{"id":97103,"date":"2016-04-07T06:49:28","date_gmt":"2016-04-07T09:49:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=97103"},"modified":"2016-04-08T08:09:10","modified_gmt":"2016-04-08T11:09:10","slug":"caixa-decide-vender-creditos-podres-de-23-bilhoes-para-deixar-seu-balanco-zerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caixa-decide-vender-creditos-podres-de-23-bilhoes-para-deixar-seu-balanco-zerado\/","title":{"rendered":"Caixa decide vender cr\u00e9ditos podres de 23 bilh\u00f5es para deixar o seu balan\u00e7o zerado"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Murilo Rodrigues Alves<\/strong><\/h6>\n<p>Depois de ser usada pelo governo como locomotiva de cr\u00e9dito para impulsionar a economia nos \u00faltimos anos, a Caixa Econ\u00f4mica Federal recorreu \u00e0 venda recorde de R$ 23 bilh\u00f5es em &#8220;cr\u00e9ditos podres&#8221; &#8211; d\u00e9bitos considerados de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o &#8211; desde 2014 para limpar o balan\u00e7o da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, o banco estatal vendeu R$ 13,1 bilh\u00f5es a empresas especializadas na recupera\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, quase o triplo da soma das opera\u00e7\u00f5es do mesmo tipo feitas pelos tr\u00eas principais concorrentes &#8211; Banco do Brasil vendeu R$ 3 bilh\u00f5es, Ita\u00fa Unibanco, R$ 2,2 bilh\u00f5es, e Bradesco n\u00e3o efetuou esse tipo de neg\u00f3cio. Pelas transa\u00e7\u00f5es feitas no ano passado, a Caixa recebeu apenas R$ 439,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste ano, em fevereiro, o banco colocou \u00e0 venda mais R$ 1,5 bilh\u00e3o da carteira de empr\u00e9stimos inadimplentes de micro e pequenas empresas. Em 2014, a Caixa j\u00e1 tinha desovado R$ 8,3 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos em atraso que estava carregando no balan\u00e7o, ou mesmo j\u00e1 baixados para preju\u00edzo. Por essa venda, recebeu R$ 1,6 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de ser protagonista na expans\u00e3o de cr\u00e9dito no Brasil nos \u00faltimos anos, com crescimento da carteira at\u00e9 superior a 40% ao ano, a Caixa passa por brusca desacelera\u00e7\u00e3o na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e financiamentos. Fechou 2015 com aumento de 11,9%, ritmo bem menor do que os 22,4% de 2014 e os 36,8% de 2013.<\/p>\n<p>Com a recess\u00e3o prolongada, a inadimpl\u00eancia aumentou, o que obrigou o banco a fazer provis\u00f5es maiores para cobrir eventuais calotes. A exig\u00eancia diminuiu o lucro do banco, que n\u00e3o contar\u00e1 com novas inje\u00e7\u00f5es do governo e depende de lucros retidos para refor\u00e7ar o capital.<\/p>\n<p>&#8220;A Caixa entrou numa s\u00e9rie de linhas que nunca tinha entrado antes, foi muito agressiva na oferta de cr\u00e9dito, viu a inadimpl\u00eancia subir e n\u00e3o tem a expertise na recupera\u00e7\u00e3o de inadimplentes&#8221;, afirma Guilherme Ferreira, da Jive, empresa de recupera\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>O banco, seguindo recomenda\u00e7\u00e3o do governo, seu controlador, entrou nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito a empresas. Tamb\u00e9m foi obrigado a tocar o Minha Casa Melhor, linha de financiamento de at\u00e9 R$ 5 mil para compra de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos para os benefici\u00e1rios do Minha Casa Minha Vida. A inadimpl\u00eancia do programa, rejeitado pela equipe t\u00e9cnica do banco, \u00e9 de 35,2%, enquanto a taxa de calotes de linhas similares oferecidas pela rede banc\u00e1ria \u00e9 de 10%.<\/p>\n<p><b>Distor\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>O banco de investimento JP Morgan disse, na an\u00e1lise do balan\u00e7o da Caixa de 2015, que a venda de carteiras &#8220;podres&#8221; distorceu o \u00edndice de inadimpl\u00eancia do banco. O \u00edndice fechou o ano passado em 3,55%, acima dos 3,26% registrados em setembro. Pelos c\u00e1lculos do JP Morgan, se n\u00e3o fosse a venda de carteiras, o indicador teria sido de 3,89%.