{"id":97440,"date":"2016-04-10T02:29:24","date_gmt":"2016-04-10T05:29:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=97440"},"modified":"2016-04-11T08:56:31","modified_gmt":"2016-04-11T11:56:31","slug":"crise-se-aprofunda-na-economia-e-faz-nascer-282-desempregados-por-dia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crise-se-aprofunda-na-economia-e-faz-nascer-282-desempregados-por-dia-no-brasil\/","title":{"rendered":"Crise se aprofunda na economia e faz surgir 282 desempregados por dia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Guilherme Gerbelli e Anna Carolina Papp<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil dos desempregados j\u00e1 tem quase a mesma popula\u00e7\u00e3o de Portugal: beira os 10 milh\u00f5es de habitantes. Por hora, 282 brasileiros passam a fazer parte desse contingente, segundo c\u00e1lculos do economista e blogueiro do Estado Alexandre Cabral.<\/p>\n<p>\u00c9 gente como Ade\u00edldo dos Santos, pai de tr\u00eas filhos, que est\u00e1 sem emprego h\u00e1 seis meses; como o haitiano Vito Pharius, que chegou a S\u00e3o Paulo h\u00e1 um ano, sem a fam\u00edlia, e at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiu assinar a carteira de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 gente como Andr\u00e9 Vernilo, de 21 anos, que acabou de pegar o diploma de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas n\u00e3o consegue achar uma vaga na \u00e1rea; ou como Wagner Soares, ex-funcion\u00e1rio de uma f\u00e1brica de autope\u00e7as, hoje vendedor ambulante no viaduto Santa Ifig\u00eania, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 de que, at\u00e9 o fim do ano, ser\u00e3o 12 milh\u00f5es de hist\u00f3rias como essas no Pa\u00eds. Vai ser cada vez mais dif\u00edcil n\u00e3o conhecer algu\u00e9m que esteja desempregado. E, para quem j\u00e1 est\u00e1 sem emprego, a dificuldade ser\u00e1 encontrar portas onde bater. &#8220;Isso \u00e9 muito grave, porque com exce\u00e7\u00e3o da agricultura, n\u00e3o h\u00e1 mais nenhum setor livre do fantasma do desemprego&#8221;, diz o economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros, s\u00f3cio da MB Associados. &#8220;E n\u00e3o se trata de uma crise conjuntural, com uma queda tempor\u00e1ria. O problema \u00e9 estrutural.&#8221;<\/p>\n<p>A nova onda de retra\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho ficou evidente a partir do segundo semestre do ano passado, quando os setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os &#8211; grandes empregadores de m\u00e3o de obra &#8211; come\u00e7aram a demitir com mais for\u00e7a. A piora se somou aos desligamentos na constru\u00e7\u00e3o civil e na ind\u00fastria, em crise h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p>Em 2015, o com\u00e9rcio fechou 208 mil postos de trabalho, depois de mais de dez anos de cria\u00e7\u00e3o de vagas. &#8220;Para este ano, estamos esperando o corte de 220 mil postos, j\u00e1 que o ajuste come\u00e7ou mais tarde no setor e muitos seguraram as demiss\u00f5es por causa dos custos&#8221;, afirma Fabio Bentes, economista da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio. No com\u00e9rcio, diz Bentes, contrata\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de crescimento nas vendas &#8211; o que n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. Em 2015, as vendas recuaram 8,6% e, neste ano, devem cair 8,3%.