{"id":92341,"date":"2016-03-05T21:14:42","date_gmt":"2016-03-06T00:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=92341"},"modified":"2016-03-05T21:14:42","modified_gmt":"2016-03-06T00:14:42","slug":"disputa-da-cumeeira-entre-iapb-e-ipase-acabava-sempre-em-rojoes-com-jk-sorrindo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/disputa-da-cumeeira-entre-iapb-e-ipase-acabava-sempre-em-rojoes-com-jk-sorrindo\/","title":{"rendered":"Disputa da cumeeira entre Iapb e Ipase acabava sempre em roj\u00f5es com JK sorrindo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o civil guarda, at\u00e9 hoje, a tradi\u00e7\u00e3o da festa da cumeeira, por ser a conclus\u00e3o da fase inicial de uma obra. A coloca\u00e7\u00e3o da cumeeira, geralmente feita de madeira de lei, sempre se revestiu de um cerimonial quase que sagrado.<\/p>\n<p>No caso particular das obras em Bras\u00edlia, a madeira de lei foi substitu\u00edda pelas grandes lajes de cimento, mas mesmo assim o simbolismo era mantido. Ramos verdes de \u00e1rvores anunciavam o feito aos quatro ventos. Flores e panos coloridos, i\u00e7ados como bandeiras, fazendo parte do ritual. O sinal de que a obra entrara em sua fase decisiva era marcado por foguetes que espocavam no ar.<\/p>\n<p>Cumeeira que se prezasse teria, obrigatoriamente, comida e bebida \u00e0 vontade para os pe\u00f5es da obra. \u201cA festa, em si, \u00e9 mais do cora\u00e7\u00e3o do que do est\u00f4mago\u201d &#8211; dizia o companheiro Clemente Luz. Manuel Mendes, que foi meu companheiro no Correio Braziliense, tamb\u00e9m chegou cedo ao s\u00edtio da nova capital. Veio, transferido, como almoxarife do Ipase, que iniciaria a constru\u00e7\u00e3o das Super Quadras Sul 206 e 208. A quadra 207 foi esquecida, ficou na saudade, s\u00f3 vingando 10 anos mais tarde.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, era intensa a disputa para ver quem conseguiria erguer o primeiro pr\u00e9dio de apartamentos e realizar a festa da cumeeira inaugural da capital em forma\u00e7\u00e3o. Dois concorrentes lutavam pela primazia. Lutando pau a pau, mais concreto e tijolos, estavam o Ipase e o IAPB, que era comandado pelo Dr. Rubens e pelo Lel\u00e9. O primeiro foguete saudando a cumeeira vitoriosa espocou na 108 Sul, na rua da Igrejinha, justamente no bloco K, em frente ao Eixo Rodovi\u00e1rio. \u201cO dot\u00f4 Rubis ganhou a pendenga\u201d \u2013 diziam os candangos.<\/p>\n<p>A\u00ed, come\u00e7ou o foguet\u00f3rio. Os roj\u00f5es espocavam pelo c\u00e9u de Bras\u00edlia, cada dia mais bonito. Era o sinal para uma grande festa que se avizinhava. A vit\u00f3ria do IAPB, que colocou nas torres do bloco K as tradicionais folhas de palmeira que tremulavam ao sabor do vento frio do Planalto Central foi contestada pelos engenheiros do Ipase. Alegavam que o IAPB usara de artif\u00edcio para alcan\u00e7ar o topo do pr\u00e9dio, de seis andares. Ao inv\u00e9s de concretarem todas as lajes, seguidamente, fora usada forma pouco recomend\u00e1vel. Armaram uma laje sim, outra n\u00e3o. Com isso chegaram \u00e0 cumeeira com apenas quatro lajes concretadas.<\/p>\n<p>Junto aos pilotis do bloco, uma grande festa j\u00e1 estava montada e a fuma\u00e7a indicava um churrasco monumental, que teve inclusive a presen\u00e7a do presidente Juscelino Kubitschek, todo sorrisos, como sempre.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o engenheiro pernambucano, Jos\u00e9 Ferreira de Castro Chaves, o Juca Chaves, respons\u00e1vel pelo nascimento do Catetinho e que ajudava a tocar as obras, foi o idealizador da nova t\u00e1tica. O clima de Bras\u00edlia era mais ou menos como hoje. As esta\u00e7\u00f5es se dividiam entre a seca absoluta e chuvas torrenciais. Residia a\u00ed o primeiro desafio da equipe do IAPB: cobrir as obras antes da chegada das chuvas. A solu\u00e7\u00e3o foi dada por Juca Chaves. Os pr\u00e9dios do IAPB seriam construidos de dois em dois andares. O primeiro, terceiro e quinto andares, at\u00e9 atingir a cobertura do sexto andar. Com o pr\u00e9dio pronto e protegido do aguaceiro, seria ent\u00e3o preenchido o &#8220;miolo&#8221;.<\/p>\n<p>Tempos depois, comandando as obras de um conjunto de casas na W3 Sul, o arquiteto Jo\u00e3o Filgueiras, o nosso querido Lel\u00e9, aprimorou a t\u00e9cnica inovadora e despertou a curiosidade de Juscelino Kubitschek. O presidente chegou a visitar as obras, depois de ouvir que, em alguns trechos de Bras\u00edlia, os pr\u00e9dios eram feitos &#8220;de cima para baixo&#8221;. Primeiro, o arquiteto erguia delicadas estruturas de sustenta\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, as cobria. Depois, cuidava da parte interna. O resultado foi mantido, mas o Ipase n\u00e3o demoraria a dar o troco. O IAPB perdeu para o Ipase a conclus\u00e3o da primeira alvenaria completa de um bloco. A gl\u00f3ria coube ao bloco C, da Super Quadra 208 Sul. O feito est\u00e1 registrado em placa de bronze colocada junto aos pilotis do bloco, marcando a conquista.<\/p>\n<p>Naquela fase pioneira de Bras\u00edlia havia muita competi\u00e7\u00e3o, desde o com\u00e9rcio at\u00e9 os fazedores de obras. Cada um tocando o seu trabalho, sempre com muita garra.\u00a0E foi essa garra, impulsionada pelo entusiasmo do presidente JK, que fez com que Bras\u00edlia pudesse ser inaugurada na data pr\u00e9-determinada por ele, superando os entraves da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate A constru\u00e7\u00e3o civil guarda, at\u00e9 hoje, a tradi\u00e7\u00e3o da festa da cumeeira, por ser a conclus\u00e3o da fase inicial de uma obra. A coloca\u00e7\u00e3o da cumeeira, geralmente feita de madeira de lei, sempre se revestiu de um cerimonial quase que sagrado. 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