{"id":96663,"date":"2016-04-04T08:22:02","date_gmt":"2016-04-04T11:22:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=96663"},"modified":"2016-04-04T18:56:08","modified_gmt":"2016-04-04T21:56:08","slug":"cooperativa-de-credito-cresce-e-deixa-os-grandes-bancos-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cooperativa-de-credito-cresce-e-deixa-os-grandes-bancos-para-tras\/","title":{"rendered":"Cooperativas de cr\u00e9dito crescem, fazem caixa e deixam bancos para tr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Josette Goulart<\/strong><\/h6>\n<p>Dobrando a esquina, rumo ao Morro da Igreja, em Urubici, um dos cart\u00f5es postais da serra de Santa Catarina, chama a aten\u00e7\u00e3o o letreiro \u2018O Bif\u00e3o\u2019, estampado na parede do bar e lanchonete que carrega o nome. Recentemente, os donos decidiram fazer uma reforma para melhorar o ambiente, mas precisavam de cr\u00e9dito. Ao contr\u00e1rio do que se imagina, essa foi a parte mais f\u00e1cil da empreitada.<\/p>\n<p>&#8220;Sem burocracia. Nenhum empecilho. Contrato na hora. Dinheiro direto pra conta. Metade do pre\u00e7o&#8221;, resume um dos donos, Luiz Carlos Alves. O dinheiro veio de uma cooperativa de cr\u00e9dito chamada Sicoob, onde h\u00e1 14 anos est\u00e1 a conta corrente d\u2019O Bif\u00e3o.<\/p>\n<p>Casos como esse est\u00e3o se proliferando Pa\u00eds afora. Em busca de juros mais baixos, 7,8 milh\u00f5es de pessoas e empresas se tornaram associados a cooperativas de cr\u00e9dito, segundo dados do Banco Central. E as cooperativas, que tiveram origem no setor agr\u00edcola &#8211; caso da Sicredi, que tem mais de 100 anos -, agora se espalham por todos os setores. Esse contingente tem feito as institui\u00e7\u00f5es crescerem a um ritmo acelerado. Na m\u00e9dia, 20% ao ano &#8211; acima dos 16% que foram registrados pelos grandes bancos ou dos 11% de avan\u00e7o dos bancos m\u00e9dios.<\/p>\n<p>Juntas, as quatro maiores do Pa\u00eds &#8211; Sicredi, Unicredi, Sicoob e Confesol &#8211; j\u00e1 seriam hoje o sexto maior banco de varejo, segundo estudo in\u00e9dito feito pela consultoria alem\u00e3 Roland Berger.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 exagero de Luiz Carlos, d\u2019O Bif\u00e3o. As taxas de juros s\u00e3o de fato metade das que cobram os bancos. Enquanto o cheque especial fica em m\u00e9dia 11% ao m\u00eas nos grandes bancos, nas cooperativas \u00e9 de 5,5%. O cr\u00e9dito pessoal \u00e9 um ter\u00e7o do valor. Nas cooperativas, sai, na m\u00e9dia, por 2,1% ao m\u00eas.<\/p>\n<p>Os juros mais baixos s\u00e3o poss\u00edveis porque as cooperativas n\u00e3o t\u00eam fins lucrativos, j\u00e1 que emprestam basicamente para seus pr\u00f3prios associados, que s\u00e3o, portanto, os donos do neg\u00f3cio. Outro motivo \u00e9 que os resultados dessas institui\u00e7\u00f5es, diferentemente dos bancos, possuem isen\u00e7\u00e3o fiscal, segundo conta o chefe adjunto da \u00e1rea de cooperativas do Banco Central, Rodrigo Pereira Braz.<\/p>\n<p>Mas, como diz a m\u00e1xima americana, &#8220;n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis&#8221;. Os juros mais baixos da cooperativa tamb\u00e9m trazem risco aos associados. Por serem donos, eles recebem o rateio dos resultados ao fim do ano, mas tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por eventuais preju\u00edzos, ou seja, s\u00e3o chamados a cobrir perdas com seu pr\u00f3prio capital. Braz, do BC, diz que s\u00e3o poucos os casos registrados, mas refor\u00e7a que \u00e9 um risco a que se deve ficar atento.<\/p>\n<p><b>Concorr\u00eancia &#8211;\u00a0<\/b>S\u00e3o nos momentos de crise que as cooperativas mais crescem, segundo o presidente da Roland Berger, Antonio Bernardo. Isso acontece porque o cr\u00e9dito se torna mais escasso nos bancos e tamb\u00e9m porque nas cooperativas o atendimento \u00e9 de maior confian\u00e7a entre as partes. Mas, apesar do crescimento acelerado, as cooperativas ainda representam apenas 3% do sistema financeiro e enfrentam o desafio de ganhar mais escala.<\/p>\n<p>Segundo Bernardo, associa\u00e7\u00e3o, fus\u00e3o ou compartilhamento seria uma forma eficiente de cortar custos e crescer mais r\u00e1pido. Ele lembra que em pa\u00edses da Europa, os sistemas cooperados s\u00e3o muito fortes. Na Fran\u00e7a, por exemplo, quase 50% do sistema financeiro \u00e9 formado por cooperativas.<\/p>\n<p>No Brasil, a fus\u00e3o das quatro maiores j\u00e1 \u00e9 um assunto discutido. O diretor financeiro da Confresol, Adriano Michelon, diz que o primeiro passo foi dado ao ser criado h\u00e1 dois anos o Fundo Garantidor para cooperativas, que cobre, em at\u00e9 R$ 250 mil por pessoa, as perdas em caso de quebra de uma institui\u00e7\u00e3o. O presidente da Unicredi, L\u00e9o Trombka, diz que o segundo passo est\u00e1 sendo dado neste ano com a exig\u00eancia de auditorias especializadas em cooperativas.