{"id":97526,"date":"2016-04-11T08:05:22","date_gmt":"2016-04-11T11:05:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=97526"},"modified":"2016-04-11T11:18:26","modified_gmt":"2016-04-11T14:18:26","slug":"onda-de-quebradeira-inclusive-a-de-bancos-ja-assusta-o-planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/onda-de-quebradeira-inclusive-a-de-bancos-ja-assusta-o-planalto\/","title":{"rendered":"Onda de quebradeira (inclusive a de bancos) j\u00e1 assusta o Pal\u00e1cio do Planalto"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes<\/strong><\/h6>\n<p>O alto endividamento das grandes empresas brasileiras e o risco de calote tornou-se uma forte preocupa\u00e7\u00e3o tanto dos bancos quanto do governo. As maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras do Pa\u00eds j\u00e1 montaram uma opera\u00e7\u00e3o orquestrada para evitar a inadimpl\u00eancia de d\u00e9bitos que, somente entre as 15 maiores empresas do Pa\u00eds &#8211; excluindo a Petrobras -, chega a R$ 50 bilh\u00f5es com o sistema banc\u00e1rio nacional e a R$ 150 bilh\u00f5es, se inclu\u00eddas os financiamentos no exterior.<\/p>\n<p>O rebaixamento da classifica\u00e7\u00e3o de risco do Brasil e das principais companhias e bancos brasileiros tornou mais dif\u00edcil e mais cara a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas l\u00e1 fora. Os bonds (t\u00edtulos no exterior) da Odebrecht, por exemplo, est\u00e3o sendo negociados a 12% do valor de face.<\/p>\n<p>Para permitir a renegocia\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis \u00e0s companhias endividadas, integrantes do governo v\u00eam pressionando o Banco Central a liberar parte do dinheiro que os bancos s\u00e3o obrigados a deixar na institui\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 que o BC libere parte dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios com a condi\u00e7\u00e3o que os bancos usem esses recursos em linhas de financiamento para que as empresas resgatem os pap\u00e9is emitidos no exterior.<\/p>\n<p>Outra medida em estudo, que tamb\u00e9m a enfrenta resist\u00eancia da autoridade reguladora, \u00e9 afrouxar as exig\u00eancias do chamado \u00edndice de Basileia, que institui regras prudenciais \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras para manter equilibrada a rela\u00e7\u00e3o entre o capital pr\u00f3prio do banco e os empr\u00e9stimos concedidos.<\/p>\n<p>Segundo uma fonte da equipe econ\u00f4mica, h\u00e1 defensores at\u00e9 mesmo do uso das reservas internacionais e de dinheiro p\u00fablico nessas opera\u00e7\u00f5es. Alguns &#8220;bal\u00f5es de ensaio&#8221; nesse sentido j\u00e1 foram lan\u00e7ados, mas a ado\u00e7\u00e3o dessas medidas \u00e9 muito improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 evitar que essas grandes companhias &#8211; a maioria delas envolvida na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que apura den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras &#8211; fiquem inadimplentes.<\/p>\n<p><b>Risco banc\u00e1rio &#8211;\u00a0<\/b>A consequ\u00eancia seria uma &#8220;minicrise banc\u00e1ria&#8221;, como definiu um integrante do governo ao se referir ao risco de insolv\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es financeiras de m\u00e9dio porte. &#8220;Na hora em que uma empresa desse tamanho ficar inadimplente ou entrar em recupera\u00e7\u00e3o judicial, pode procurar a lista de credores e ver os bancos m\u00e9dios. Com certeza ter\u00e3o s\u00e9rios problemas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, os cinco maiores bancos, que concentram 70% dos ativos do setor, n\u00e3o correm risco de quebrar. Mas enfrentariam problemas, porque precisariam &#8220;baixar&#8221; em seus balan\u00e7os entre 50% e 70% dessas d\u00edvidas. Isso num momento em que n\u00e3o h\u00e1 folga de capital.<\/p>\n<p>O Banco Central detectou aumento no volume de renegocia\u00e7\u00f5es e de reestrutura\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito ao longo do ano passado, principalmente a partir do segundo semestre. As opera\u00e7\u00f5es se concentram mais nas empresas. Empr\u00e9stimos pessoais s\u00e3o mais dif\u00edceis de serem renegociados.<\/p>\n<p>Nessas opera\u00e7\u00f5es, os bancos d\u00e3o mais prazo para pagamento e chegam a reduzir as taxas fixadas nos empr\u00e9stimos. Mas essa &#8220;personaliza\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 mais comum quando envolve grandes cifras. Financiamentos baixos, tomados por pequenas e m\u00e9dias empresas, seguem um padr\u00e3o negociado na ag\u00eancia banc\u00e1ria. Por isso, a inadimpl\u00eancia vai bater primeiro e mais forte entre as pequenas. Preocupado com as consequ\u00eancias, o governo estuda medidas para tentar socorrer tamb\u00e9m esse segmento empresarial.<\/p>\n<p>Mesmo nos financiamentos concedidos a grandes grupos empresariais, esses par\u00e2metros de renegocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o admitidos usualmente. Mas este \u00e9 um momento que beira a exce\u00e7\u00e3o por conta da gravidade da crise econ\u00f4mica. Por isso, as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam aceitado reduzir as margens de rentabilidade na recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para tentar compensar a redu\u00e7\u00e3o na capacidade de pagamento dos tomadores.<\/p>\n<p><b>Reestrutura\u00e7\u00f5es &#8211;\u00a0<\/b>As reestrutura\u00e7\u00f5es s\u00e3o um passo mais adiante, para casos mais cr\u00edticos. Nessa etapa, os tomadores j\u00e1 contabilizam opera\u00e7\u00f5es em atraso. O objetivo nesse tipo de acordo \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do principal do financiamento.<\/p>\n<p>O volume de empr\u00e9stimos em renegocia\u00e7\u00e3o por fam\u00edlias e empresas com os bancos fechou o ano passado em R$ 245 bilh\u00f5es, 7,6% de toda a carteira de cr\u00e9dito. Em reestrutura\u00e7\u00e3o estavam R$ 61 bilh\u00f5es, o equivalente a 1,9% do estoque de financiamentos e empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Os bancos j\u00e1 come\u00e7aram a aumentar as provis\u00f5es (registros, de prov\u00e1veis perdas) para fazer frente aos calotes, al\u00e9m do que a regula\u00e7\u00e3o exige. &#8220;A inadimpl\u00eancia vem primeiro. A provis\u00e3o \u00e9 a consequ\u00eancia da inadimpl\u00eancia&#8221;, diz o diretor de um grande banco<\/p>\n<p>Levantamento da consultoria Austin Asis mostra que as oito maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras separaram R$ 157 bilh\u00f5es &#8211; R$ 25 bilh\u00f5es a mais do que eram obrigadas &#8211; para eventuais perdas. &#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o nesse momento \u00e9 evitar que uma quebradeira resulte em aumento ainda mais nocivo de provis\u00f5es, o que pode afetar o capital dos bancos&#8221;, diz Luis Miguel Santacreu, da Austin Asis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes O alto endividamento das grandes empresas brasileiras e o risco de calote tornou-se uma forte preocupa\u00e7\u00e3o tanto dos bancos quanto do governo. 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