{"id":91605,"date":"2016-03-01T04:39:34","date_gmt":"2016-03-01T07:39:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=91605"},"modified":"2016-03-01T10:44:40","modified_gmt":"2016-03-01T13:44:40","slug":"rio-tem-a-maior-taxa-de-mortalidade-no-sus-em-tres-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rio-tem-a-maior-taxa-de-mortalidade-no-sus-em-tres-decadas\/","title":{"rendered":"Rio tem a maior taxa de mortalidade no Sistema \u00danico de Sa\u00fade em tr\u00eas d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p>Em 2015, o estado do Rio teve a maior taxa de mortalidade registrada no Sistema \u00danico de Sa\u00fade desde 1984, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do SUS. Num per\u00edodo de 31 anos, o estado liderou as indesej\u00e1veis estat\u00edsticas por 30.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter os \u00edndices de mortalidade mais altos do pa\u00eds catalogados pelo SUS, o Rio n\u00e3o sabe, ou n\u00e3o deixa saber, o que determinou esses \u00f3bitos: de 2008 a 2015 \u2014 per\u00edodo em que as taxas no estado tiveram a alta mais acentuada \u2014, a categoria de diagn\u00f3stico com maior propor\u00e7\u00e3o entre mortes e interna\u00e7\u00f5es foi a que n\u00e3o tem causa mortis definida. Durante toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica do estado, as agress\u00f5es \u2014 que incluem homic\u00eddio de qualquer tipo \u2014 s\u00e3o as causas externas com maior propor\u00e7\u00e3o entre mortes e interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Praticamente todas as pessoas que procuram hospitais em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia v\u00e3o para o SUS. \u00c9 o destino de ambul\u00e2ncias do Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia (Samu) ou do Corpo de Bombeiros, no caso do Rio. Al\u00e9m disso, a rede p\u00fablica faz procedimentos que n\u00e3o s\u00e3o cobertos pelos conv\u00eanios.<\/p>\n<p>O Datasus tem duas s\u00e9ries hist\u00f3ricas: uma que vai de 1984 a 2007; e outra de 2008 a 2015. As taxas representam mortes a cada cem mil pessoas e s\u00e3o enviadas ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade por estados e munic\u00edpios. Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o movimento de todas as unidades da federa\u00e7\u00e3o foi de alta, mas nunca a diferen\u00e7a da taxa de mortalidade no SUS no estado do Rio foi t\u00e3o grande se comparada \u00e0 m\u00e9dia nacional: em 2015 foi de 2,37 \u2014 6,57 do Rio contra 4,20 nacional. De 2008 para c\u00e1, o crescimento m\u00e9dio do \u00edndice no Brasil foi de 28%; o do Rio de 46,3%. Os estados com as maiores taxas s\u00e3o Rio, S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul. Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Rond\u00f4nia registram as menores.<\/p>\n<p><strong>ACIDENTES E HOMIC\u00cdDIOS<\/strong><\/p>\n<p>Para a professora Carla Pintas, do departamento m\u00e9dico de sa\u00fade coletiva da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o padr\u00e3o de mortalidade nacional se deve a uma \u201ctripla carga de doen\u00e7as\u201d no Brasil.<\/p>\n<p>\u2014 Primeiro, ainda n\u00e3o conseguimos acabar com as doen\u00e7as infecto-parasit\u00e1rias, como dengue, mal\u00e1ria e zika. S\u00e3o aquelas de que n\u00f3s falamos: n\u00e3o precisamos morrer disso porque temos tecnologia. Depois, v\u00eam as chamadas doen\u00e7as da modernidade, como infarto e derrame cerebral. E h\u00e1 as causas externas, como acidentes e homic\u00eddios \u2014 lista Carla.<\/p>\n<p>A professora diz que esses n\u00fameros s\u00e3o caracter\u00edsticos de pa\u00edses emergentes, que, mesmo com tecnologia avan\u00e7ada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguem erradicar doen\u00e7as que se combatem com saneamento, preven\u00e7\u00e3o, vacina e educa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Brasil, China, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul t\u00eam esse padr\u00e3o. A \u00cdndia, por exemplo, \u00e9 um dos maiores produtores de vacina do mundo, mas ainda tem gente morrendo de diarreia l\u00e1.