{"id":91755,"date":"2016-03-02T02:23:04","date_gmt":"2016-03-02T05:23:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=91755"},"modified":"2016-03-02T12:50:26","modified_gmt":"2016-03-02T15:50:26","slug":"dom-quixote-do-alto-dos-seus-400-anos-sobe-aos-palcos-de-sao-paulo-e-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dom-quixote-do-alto-dos-seus-400-anos-sobe-aos-palcos-de-sao-paulo-e-rio\/","title":{"rendered":"Dom Quixote, do alto dos seus 400 anos, vai subir aos palcos"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Jo\u00e3o Luiz Sampaio<\/strong><\/h6>\n<p>Se a hist\u00f3ria de uma obra de arte \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria das interpreta\u00e7\u00f5es que ela recebe com o passar do tempo, no caso do romance Dom Quixote, j\u00e1 se v\u00e3o mais de quatrocentos anos de releituras. &#8220;Algu\u00e9m comentou outro dia: s\u00e3o os dois maiores best-sellers da hist\u00f3ria, Jesus e Dom Quixote&#8221;, brinca o diretor Jorge Takla. \u00c9 ele quem assina uma nova produ\u00e7\u00e3o da \u00f3pera que o franc\u00eas Massenet escreveu a partir do texto de Miguel de Cervantes.<\/p>\n<p>A estreia \u00e9 nesta quarta-feira, 2, no Teatro S\u00e3o Pedro e, em abril, a montagem segue para o Teatro Municipal do Rio, com um desafio nada modesto: apresentar ao p\u00fablico uma \u00f3pera pouco conhecida, e o que ela tem a dizer sobre um dos personagens mais comentados da cultura ocidental.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o conhecia a \u00f3pera quando fui convidado para assinar a dire\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o fiz como dizia Callas, quando lhe perguntavam de onde tirava suas interpreta\u00e7\u00f5es. Escute a m\u00fasica, ela dizia. E descobri uma m\u00fasica sublime, linda, onde est\u00e1 toda a dramaturgia da hist\u00f3ria a ser contada&#8221;, explica Takla. &#8220;\u00c9 fascinante ver o encontro entre Cervantes e Massenet. O autor do texto da \u00f3pera obviamente precisou adaptar o romance. E algo interessante acontece. Se voc\u00ea l\u00ea simplesmente o libreto, percebe claramente as diferen\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o ao original. Mas, quando ouve a m\u00fasica, enxerga justamente as semelhan\u00e7as entre o original e a adapta\u00e7\u00e3o&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o tem um elenco encabe\u00e7ado pelo baixo americano Gregory Reinhart. Ele esteve no Brasil nos \u00faltimos anos, participando da produ\u00e7\u00e3o da tetralogia O Anel do Nibelungo, de Wagner, iniciada no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo. Esta ser\u00e1 a primeira vez que ele interpreta o papel e ter\u00e1 ao seu lado o bar\u00edtono Eduardo Amir, como Sancho Pan\u00e7a, e a mezzo-soprano Luisa Francesconi, como Dulcineia. A reg\u00eancia \u00e9 do maestro Luiz Fernando Malheiro, que tamb\u00e9m vai comandar a temporada carioca, trabalhando com o mesmo elenco de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Dom Quixote foi uma das \u00faltimas obras de Massenet. Estreou em 1910, em Monte Carlo. O texto original de Cervantes (em 2016, s\u00e3o 400 anos de sua morte) n\u00e3o foi sua \u00fanica inspira\u00e7\u00e3o: ao escrever o libreto, Henri Cain se baseou tamb\u00e9m em Le Chevalier de La Longue Figure, pe\u00e7a do franc\u00eas Jacques Le Lorrain. Entre as diferen\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o ao original, uma em particular chama aten\u00e7\u00e3o: se, no romance, a jovem e bela Dulcineia nos chega apenas pelos relatos do protagonista, na \u00f3pera, ela ganha carne e osso.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um processo interessante pensar de forma concreta uma personagem que, em ess\u00eancia, representa o ideal, o sonho&#8221;, diz Takla, para quem, de certa forma, ela se torna um espelho que nos faz enxergar o pr\u00f3prio Dom Quixote. &#8220;Massenet a retrata como uma mulher que tem tudo, mas n\u00e3o est\u00e1 satisfeita, busca algo que ela n\u00e3o sabe o que \u00e9, outro desejo, outra poesia, outra loucura. \u00c9 isso que esse cavaleiro oferece a ela, mas ela n\u00e3o se sente \u00e0 altura dele. Isso n\u00e3o existe no Cervantes, mas \u00e9 interessante. No final, esse \u00e9 um trabalho que viaja por diferentes registros: o que \u00e9 sonho, o que \u00e9 verdade, o que \u00e9 Cervantes, o que \u00e9 Massenet?&#8221;<\/p>\n<p><b>Dor\u00e9 &#8211;\u00a0<\/b>Assinada por Nicolas Boni, a cenografia da produ\u00e7\u00e3o se inspira nas gravuras que o pintor franc\u00eas Gustave Dor\u00e9 criou para ilustrar a hist\u00f3ria de Cervantes, em 1863. &#8220;Ele me trouxe essa ideia e logo de cara eu fiquei encantado. Evocar o Dor\u00e9 \u00e9 uma forma de permanecer em um universo pr\u00f3ximo ao Dom Quixote, mas a partir de um corte diferente, feito de detalhes. As gravuras tamb\u00e9m acabaram inspirando os figurinos de Fabio Namatame, a n\u00e3o ser no caso dos tr\u00eas protagonistas, que foram tratados de maneira mais realista.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Luiz Sampaio Se a hist\u00f3ria de uma obra de arte \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria das interpreta\u00e7\u00f5es que ela recebe com o passar do tempo, no caso do romance Dom Quixote, j\u00e1 se v\u00e3o mais de quatrocentos anos de releituras. &#8220;Algu\u00e9m comentou outro dia: s\u00e3o os dois maiores best-sellers da hist\u00f3ria, Jesus e Dom Quixote&#8221;, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91756,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-91755","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher-turismo-e-lazer"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91755"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91755\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91822,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91755\/revisions\/91822"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}