{"id":93934,"date":"2016-03-15T17:01:19","date_gmt":"2016-03-15T20:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=93934"},"modified":"2016-03-16T00:07:32","modified_gmt":"2016-03-16T03:07:32","slug":"bomba-de-delcidio-abala-o-pais-palavra-de-ordem-e-serenidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bomba-de-delcidio-abala-o-pais-palavra-de-ordem-e-serenidade\/","title":{"rendered":"Bomba de Delc\u00eddio abala o Pa\u00eds. Palavra de ordem no Supremo \u00e9 serenidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marta Nobre<\/strong><\/p>\n<p>A bomba que o senador Delc\u00eddio Amaral entregou ao Supremo Tribunal Federal, com sua dela\u00e7\u00e3o premiada, espalhou estilha\u00e7os por todos os lados. N\u00e3o escapa Lula, nem Dilma. Como tamb\u00e9m n\u00e3o escapa A\u00e9cio, e outras figuras da pol\u00edtica brasileira. No in\u00edcio da tarde, quando a dela\u00e7\u00e3o foi tornada p\u00fablica, Delc\u00eddio se desligou oficialmente do PT.<\/p>\n<p>No STF, a palavra de ordem \u00e9 cautela. \u00c9 o que disse o ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, ao se mostrar &#8220;perplexo&#8221; com as acusa\u00e7\u00f5es e a inclus\u00e3o de um nome na longa lista de poss\u00edveis investigados: o de Alo\u00edzio Mercadante, ministro da Educa\u00e7\u00e3o, ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos todos perplexos. Claro que se trata da palavra de um investigado, o valor \u00e9 relativo, mas a dela\u00e7\u00e3o revela ind\u00edcios e esses ind\u00edcios podem ter materialidade. Temos que aguardar&#8221;, disse Marco Aur\u00e9lio. Questionado se o conte\u00fado da dela\u00e7\u00e3o, que mostra uma tentativa de interfer\u00eancia nas investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato, seria suficiente para mandar prender Mercadante, o ministro do Supremo afirmou que essa era uma decis\u00e3o que caberia ao seu colega Teori Zavascki, relator do caso no STF.<\/p>\n<p>Marco Aur\u00e9lio, por\u00e9m, entende que o momento exige tranquilidade. &#8220;\u00c9 hora de atuarmos com serenidade e temperan\u00e7a, apurando para que, selada a culpa, prender\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p><strong>Os aliados<\/strong> \u2013 Na dela\u00e7\u00e3o, Delc\u00eddio n\u00e3o deixou pedra sobre pedra. Ele exp\u00f4s o chamado &#8220;arco de influ\u00eancia&#8221; da bancada do PMDB no Senado em nomea\u00e7\u00f5es para minist\u00e9rios e estatais. Segundo ele, o partido \u00e9 especialmente protagonista no Minist\u00e9rio de Minas e Energia, com representantes na Eletrosul, Eletronorte, Eletronuclear e, at\u00e9 mais recentemente, nas diretorias de abastecimento e internacional da Petrobras.<\/p>\n<p>Entre os parlamentares peemedebistas citados por Delc\u00eddio, est\u00e1 o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), al\u00e9m do ex-ministro Edison Lob\u00e3o (MA). Os senadores Jader Barbalho (PA), Romero Juc\u00e1 (RR) e Valdir Raupp (RO) tamb\u00e9m fariam parte do &#8220;time&#8221; que teria influ\u00eancia nas obras das hidrel\u00e9tricas de Belo Monte, Jirau e Santo Ant\u00f4nio, al\u00e9m da Usina Nuclear de Angra 3.<\/p>\n<p>&#8220;Na Petrobras, abra\u00e7aram a manuten\u00e7\u00e3o de Paulo Roberto Costa na diretoria de abastecimento e Nestor Cerver\u00f3 na diretoria internacional, como consequ\u00eancia do &#8216;esc\u00e2ndalo do Mensal\u00e3o&#8217;. A a\u00e7\u00e3o desse grupo se fez presente em subsidi\u00e1rias da Petrobras como, por exemplo, a Transpetro. L\u00e1 reinou, absoluto, durante dez anos, S\u00e9rgio Machado, indicado por Renan Calheiros. Seguidas vezes o vi, semanalmente, despachando com Renan na resid\u00eancia oficial da Presid\u00eancia do Senado&#8221;, relatou Delc\u00eddio aos investigadores.<\/p>\n<p><strong>Lula arrepiado<\/strong> &#8211; Delc\u00eddio tamb\u00e9m afirmou que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio da Silva e o ex-ministro Ant\u00f4nio Palocci atuaram na compra do sil\u00eancio do operador do mensal\u00e3o, Marcos Val\u00e9rio Fernandes de Souza. A negocia\u00e7\u00e3o teria custado entre R$ 110 milh\u00f5es e R$ 220 milh\u00f5es, pagos por empreiteiras do esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras.