{"id":96562,"date":"2016-04-02T22:25:23","date_gmt":"2016-04-03T01:25:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=96562"},"modified":"2016-04-07T06:30:01","modified_gmt":"2016-04-07T09:30:01","slug":"coisa-de-nomes-prologo-ementa-soneto-e-errata-corrige-epilogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/coisa-de-nomes-prologo-ementa-soneto-e-errata-corrige-epilogo\/","title":{"rendered":"Coisa de nomes. Pr\u00f3logo, Ementa, Soneto. E Errata corrige Ep\u00edlogo, o \u00faltimo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Escarlate<\/strong><\/p>\n<p>Um belo dia, encontro no cafezinho da C\u00e2mara Federal o ent\u00e3o deputado Ruy Santos, um baiano bonach\u00e3o, boa pra\u00e7a, que gostava de conversar e de gozar os jornalistas. Ele me disse que estava apresentando um projeto de lei, que entraria na Ordem do Dia sobre os nomes absurdos que eram levados pelos pais aos cart\u00f3rios de registro.<\/p>\n<p>Seu desejo era o de fazer com que esses nomes, que em muitos casos poderiam levar as pessoas ao rid\u00edculo, fossem contidos a todo custo pelo oficial de registro. Entendi a mensagem e resolvi ficar na C\u00e2mara para assistir ao discurso. Foi \u00f3timo.<\/p>\n<p>Al\u00ed, naquele momento, eu bolei fazer a coluna toda com trechos da fala de Ruy Santos, ressaltando fatos curiosos, e at\u00e9 humor\u00edsticos, com v\u00e1rios t\u00f3picos em que destacava o absurdo e o porqu\u00ea daqueles nomes. A coluna com nomes imposs\u00edveis publiquei num domingo. Sucesso.<\/p>\n<p>Ruy Santos citou o caso do ex-deputado Ep\u00edlogo de Campos.<\/p>\n<p>\u201dAqui, tivemos entre n\u00f3s o deputado Ep\u00edlogo de Campos. Seu pai achou de dar aos seus filhos nomes da sua simpatia: Pr\u00f3logo, Soneto, Ementa&#8230; Foi quando nasceu o filho, que esperou fosse o \u00faltimo. E n\u00e3o titubeou: Ep\u00edlogo. Mas para surpresa sua, entretanto, dois anos depois adveio uma menina. Surpreso, o pai n\u00e3o titubeou. Deu-lhe o nome de Errata. Errata de Campos.<\/p>\n<p>Na sua longa lista, o parlamentar baiano revelou que no Rio Grande do Norte, Jer\u00f4nimo Rosado, pol\u00edtico conhecido e homem de largas posses queria ter muitos filhos. E a prolificidade da mulher nordestina sempre foi reconhecida. Nascidos os filhos, a todos deu o seu prenome: Jer\u00f4nimo Primeiro Rosado, Jer\u00f4nimo Segundo Rosado, Jer\u00f4nimo Terceiro, etc.<\/p>\n<p>Acontece que, a partir de um n\u00famero avantajado de rebentos, Jer\u00f4nimo Rosado resolveu trocar o ordinal em portugu\u00eas, substituindo-o pelo numeral em franc\u00eas. Da\u00ed surgiram o Dix-Sept Rosado, que foi governador do Estado e faleceu em decorr\u00eancia de desastre de avi\u00e3o, o deputado e senador Dix-Huit Rosado e o tamb\u00e9m deputado Vingt Rosado. Gozador como sempre, o deputado Ruy Santos ainda brincou que, s\u00f3 ficaram fora da lista o treze e o vinte e quatro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o escritor \u00c1lvaro Moreira diz ter encontrado v\u00e1rios nomes esquisitos na lista de benefici\u00e1rios do falecido Instituto dos Industri\u00e1rios, como Um Dois Tr\u00eas de Oliveira Quatro, Olindo Barba de Jesus, Jos\u00e9 Casou de Cal\u00e7as Curtas, Dezec\u00eancio Feverec\u00eancio de Oitenta e Cinco, Jo\u00e3o C\u00f3lica, Ant\u00f4nio Dod\u00f3i, Inoc\u00eancio Coitadinho Sossegado de Oliveira, e uma mocinha que, mais tarde, conseguiu reverter a inspira\u00e7\u00e3o do pai. Seu nome era Graciosa Rodela. Lembrou tamb\u00e9m ter havido um Oceano Atl\u00e2ntico Linhares, armazenista do antigo Minist\u00e9rio de Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas.<\/p>\n<p>Pesquisadores garantem ter um Raimundo Raio da Estrada de Ferro Brasileira, no Cear\u00e1, um Himeneu Casament\u00edcio das Dores Conjugais, em Porto Alegre.<\/p>\n<p>Na sua longa rela\u00e7\u00e3o, Ruy Santos recebeu informa\u00e7\u00f5es do advogado Washington Bolivar de Brito, de Bras\u00edlia, com nomes que encontrou em documentos, assim alinhados: Calicanto Querido, Danilo de Cad\u00ea Neg\u00f3cio, Amim Amou, Tranquilo Serafim.<\/p>\n<p>Mas o parlamentar n\u00e3o se fixa s\u00f3 em prenomes e sobrenomes. Envereda tamb\u00e9m para o lado dos pseud\u00f4nimos, que classifica como um disfarce, como uma fuga da pr\u00f3pria personalidade. Diz que at\u00e9 Machado de Assis usou pseud\u00f4nimos, lembrando que o escritor Paulo Barreto era o conhecido Jo\u00e3o do Rio. Alceu Amoroso Lima era o c\u00e9lebre Trist\u00e3o de Ata\u00edde. At\u00e9 Moli\u00e9re assumiu o falso nome de Jean Baptiste Paquelin.<\/p>\n<p>Depois de declinar nomes como Cafiaspirina de Melo, Jo\u00e3o Cara de Jos\u00e9, Ad\u00e3o Kodak, Vitorino Carne e Osso, Manuelina Terebentina Capitulina do Amor Divino, Maria Panela, Oceano Pac\u00edfico, Maria Passa Cantando, o parlamentar lembra o escritor Carlos Drummond de Andrade, que salientava que \u201cesses nomes tornam infelizes seus inocentes portadores, pois os receberam no Registro Civil quando ainda n\u00e3o podiam reagir\u201d. Drummond, mostrando-se revoltado, adianta que \u201c\u00e9 triste chamar-se como o pai decidiu, em hora de burrice especial\u201d.<\/p>\n<p>Aprovando o projeto do deputado baiano, que justifica a necess\u00e1ria troca do nome, diz o poeta que \u201ccom a corre\u00e7\u00e3o, na \u00e9poca da raz\u00e3o, ou da rea\u00e7\u00e3o, pode a criatura por fim \u00e0 estupidez paterna, mas esta j\u00e1 lhe pesou durante muitos anos. Foi fardo que carregou submetido aos deboches da escola, \u00e0 tro\u00e7a dos companheiros de rua ou do trabalho\u201d. E indaga: \u201cO que n\u00e3o pode ser dito \u00e0quela Filha de Chinelo, ou daquela Carne e Osso, ou daquele Rosa Cavalo?\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-83053\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/PV.png\" alt=\"PV\" width=\"122\" height=\"26\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Escarlate Um belo dia, encontro no cafezinho da C\u00e2mara Federal o ent\u00e3o deputado Ruy Santos, um baiano bonach\u00e3o, boa pra\u00e7a, que gostava de conversar e de gozar os jornalistas. 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