3o mais dif\u00edceis de encontrar e est\u00e3o em falta: albendazol 400mg, aciclovir 200mg, atorvastatina c\u00e1lcica 10mg, claritromicina 500mg, dapsona 100mg, fluconazol 100mg, folinato de c\u00e1lcio 15mg, gabapentina 400mg, pirimetamina 25mg, sulfadiazina 500mg e valaciclovir 500mg.<\/p>\n<p><strong>Rem\u00e9dios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, a maior parte dos rem\u00e9dios mencionados est\u00e1 dispon\u00edvel. Fora o aciclovir, h\u00e1 problemas com tr\u00eas medicamentos, de acordo com o \u00f3rg\u00e3o. A secretaria afirma que o fornecedor da claritromicina 500mg alega que h\u00e1 pouca oferta do produto no mercado nacional, o que levou a processos licitat\u00f3rios fracassados.<\/p>\n<p>J\u00e1 o fluconazol 100mg, muito usado para tratar casos de candid\u00edase oral, mais popularmente conhecida como sapinho e frequente em crian\u00e7as soropositivas, est\u00e1 em processo de compra. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma da pirimetamina 25mg, usada no combate \u00e0 neurotoxoplasmose.<\/p>\n<p><strong>Recursos pr\u00f3prios<\/strong><\/p>\n<p>O vendedor Frederico Marques, 37 anos, trata o HIV h\u00e1 uma d\u00e9cada e vai a consultas peri\u00f3dicas no mesmo hospital que Cazu. Ele relata que h\u00e1 tr\u00eas meses \u00e9 obrigado a usar recursos pr\u00f3prios para comprar o Bactrin F (sulfadiazina). O medicamento consta na lista que a Secretaria Estadual de Sa\u00fade afirma ter em seus estoques.<\/p>\n<p>&#8220;A posi\u00e7\u00e3o que eles me d\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o tem previs\u00e3o para reposi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Marques, que volta \u00e0 farm\u00e1cia do hospital uma vez por m\u00eas. &#8220;A consulta est\u00e1 normal e s\u00f3 posso elogiar porque s\u00e3o impec\u00e1veis, mas o rem\u00e9dio n\u00e3o tem&#8221;, conta Marques que, em outras ocasi\u00f5es, chegou a levar para casa a sulfadiazina em dosagem menor, para tomar dois comprimidos em vez de um. &#8220;Antes, isso resolvia. Mas dessa vez n\u00e3o tem nem uma, nem outra&#8221;.<\/p>\n<p>Presidente do Grupo Pela Vida no Rio de Janeiro, George Gouvea, lamenta que poucas pessoas denunciem a falta de medicamentos e procurem associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs). Segundo ele, muitos se resignam com a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p>&#8220;Em sua maioria, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o empoderadas. Elas desconhecem seu direito e acham que est\u00e3o recebendo um favor na unidade de sa\u00fade. As reclama\u00e7\u00f5es que chegam s\u00e3o de pessoas conscientes. Imagino o que acontece com a maioria das pessoas que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia. Elas v\u00e3o para casa sem o rem\u00e9dio e pronto&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcius Lisboa Em 2006, Cazu Barros participou de uma campanha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na TV para combater o preconceito contra a popula\u00e7\u00e3o portadora do v\u00edrus HIV. Ele come\u00e7ava dizendo: &#8220;pessoas que vivem com Aids tomam muitos rem\u00e9dios. 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