<\/p>\n<p>&#8211; Havia conversas muito fortes ao longo da campanha de 2008 (disputa municipal) de que os pagamentos estavam sendo por (para) Marcos Val\u00e9rio no exterior, em suas contas ou de terceiros, que n\u00e3o sabe se os valores foram de 220 milh\u00f5es, pois ouviu que foi em torno de R$ 110 milh\u00f5es, que possivelmente foram as grandes empreiteiras ligadas \u00e0 Lava Jato que fizeram tais pagamentos, disse Delc\u00eddio em outro trecho do depoimento.<\/p>\n<p>O senador ainda registrou que &#8220;tais empresas (&#8230;) eram os grandes doadores&#8221;. &#8220;A estrat\u00e9gia mais f\u00e1cil era desta forma&#8221;, disse. \u201cTal informa\u00e7\u00e3o surgiu de v\u00e1rias origens, de dentro e fora do PT e inclusive no meio empresarial, que isto era bastante disseminado\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Desespero de Lula \u2013 Na dela\u00e7\u00e3o, Delc\u00eddio afirmou que a CPI do Carf \u00e9 um tema que aflige o ex-presidente (Lula), que j\u00e1 o procurou para tentar evitar a convoca\u00e7\u00e3o de Mauro Marcondes e da esposa do lobista, Cristina Mautoni. O casal est\u00e1 preso. Investigadores tamb\u00e9m apuram o pagamento de R$ 2,5 milh\u00f5es feito pela consultoria de Marcondes \u00e0 empresa de um dos filhos de Lula.<\/p>\n<p>O senador revelou ter prometido a Lula &#8220;mobilizar uma tropa&#8221; para resolver a quest\u00e3o da convoca\u00e7\u00e3o do casal na CPI do Carf e reuniu-se com l\u00edderes da base do governo. Ele disse ainda que requerimentos de &#8220;alta periculosidade e sens\u00edveis a Lula, a exemplo da convoca\u00e7\u00e3o de seus filhos&#8221;, foram derrubados na CPI do Carf em novembro ap\u00f3s mobiliza\u00e7\u00e3o articulada por ele com l\u00edderes da base.<\/p>\n<p>Segundo Delc\u00eddio, Lula dizia estar muito preocupado com o casal. Em setembro de 2015, o ex-presidente pediu uma conversa privada em um hangar no aeroporto de Bras\u00edlia no qual ficou claro, segundo Delc\u00eddio, que Lula queria evitar a convoca\u00e7\u00e3o dos dois. &#8220;Que soube o depoente que Lula e Mauro Marcondes s\u00e3o pr\u00f3ximos e amigos h\u00e1 bastante tempo, supondo que desde o tempo em que Lula era metal\u00fargico (&#8230;); que Mauro Marcondes tamb\u00e9m atuou em edi\u00e7\u00f5es de medidas provis\u00f3rias voltadas a conceder benef\u00edcios para o setor automobil\u00edstico&#8221;, consta no termo de colabora\u00e7\u00e3o do senador.<\/p>\n<p><strong>Voo de A\u00e9cio<\/strong>\u00a0&#8211; O tucano A\u00e9cio Neves, presidente nacional do PSDB, tamb\u00e9m foi citado na dela\u00e7\u00e3o. Segundo Delc\u00eddio, o senador mineiro recebia vantagens il\u00edcitas desviadas da diretoria de engenharia de Furnas. De acordo com o petista, o esquema era operado pelo ex-diretor Dimas Toledo, que teria &#8220;v\u00ednculo muito forte&#8221; com o tucano.<\/p>\n<p>Delc\u00eddio afirma que os desvios eram repartidos entre A\u00e9cio e o ex-deputado Jos\u00e9 Janene, do PP. O senador petista cita uma conversa que teve com o Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, em 2005, no qual o ent\u00e3o presidente afirmou ter sido procurado por Janene e por A\u00e9cio para que Dimas continuasse a frente da diretoria de engenharia de Furnas.<\/p>\n<p>&#8220;Agora o PT, que era contra, est\u00e1 a favor. Pelo jeito ele est\u00e1 roubando muito!&#8221;, teria dito o ex-presidente. Delc\u00eddio afirma que seria necess\u00e1rio muito dinheiro para manter tr\u00eas grandes frentes de pagamentos a tr\u00eas partidos importantes (o PP, o PSDB e o PT).<\/p>\n<p>Aos investigadores, Delc\u00eddio afirma n\u00e3o conhecer como funcionava o esquema em Furnas, mas garante que a empresa foi usada sistematicamente &#8220;em v\u00e1rios governos&#8221; para repassar valores aos partidos, da mesma maneira como ocorreu com a Petrobras, conforme revelou a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Dimas \u00e9 apontado por Delc\u00eddio como um &#8220;super diretor&#8221;, com grande capilaridade pol\u00edtica dentro de Furnas, e que os demais diretores eram &#8220;meros coadjuvantes&#8221; na empresa. De acordo com o senador, Dimas ainda tem grande influ\u00eancia pol\u00edtica, tendo conseguido eleger deputado federal o filho Dimas Fabiano (PSDB).