<\/p>\n<p>O principal problema, conta a m\u00e9dica, s\u00e3o as mortes devido a causas externas, que atingem principalmente a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Homens jovens negros s\u00e3o os mais afetados, diz a professora:<\/p>\n<p>\u2014 O que oscila \u00e9 a morte por causa externa. Essa \u00e9 a grande preocupa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>De 2008 a 2015, a classifica\u00e7\u00e3o mais constante das mortes pelo SUS no Rio foi uma gen\u00e9rica, que atestava ser imposs\u00edvel identific\u00e1-las de fato. Isto \u00e9, a categoria com maior propor\u00e7\u00e3o de mortes por interna\u00e7\u00e3o teve diagn\u00f3stico indeterminado.<\/p>\n<p>Quem registra a causa da morte \u00e9 o m\u00e9dico. Quando o \u00f3bito vem de causas externas (acidentes, agress\u00f5es, homic\u00eddios), o respons\u00e1vel \u00e9 um m\u00e9dico legista, no Instituto M\u00e9dico-Legal (IML).<\/p>\n<p>A Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as (CID), um cat\u00e1logo de doen\u00e7as e problemas de sa\u00fade que os m\u00e9dicos t\u00eam \u00e0 m\u00e3o, detalha poss\u00edveis causas da morte. Entretanto, um item abarca a impossibilidade da exce\u00e7\u00e3o: quando \u00e9 imposs\u00edvel identific\u00e1-la.<\/p>\n<p>Segundo o cap\u00edtulo 18 do CID, os sintomas, sinais e achados s\u00e3o definidos como \u201canormais\u201d. Al\u00e9m disso, o t\u00f3pico ressalta que s\u00e3o \u201cafec\u00e7\u00f5es menos bem definidas que, sem que tenha havido o necess\u00e1rio estudo do caso para se estabelecer um diagn\u00f3stico final, podem conduzir com igual possibilidade a duas ou mais doen\u00e7as diferentes ou a dois ou mais aparelhos do corpo\u201d .<\/p>\n<p>\u2014 Para a estat\u00edstica, esses \u00f3bitos n\u00e3o querem dizer nada. Temos encontrado muitos preenchimentos inadequados da declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito. \u00c9 uma responsabilidade do m\u00e9dico, e esse \u00edndice costuma ser alto nacionalmente. Como eu vou saber do que est\u00e1 morrendo a popula\u00e7\u00e3o? N\u00e3o d\u00e1 para saber \u2014 avalia Carla Pintas.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo 18, no Rio de Janeiro, teve uma taxa de 12,76, a mais alta por categoria no estado. Em seguida, vem o cap\u00edtulo 1, denominado de \u201calgumas doen\u00e7as infecciosas e parasit\u00e1rias\u201d, com \u00edndice de 12,09. Ele inclui poliomielite, tuberculose e caxumba, por exemplo. Em seguida vem o cap\u00edtulo 4: \u201cdoen\u00e7as end\u00f3crinas, nutricionais e metab\u00f3licas\u201d, com taxa de 11,76, que abrange desnutri\u00e7\u00e3o, diabetes mellitus e transtornos metab\u00f3licos. \u00d3bitos por tumores e por doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio completam a lista das cinco maiores causas de mortes no SUS no estado do Rio desde 2008.<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Rio de Janeiro afirmou em nota que \u201cno per\u00edodo relatado, o crescimento da taxa acompanha a tend\u00eancia de aumento no \u00e2mbito nacional\u201d. Declarou ainda que a taxa, isoladamente, n\u00e3o representa a qualidade da aten\u00e7\u00e3o hospitalar no estado. E afirmou que o Rio tem a segunda maior popula\u00e7\u00e3o idosa do Pa\u00eds. \u201cN\u00e3o \u00e9 apropriado comparar dados de 1984 a 1995 com os de 1996 em diante, j\u00e1 que utilizam classifica\u00e7\u00f5es diferentes\u201d, enfatizou a secretaria. Entretanto, teve acesso \u00e0 mesma compila\u00e7\u00e3o feita pelo GLOBO e n\u00e3o se op\u00f4s a uma an\u00e1lise cont\u00ednua dos dados.<\/p>\n<p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ressaltou as mudan\u00e7as que o Brasil teve nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como estrutura et\u00e1ria e um maior acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, \u201cque cresceram anualmente, inclusive por faixa et\u00e1ria, e a melhoria da notifica\u00e7\u00e3o\u201d. A pasta afirma que se os \u201cavan\u00e7os hist\u00f3ricos\u201d n\u00e3o forem levados em conta, podem aparecer \u201cinterpreta\u00e7\u00f5es equivocadas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2015, o estado do Rio teve a maior taxa de mortalidade registrada no Sistema \u00danico de Sa\u00fade desde 1984, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do SUS. Num per\u00edodo de 31 anos, o estado liderou as indesej\u00e1veis estat\u00edsticas por 30. 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