<\/p>\n<p><b>Participa\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>As cooperativas de cr\u00e9dito ainda ocupam uma fatia pequena na &#8220;pizza&#8221; do sistema financeiro brasileiro, de apenas 3%. Mas a cada dia est\u00e3o ficando mais parecidas com grandes bancos, ofertando toda gama de produtos financeiros, registrando lucros na casa do bilh\u00e3o e ocupando espa\u00e7os antes restritos a grandes bancos nacionais ou internacionais.<\/p>\n<p>Em maio, a Sicredi, uma das maiores do Pa\u00eds e que no ano passado lucrou R$ 1,4 bilh\u00e3o, vai inaugurar uma ag\u00eancia de 750 metros quadrados em plena Avenida Paulista, um dos endere\u00e7os mais caros do Pa\u00eds. Tamb\u00e9m neste ano, o logotipo da Sicredi passou a ser visto nas rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol &#8211; a cooperativa patrocina diversos clubes de menor porte.<\/p>\n<p>A Sicredi tamb\u00e9m est\u00e1 empreendendo um crescimento para toda a regi\u00e3o Nordeste. At\u00e9 o fim do ano, a cooperativa ter\u00e1 ag\u00eancias em 20 Estados brasileiros.<\/p>\n<p><b>Ag\u00eancias &#8211;\u00a0<\/b>Essa expans\u00e3o por todo o Pa\u00eds j\u00e1 faz das cooperativas de cr\u00e9dito a segunda maior rede de ag\u00eancias do Pa\u00eds, atr\u00e1s apenas do Banco do Brasil, segundo dados do Banco Central. Se postos de atendimento e caixas eletr\u00f4nicos forem inclu\u00eddos na conta, a import\u00e2ncia das cooperativas fica um pouco reduzida, mas mesmo assim elas ainda ocupam o sexto lugar.<\/p>\n<p>De acordo com estudo realizado pela consultoria alem\u00e3 Roland Berger, as cooperativas de cr\u00e9dito t\u00eam hoje potencial para se tornarem um ant\u00eddoto \u00e0 grande concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria no Pa\u00eds, que ficou ainda maior depois que o HSBC foi comprado pelo Bradesco, em 2015.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim deste ano, h\u00e1 a expectativa de que o americano Citibank deixe o varejo brasileiro &#8211; entre seus potenciais compradores destacam-se dois bancos j\u00e1 bastante fortes no mercado, como o Ita\u00fa e o Santander. Hoje, o dom\u00ednio que institui\u00e7\u00f5es como Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica Federal, Ita\u00fa Unibanco, Bradesco e Santander t\u00eam do setor \u00e9 considerado mais forte na compara\u00e7\u00e3o com o resto do mundo.<\/p>\n<p><b>Aposta &#8211;\u00a0<\/b>Embora a concorr\u00eancia no mercado esteja cheia de &#8220;pesos-pesados&#8221;, o presidente da Sicredi, Edson Nassar, diz que h\u00e1 muito espa\u00e7o a ser ocupado pelas cooperativas. &#8220;Temos 97% do mercado a conquistar&#8221;, diz Nassar, em refer\u00eancia \u00e0 fatia de 3% das institui\u00e7\u00f5es no sistema financeiro.<\/p>\n<p>A Sicredi n\u00e3o est\u00e1 sozinha na busca de uma atua\u00e7\u00e3o mais abrangente. Desde que o Banco Central (BC) permitiu que as cooperativas de menor porte deixassem de ser exclusivas de uma categoria, a Confresol tem investido para conquistar clientes fora do setor agr\u00edcola, sua origem. A Confesol tem hoje conv\u00eanio com o Banco do Brasil e a Rede 24 horas para que seus clientes possam efetuar saques em caixas eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Para ficarem cada vez mais compar\u00e1veis aos bancos, as cooperativas tamb\u00e9m oferecem investimentos. A mais cl\u00e1ssica \u00e9 o RDC, uma esp\u00e9cie de dep\u00f3sito a prazo remunerado que oferece entre 10% e 12% de remunera\u00e7\u00e3o por ano, em m\u00e9dia. O presidente da Unicredi, L\u00e9o Trombka, diz que a cooperativa s\u00f3 n\u00e3o oferece caderneta de poupan\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Limita\u00e7\u00f5es &#8211;\u00a0<\/b>Quanto mais clientes conquistarem, mais as cooperativas v\u00e3o conseguir ampliar sua capacidade de emprestar dinheiro, hoje ainda limitada em fun\u00e7\u00e3o do volume de ativos. Os recursos para concess\u00e3o dos financiamentos hoje v\u00eam basicamente dos dep\u00f3sitos, do volume de capital pr\u00f3prio dos associados e de linhas repassadas por bancos, entre eles o Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Josette Goulart Dobrando a esquina, rumo ao Morro da Igreja, em Urubici, um dos cart\u00f5es postais da serra de Santa Catarina, chama a aten\u00e7\u00e3o o letreiro \u2018O Bif\u00e3o\u2019, estampado na parede do bar e lanchonete que carrega o nome. Recentemente, os donos decidiram fazer uma reforma para melhorar o ambiente, mas precisavam de cr\u00e9dito. 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