{"id":97537,"date":"2016-04-11T07:33:46","date_gmt":"2016-04-11T10:33:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=97537"},"modified":"2016-04-14T08:24:54","modified_gmt":"2016-04-14T11:24:54","slug":"brasileiro-corta-gastos-com-lazer-restaurante-e-roupa-mas-continua-devendo-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-corta-gastos-com-lazer-restaurante-e-roupa-mas-continua-devendo-muito\/","title":{"rendered":"Brasileiro corta gastos com lazer, restaurante e roupa, mas continua devendo muito"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Yolanda Fordelone<\/strong><\/h6>\n<p>O brasileiro endividado cortou gastos com lazer, roupas e restaurantes para quitar os d\u00e9bitos, mas, ainda assim, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o que renegociou o pagamento n\u00e3o est\u00e1 conseguindo honr\u00e1-lo e voltou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inadimplente. Para quem est\u00e1 nessa condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel encontrar servi\u00e7os especializados na renegocia\u00e7\u00e3o ou refinanciamento das d\u00edvidas e at\u00e9 aux\u00edlio na parte psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;Falar de finan\u00e7as \u00e9 um tabu, ainda mais se for sobre d\u00edvida. As pessoas n\u00e3o sentam para olhar o quanto ganham e gastam&#8221;, diz a economista-chefe do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC Brasil), Marcela Kawauti. Pesquisa da empresa junto com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que seis em cada dez brasileiros n\u00e3o sabem quanto devem.<\/p>\n<p>O inadimplente precisa come\u00e7ar pondo no papel todas as d\u00edvidas, verificando as mais caras (com maior juro) e checando o sal\u00e1rio l\u00edquido (ap\u00f3s todos os descontos). Desde 2012, a Funda\u00e7\u00e3o Procon-SP oferece ajuda profissional a superendividados, aqueles cuja d\u00edvida ultrapassa 50% dos ganhos, por exemplo. Ap\u00f3s preencher uma planilha financeira e passar por uma triagem, que seleciona os casos mais graves, o devedor recebe orienta\u00e7\u00f5es. Em audi\u00eancias, especialistas fazem a intermedia\u00e7\u00e3o na renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida com bancos e outras empresas.<\/p>\n<p>Uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 trocar d\u00edvidas caras, como a do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cujo juro foi de 447,5% ao ano em fevereiro, por mais baratas. H\u00e1 empresas que empacotam todas as d\u00edvidas e as refinanciam, como a Novi, onde \u00e9 poss\u00edvel tomar um empr\u00e9stimo com garantia imobili\u00e1ria ou de autom\u00f3veis. No caso em que o im\u00f3vel \u00e9 a garantia, a taxa de juros atual \u00e9 de 18,86% ao ano e o empr\u00e9stimo soma at\u00e9 50% do valor do bem. As parcelas s\u00e3o de, no m\u00e1ximo, 30% da renda do cliente e o prazo \u00e9 de at\u00e9 15 anos.<\/p>\n<p>&#8220;O cliente pode tomar nosso empr\u00e9stimo para v\u00e1rios fins, mas cerca de 60% usam o servi\u00e7o para consolidar d\u00edvidas&#8221;, afirma o presidente da Novi, Luiz Pedro Albornoz. A vantagem seria o alongamento da d\u00edvida, por um juro menor.<\/p>\n<p>Uma das maneiras de trabalhar o problema da d\u00edvida cr\u00f4nica e compulsiva \u00e9 buscar apoio nos Devedores An\u00f4nimos. &#8220;Eu queria ter o dinheiro, n\u00e3o olhava juro nem quanto devia. Conforme o problema aumentou, acabei recorrendo ao \u00e1lcool&#8221;, relata um membro do grupo, que preferiu n\u00e3o se identificar. Em encontros semanais, os participantes recebem o aux\u00edlio para falar do problema e aprender a lidar com o que o grupo considera uma doen\u00e7a que n\u00e3o pode ser curada, mas detida.<\/p>\n<p><b>Desinforma\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Desemprego e descontrole financeiro aparecem como os principais motivos para o nome sujo na pra\u00e7a. Na pesquisa, a perda do emprego foi citada por 29,2%. &#8220;N\u00e3o deixa de ser um descontrole, pois indica que, quando estava empregada, a pessoa n\u00e3o fez nenhuma reserva&#8221;, diz Marcela, do SPC Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de educa\u00e7\u00e3o financeira nas escolas e de conversa em casa, a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 motivada pelo fato de o amplo acesso ao cr\u00e9dito ser um fen\u00f4meno recente, lembra Thiago Alvarez, s\u00f3cio do aplicativo GuiaBolso, que ajuda os usu\u00e1rios a controlar a movimenta\u00e7\u00e3o das contas e cart\u00f5es. &#8220;O boom do cr\u00e9dito \u00e9 recente, depois dos anos 2000. Trata-se de uma primeira gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 tendo acesso ao cr\u00e9dito e aprendendo a us\u00e1-lo&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica em enfermagem J\u00e9ssica Duarte, de 27 anos, teve acesso a cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cheque especial aos 18 anos, ap\u00f3s come\u00e7ar a trabalhar. &#8220;Eu me descontrolei por v\u00e1rios motivos: era muito nova, n\u00e3o tive aula de finan\u00e7as na escola p\u00fablica onde estudei e moro com meus av\u00f3s e eles n\u00e3o me ensinaram, pois tamb\u00e9m n\u00e3o sabiam lidar com esses instrumentos. Os cart\u00f5es de cr\u00e9dito d\u00e3o a falsa ilus\u00e3o de que voc\u00ea tem dinheiro.&#8221;<\/p>\n<p>A sa\u00edda do vermelho veio em 2014, depois que arranjou um segundo emprego. A d\u00edvida havia chegado a seis vezes a renda l\u00edquida de J\u00e9ssica. &#8220;Comecei a me incomodar, pois vi que eu s\u00f3 gastava com bobeiras. Se precisava comprar algo um pouco mais caro, como um celular, por exemplo, tinha de pedir favor a algu\u00e9m, tinha vergonha, achava desagrad\u00e1vel. Foi a\u00ed que decidi limpar meu nome&#8221;, conta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"http:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/estadao.png\" alt=\"estadao\" width=\"99\" height=\"16\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yolanda Fordelone O brasileiro endividado cortou gastos com lazer, roupas e restaurantes para quitar os d\u00e9bitos, mas, ainda assim, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o que renegociou o pagamento n\u00e3o est\u00e1 conseguindo honr\u00e1-lo e voltou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inadimplente. 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