<\/p>\n<p>O que ajuda a explicar a forte piora nos setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os \u00e9 a queda da renda do Brasil. Em 2015, o recuo real &#8211; quando descontada a infla\u00e7\u00e3o &#8211; foi de 3,7%. A \u00faltima queda havia sido observada em 2004, de 1,4%. Neste ano, deve chegar a 2,5%. &#8220;Se existiam sinais de que poderia haver uma melhora das condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho, os \u00faltimos dados mostram que todas as fontes fecharam&#8221;, diz Claudio Dedecca, professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Morador de Diadema, Ade\u00edldo Alfredo dos Santos, de 39 anos, descobriu isso na pr\u00e1tica. H\u00e1 seis meses sem trabalho, ele n\u00e3o tem mais para onde correr. O seguro-desemprego j\u00e1 acabou. O carro, que valia cerca de R$ 12 mil, foi vendido. E o dinheiro n\u00e3o para de sair da conta &#8211; restam apenas R$ 10 mil na poupan\u00e7a, que prometem voar com o aluguel, de R$ 850 mensais, e as outras despesas do dia a dia da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Quando fui demitido, ficamos sem nenhuma renda, pois a minha esposa fica em casa com nossos tr\u00eas filhos pequenos&#8221;, conta ele, que trabalhava na ind\u00fastria da borracha. &#8220;N\u00e3o tenho sa\u00edda a n\u00e3o ser arranjar outro emprego. Mas est\u00e1 p\u00e9ssimo &#8211; as vagas est\u00e3o afunilando cada vez mais&#8221;, diz. &#8220;Aceito qualquer coisa em qualquer lugar.&#8221; No \u00faltimo emprego, Ade\u00edldo ganhava R$ 2 mil por m\u00eas. H\u00e1 alguns anos, chegou a ganhar R$ 3 mil. &#8220;A minha condi\u00e7\u00e3o de vida era melhor uns tempos atr\u00e1s. Foi em 2013 que as coisas come\u00e7aram a piorar&#8221;, conta.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 para ele que as coisas mudaram r\u00e1pido demais. &#8220;Em menos de dois anos, o Brasil deixou a condi\u00e7\u00e3o de pleno emprego&#8221;, afirma Alessandra Ribeiro, economista e s\u00f3cia da Tend\u00eancias Consultoria Integrada. A velocidade com que o mercado de trabalho se deteriorou tem impressionado economistas. &#8220;At\u00e9 o in\u00edcio de 2014, os empres\u00e1rios esperavam uma recupera\u00e7\u00e3o e eles seguraram o quanto puderam para n\u00e3o demitir&#8221;, diz Mendon\u00e7a de Barros. &#8220;Quando eles perderam a esperan\u00e7a, foi uma correria para ajustar a estrutura.&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 Porto Alegre, que em 2011 foi batizada de &#8220;a capital do pleno emprego&#8221;, j\u00e1 sofre com aumento das demiss\u00f5es. Dados da Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica, da Secretaria de Planejamento do Rio Grande do Sul, mostram que a taxa atingiu os dois d\u00edgitos na regi\u00e3o metropolitana em fevereiro: 10,1%. H\u00e1 um ano, estava em 5,8%. Esse cen\u00e1rio atinge ga\u00fachos como Guilherme Pinto, de 37 anos. T\u00e9cnico em publicidade e propaganda, seu maior per\u00edodo sem emprego foi em 2015, quando ficou nove meses parado. &#8220;Tive de usar o FGTS e o seguro-desemprego.&#8221;<\/p>\n<p>No fim do ano passado, ele at\u00e9 achou uma vaga, mas a empresa fechou as portas em janeiro. &#8220;Fiquei dois meses empregado ganhando menos de R$ 1 mil.&#8221; Guilherme mora com a m\u00e3e, funcion\u00e1ria p\u00fablica aposentada por invalidez, que sustenta os dois com menos de R$ 1,3 mil mensais. &#8220;Minha rotina agora \u00e9 fazer cadastro em sites de emprego, enviar curr\u00edculos e pedir indica\u00e7\u00f5es de amigos&#8221;, conta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Guilherme Gerbelli e Anna Carolina Papp O Brasil dos desempregados j\u00e1 tem quase a mesma popula\u00e7\u00e3o de Portugal: beira os 10 milh\u00f5es de habitantes. 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