{"id":93389,"date":"2016-03-11T00:49:11","date_gmt":"2016-03-11T03:49:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=93389"},"modified":"2016-03-13T08:40:07","modified_gmt":"2016-03-13T11:40:07","slug":"se-voce-e-dos-que-pensa-que-as-coisas-nao-mudam-precisa-assistir-tudo-vai-ficar-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/se-voce-e-dos-que-pensa-que-as-coisas-nao-mudam-precisa-assistir-tudo-vai-ficar-bem\/","title":{"rendered":"Pensa que as coisas n\u00e3o mudam? V\u00e1 assistir Tudo Vai Ficar Bem"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Luiz Carlos Merten<\/strong><\/h6>\n<p>No Festival de Berlim, no ano passado, Wim Wenders contou como tudo come\u00e7ou. &#8220;Participei de uma premia\u00e7\u00e3o do Sundance e nosso grupo resolveu premiar o roteiro de um jovem noruegu\u00eas muito talentoso, Bjorn Olaf Johannesson. Gostei do di\u00e1logo, do t\u00edtulo, Nowhere Man. Ao lhe entregar o pr\u00eamio, disse que me enviasse quando tivesse outro roteiro pronto. Confesso que me esqueci. Passaram-se dois, tr\u00eas anos e Bjorn me mandou o roteiro de Everything Will Be Fine. Gostei tanto que acionei meu produtor e resolvemos levar o projeto adiante.&#8221;<\/p>\n<p>Wenders est\u00e1 falando de Tudo Vai Ficar Bem, seu novo longa que estreou na quinta, 10, em S\u00e3o Paulo. Simultaneamente, o Caixa Belas Artes resolveu fazer um ciclo e todo dia, at\u00e9 16, vai exibir, sempre \u00e0s 18h20, obras importantes que ajudaram a esculpir a fama do autor alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 perdeu Estado das Coisas, mas ainda tem tempo de (re)ver Movimento em Falso, Amigo Americano, Paris Texas, Tokyo-Ga, Asas do Desejo e Buena Vista Social Club. Todos esses filmes &#8211; e outros &#8211; ajudaram a construir o mito de Wenders como uma das refer\u00eancias do p\u00f3s-moderno no cinema. Poucos diretores questionaram tanto as imagens, num mundo saturado delas. Wenders acumulou pr\u00eamios, prest\u00edgio. E a\u00ed, no come\u00e7o dos anos 1990, as coisas come\u00e7aram a se complicar.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 tivera problemas com Francis Ford Coppola, que produziu Hammett, sua biografia romantizada do escritor Dashiell Hammett. Os problemas aumentaram quando os produtores trucidaram At\u00e9 o Fim do Mundo. Wenders passou a seguir uma trajet\u00f3ria err\u00e1tica. Fez document\u00e1rios, incluindo O Sal da Terra, sobre Sebasti\u00e3o Salgado, em parceria com Juliano Ribeiro Salgado, filho do fot\u00f3grafo, incorporou o 3-D (em Pina).<\/p>\n<p>Algo agora se passa &#8211; a vers\u00e3o do autor, na montagem que ele queria, fez com que At\u00e9 o Fim do Mundo fosse resgatado numa edi\u00e7\u00e3o recente da revista Cahiers du Cin\u00e9ma, que muitos ainda consideram uma das b\u00edblias do cinema de autor em todo o mundo. Em chave intimista e ficcional, Wenders voltou \u00e0 terceira dimens\u00e3o, e o retorno d\u00e1-se justamente com Tudo Vai Ficar Bem. Wenders conta a hist\u00f3ria, agora em chave de pura fic\u00e7\u00e3o, de outro escritor. Thomas\/James Franco provoca um acidente com morte, que ter\u00e1 desdobramentos. A v\u00edtima \u00e9 um dos filhos de Charlotte Gainsbourg.<\/p>\n<p>Em Berlim, o diretor disse o que o atraiu no roteiro de Bjorn Olaf Johannessen. &#8220;Interessou-me menos o fato de Thomas sentir ou n\u00e3o culpa, ou de ser culpado ou n\u00e3o, e muito mais o fato de incorporar a trag\u00e9dia \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, escrevendo um livro sobre ela. Tem um di\u00e1logo decisivo para mim, quando algu\u00e9m diz a Thomas que a literatura dele melhorou muito depois do acidente. Charlotte, o irm\u00e3o da v\u00edtima precisam reorganizar-se, superar a pr\u00f3pria dor.&#8221;<\/p>\n<p>Wenders explicou que j\u00e1 se havia inspirado em trag\u00e9dias pessoais de sua fam\u00edlia. &#8220;A base da personagem de Jeanne Moreau em At\u00e9 o Fim do Mundo foi uma tia minha que ficou cega. Creio que nada me influenciou tanto para que eu me questionasse sempre sobre o significado e a import\u00e2ncia das imagens. O bom do roteiro de Bjorn foi que, pela primeira vez, me permitiu abordar o tema com distanciamento.&#8221;<\/p>\n<p>E Wenders acrescentou que, depois de muito tempo, ele est\u00e1 voltando a acreditar nas imagens. &#8220;Vivemos uma era de satura\u00e7\u00e3o, de imagens vulgares, que n\u00e3o dizem nada, e o cinema contribui muito para isso. A fotografia e a pintura t\u00eam me ajudado muito&#8221;, reflete o diretor. Particularmente importante foi a descoberta de Andrew Wyeth, um pintor norte-americano muito ligado \u00e0 terra, ao concreto, ao cotidiano. &#8220;Ningu\u00e9m pinta a neve como ele, e a neve, desde o come\u00e7o, \u00e9 decisiva em Tudo Vai Ficar Bem.&#8221;<\/p>\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o recente de Hollywood, o 3-D virou a ferramenta das anima\u00e7\u00f5es e dos blockbusters. Wenders a utiliza para filmar a intimidade. &#8220;A princ\u00edpio, pensei que o 3-D me permitiria recriar a desorienta\u00e7\u00e3o espacial e emocional dessas pessoas, projetando o espectador numa esp\u00e9cie de turbilh\u00e3o. Depois, vi que n\u00e3o. Com duas c\u00e2meras que escrutinam o rosto dos atores, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a falsidade.&#8221;<\/p>\n<p>Wenders pode estar empolgado com seu elenco &#8211; Rachel McAdams tamb\u00e9m marca presen\u00e7a -, mas h\u00e1 um problema nisso tudo. O filme tem saltos de tempo. Passam-se quatro anos, mais quatro, mais dois. Os dez anos n\u00e3o passam pelo rosto de James Franco. Um ator mais maduro talvez ampliasse a voltagem emocional, e o filme talvez ficasse melhor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten No Festival de Berlim, no ano passado, Wim Wenders contou como tudo come\u00e7ou. &#8220;Participei de uma premia\u00e7\u00e3o do Sundance e nosso grupo resolveu premiar o roteiro de um jovem noruegu\u00eas muito talentoso, Bjorn Olaf Johannesson. Gostei do di\u00e1logo, do t\u00edtulo, Nowhere Man. 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