<\/p>\n<p><strong>Cunha na mira<\/strong> \u2013 O senador chamou o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de &#8220;menino de recados&#8221; do banqueiro Andr\u00e9 Esteves em assuntos de interesse do Banco BTG, &#8220;especialmente no que tange a emendas \u00e0s Medidas Provis\u00f3rias que tramitam no Congresso&#8221;.<\/p>\n<p>Como exemplo, o senador citou aos investigadores a apresenta\u00e7\u00e3o de emenda por parte da C\u00e2mara dos Deputados a uma MP (668 ou 681, segundo Delc\u00eddio) possibilitando a utiliza\u00e7\u00e3o de ativos em institui\u00e7\u00f5es em liquida\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. Entre as tratativas de Esteves junto a Eduardo Cunha, estaria a possibilidade de inclus\u00e3o de mecanismos para que bancos falidos utilizassem os Fundos de Compensa\u00e7\u00e3o de Varia\u00e7\u00f5es Salariais (FCVS) para quitar d\u00edvidas com a Uni\u00e3o. Delc\u00eddio confessou ainda o fato de ele pr\u00f3prio ter marcado uma agenda do banqueiro do BTG com o ent\u00e3o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para tratar do tema.<\/p>\n<p>Delc\u00eddio ressaltou ainda que o BTG seria um dos maiores mantenedores do Instituto Lula. &#8220;Um dos instrumentos utilizados para repasse de valores seria o velho esquema de pagamento de &#8216;palestras'&#8221;, denunciou o senador. Al\u00e9m do pr\u00f3prio ex-presidente Lula, o ex-ministro petista Ant\u00f4nio Palocci seria uma esp\u00e9cie de &#8220;gendarme&#8221; de Esteves no esquema, nas palavras do delator.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7o do sil\u00eancio<\/strong> \u2013No acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada, o senador afirmou que o ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff e atual ministro da Educa\u00e7\u00e3o Aloizio Mercadante, prometeu dinheiro e ajuda para que Delc\u00eddio n\u00e3o procurasse o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e colaborasse com as investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>No depoimento \u00e0 Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, Delc\u00eddio afirma que, durante o per\u00edodo em que esteve preso preventivamente por causa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, seu assessor, Eduardo Marzag\u00e3o, foi procurado em tr\u00eas ocasi\u00f5es no m\u00eas de dezembro do ano passado por uma a assessora de Mercadante conhecida como Cac\u00e1 e pelo pr\u00f3prio ministro.<\/p>\n<p>Mazag\u00e3o gravou as conversas que teve com o ministro, que passou um recado para Delc\u00eddio &#8220;ter calma e avaliar muito bem a conduta a tomar, diante da complexidade do momento pol\u00edtica&#8221;. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o teria prometido que a situa\u00e7\u00e3o de Delc\u00eddio se resolveria e que o pagamento de honor\u00e1rios com advogados &#8220;poderia ser solucionado&#8221;. O parlamentar disse aos investigadores que o recado era de que o PT bancaria sua defesa.<\/p>\n<p>Delc\u00eddio tamb\u00e9m afirmou que acredita que o ministro agia como emiss\u00e1rio da presidente Dilma Rousseff. Segundo o ex-l\u00edder do governo no Senado, Mercadante \u00e9 um dos poucos que possui a confian\u00e7a da presidente, e que teria dito que &#8220;se ela tiver que descer a rampa do Planalto sozinha, eu descerei ao lado dela&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marta Nobre A bomba que o senador Delc\u00eddio Amaral entregou ao Supremo Tribunal Federal, com sua dela\u00e7\u00e3o premiada, espalhou estilha\u00e7os por todos os lados. N\u00e3o escapa Lula, nem Dilma. Como tamb\u00e9m n\u00e3o escapa A\u00e9cio, e outras figuras da pol\u00edtica brasileira. 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