<\/p>\n<p>Para especialistas do setor, a Caixa errou na forma como tornou p\u00fablica a opera\u00e7\u00e3o, sem dar detalhes do impacto da venda de cr\u00e9ditos que ainda carregava no balan\u00e7o do banco na taxa de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Do volume vendido no ano passado, 20% foram comprados pela Ativos, que pertence ao Banco do Brasil. Das vendas de 2014, 87% foram comprados pela Emgea, empresa p\u00fablica criada pelo governo para absorver preju\u00edzos dos bancos oficiais com devedores.<\/p>\n<p>Em nota, o banco afirmou que a cess\u00e3o de carteiras &#8220;n\u00e3o performadas ou de baixa possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 uma boa pr\u00e1tica de gest\u00e3o banc\u00e1ria utilizada por bancos no Brasil e no mundo. &#8220;Possibilita a renova\u00e7\u00e3o dos ativos e a libera\u00e7\u00e3o de recursos para aplica\u00e7\u00e3o em novas opera\u00e7\u00f5es&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A Caixa afirmou negociar com todas as empresas especialistas em recupera\u00e7\u00e3o antes de fechar a venda. &#8220;A contribui\u00e7\u00e3o dessas cess\u00f5es para o resultado do banco \u00e9 pequena e seu principal objetivo \u00e9 renovar os ativos e ganhar efici\u00eancia operacional, mantendo o foco da administra\u00e7\u00e3o e o uso do capital em opera\u00e7\u00f5es de maior rentabilidade.&#8221;<\/p>\n<p><b>Mercado recente &#8211;\u00a0<\/b>No Brasil, a venda de &#8220;cr\u00e9ditos podres&#8221; ainda \u00e9 um mercado recente, que s\u00f3 agora deslancha com a ades\u00e3o dos grandes bancos nacionais. Com folga de capital, as institui\u00e7\u00f5es vinham preferindo manter os cr\u00e9ditos ap\u00f3s as tentativas de cobran\u00e7as dos clientes inadimplentes.<\/p>\n<p>O aumento da inadimpl\u00eancia e o endurecimento gradativo das regras de Basileia &#8211; acordo internacional que visa garantir solidez ao sistema financeiro &#8211; incentivaram os banc\u00f5es a repassarem o estoque de devedores. &#8220;Os bancos est\u00e3o vendo de um lado o capital deles sendo comprimido por perdas de inadimpl\u00eancia, por outro lado exig\u00eancias de capital maior&#8221;, diz Guilherme Ferreira, da Jive.<\/p>\n<p>Em 2015, o Ita\u00fa Unibanco vendeu um portf\u00f3lio de R$ 2,2 bilh\u00f5es em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito de empresas clientes que estavam inadimplentes a um fundo especializado. O &#8220;pr\u00eamio&#8221; pago foi de R$ 24 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O Banco do Brasil repassou cerca de R$ 3 bilh\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es j\u00e1 baixadas em preju\u00edzo \u00e0 Ativos, empresa do grupo especializada na recupera\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. O lucro do banco com a transa\u00e7\u00e3o depende da taxa de sucesso da empresa na cobran\u00e7a dos calotes. Em m\u00e9dia, s\u00e3o empr\u00e9stimos de t\u00edquete baixo, entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, sem garantias. O Bradesco n\u00e3o fez cess\u00e3o de carteiras no ano passado<\/p>\n<p>No setor, a conta \u00e9 que a venda de cr\u00e9ditos podres em 2015 chegou a R$ 20 bilh\u00f5es &#8211; n\u00e3o h\u00e1 dados oficiais sobre a venda dessas carteiras no Pa\u00eds. Os bancos brasileiros registram cerca de R$ 100 bilh\u00f5es por ano em novas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9ditos inadimplentes. O mercado ganhou empresas e fundos especializados, al\u00e9m da Jive, RCB e Recovery, do BTG Pactual, o que tamb\u00e9m impulsionou as opera\u00e7\u00f5es. O aumento da concorr\u00eancia \u00e9 visto como saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Rodrigues Alves Depois de ser usada pelo governo como locomotiva de cr\u00e9dito para impulsionar a economia nos \u00faltimos anos, a Caixa Econ\u00f4mica Federal recorreu \u00e0 venda recorde de R$ 23 bilh\u00f5es em &#8220;cr\u00e9ditos podres&#8221; &#8211; d\u00e9bitos considerados de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o &#8211; desde 2014 para limpar o balan\u00e7o da institui\u00e7\u00e3o. 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