{"id":95860,"date":"2016-03-29T10:58:32","date_gmt":"2016-03-29T13:58:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=95860"},"modified":"2016-03-29T10:58:32","modified_gmt":"2016-03-29T13:58:32","slug":"gestantes-do-rio-querem-derrubar-resolucao-que-proibe-doulas-em-salas-de-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/gestantes-do-rio-querem-derrubar-resolucao-que-proibe-doulas-em-salas-de-parto\/","title":{"rendered":"Gestantes do Rio querem derrubar resolu\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe doulas em salas de parto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Isabela Vieira e T\u00e2mara Freire<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e3e pela primeira vez, Fernanda Fran\u00e7a Fernandes, de 33 anos, estava em trabalho de parto h\u00e1 sete horas, quando o processo foi interrompido. Uma enfermeira entrou no quarto para informar que a doula, acompanhante de Fernanda durante a gest\u00e3o, n\u00e3o poderia ficar para o nascimento. \u00c9 que o Hospital Municipal Maternidade Maria Am\u00e9lia Buarque de Hollanda, refer\u00eancia em parto humanizado na cidade do Rio de Janeiro, n\u00e3o pode mais manter doulas em sala de parto, por causa de uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Regional Medicina do Rio (Cremerj) que voltou a valer.<\/p>\n<p>Assustada, Fernanda viu o trabalho de parto regredir. Ela ficou preocupada com a possibilidade de ficar sem o acompanhamento da doula, com quem desenvolveu uma rela\u00e7\u00e3o de afinidade e confian\u00e7a. Por causa disso, acredita ter ficado mais nervosa, prejudicando o nascimento do beb\u00ea, que ficou em trabalho de parto por 24 horas. \u201cPassaram \u00f3leo [na barriga], coisas para tentar fazer o trabalho de parto voltar, mas no final, tive que fazer [uso] de ocitocina [horm\u00f4nio sint\u00e9tico que aumenta o n\u00famero de contra\u00e7\u00f5es do \u00fatero] e todas interven\u00e7\u00f5es que eu n\u00e3o queria\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cPassei a madrugada evoluindo, mas a partir desse momento [do an\u00fancio da retirada da doula da sala], come\u00e7ou a regredir, n\u00e3o digo parar, mas regredir, porque a enfermeira n\u00e3o voltou. A sensa\u00e7\u00e3o era de que a qualquer momento algu\u00e9m poderia chegar e mandar ela embora me deixou nervosa e a\u00ed, o trabalho de parto parou geral\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mesmo sendo refer\u00eancia em pr\u00e1ticas de humaniza\u00e7\u00e3o, como permitir a presen\u00e7a regulamentada de doulas, para tentar reduzir as cesarianas, o Maria Am\u00e9lia teve de se adaptar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do Cremerj.\u00a0 \u201cPor causa das amea\u00e7as de puni\u00e7\u00f5es a profissionais [pelo Cremerj], a Secretaria Municipal de Sa\u00fade suspendeu a permiss\u00e3o \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das doulas at\u00e9 que se chegue a um consenso\u201d, informou a secretaria.<\/p>\n<p><strong>Projeto de lei<\/strong><\/p>\n<p>Preocupadas com o efeito da decis\u00e3o em outras unidades, m\u00e3es, gestantes e doulas querem que a resolu\u00e7\u00e3o do conselho seja derrubada por meio de lei. Elas explicam que doulas d\u00e3o conforto e seguran\u00e7a \u00e0s fam\u00edlias e esclarecem que n\u00e3o interferem nos procedimentos m\u00e9dicos. Para tentar convencer os deputados, elas estar\u00e3o entre hoje (29) e quinta-feira (31) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Tramita na casa projeto de lei que libera a presen\u00e7a das doulas.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica sanitarista Tizuko Shiraiwa explica que as doulas usam m\u00e9todos naturais para ajudar as m\u00e3es, como a indica\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e a ajuda com posi\u00e7\u00f5es confort\u00e1veis na hora do nascimento. \u201cO que as doulas fazem \u00e9 dar assist\u00eancia f\u00edsica e emocional \u00e0s m\u00e3es. Est\u00e1 mais que provado cientificamente que [a presen\u00e7a delas] \u00e9 ben\u00e9fica para mulher. N\u00e3o vejo em que [isso] pode ser ruim\u201d, disse a m\u00e9dica, que foi coordenadora do Comit\u00ea de Mortalidade Materna do Estado do Rio por dez anos.<\/p>\n<p>De acordo com Tizuko Shiraiwa, a decis\u00e3o do Cremerj, de proibir as doulas em salas de parto, \u00e9 uma \u201cdefesa corporativa\u201d. \u201cAs doulas ajudam as mulheres a optar pelo parto normal, o que os m\u00e9dicos n\u00e3o querem fazer porque demora muito e n\u00e3o \u00e9 remunerado igualmente.\u201d<\/p>\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> entrou em contato com o Cremerj, mas n\u00e3o conseguiu, durante todo o dia, entrevistar a m\u00e9dica indicada pela entidade. O telefone passado pelo Cremerj n\u00e3o atendeu. Segundo a entidade, s\u00f3 esta profissional poderia falar sobre o assunto.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade esclareceu, em nota, que a participa\u00e7\u00e3o de doulas nos partos \u00e9 \u201cdecis\u00e3o do gestor local&#8221; das unidades de sa\u00fade. N\u00e3o h\u00e1 leis ou normas que resguardem a presen\u00e7a das profissionais nas salas e a Lei do Acompanhante d\u00e1 direito apenas a uma pessoa na sala de parto.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o do Cremerj que pro\u00edbe a presen\u00e7a de doulas e\/ou parteiras em salas de partos havia sido derrubada na Justi\u00e7a, antes de o conselho recorrer ao Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro e conseguir reverter a decis\u00e3o. Caso os m\u00e9dicos sejam flagrados realizando parto na presen\u00e7a das doulas podem at\u00e9 perder o registro.<\/p>\n<p><strong>Outras experi\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Fora do Rio, no entanto, a presen\u00e7a de doulas \u00e9 incentivada em maternidades. No interior de S\u00e3o Paulo, por exemplo, a contrata\u00e7\u00e3o delas por um hospital privado reduziu o n\u00famero de ces\u00e1reas, interven\u00e7\u00e3o aconselhada apenas em caso de risco de morte. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o parto normal \u00e9 mais seguro e deve ser prioridade.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabela Vieira e T\u00e2mara Freire M\u00e3e pela primeira vez, Fernanda Fran\u00e7a Fernandes, de 33 anos, estava em trabalho de parto h\u00e1 sete horas, quando o processo foi interrompido. 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